As árvores genealógicas das famílias Djugashvili e Alliluyev são fundamentais, logo nas primeiras páginas, para se acompanhar convenientemente o desenrolar da biografia que a historiadora, poetisa e reconhecida biógrafa canadiana Rosemary Sullivan lançou o ano passado com a chancela da Harper-Collins (Nova Iorque) e da Fourth Estate (Londres) sobre a história da vida de Svetlana, a única filha de Estaline nascida do segundo casamento deste com Nadezhda (“Nadia”) Alliluyev.
O livro tem a bagatela de pouco mais de 700 páginas, mas a letra não é minúscula e a leitura fácil. O delicioso relato da fuga para o Ocidente num avião da Qantas com destino a Roma, numa altura crucial da Guerra Fria, aproveitando a autorização que conseguira obter para uma deslocação à Índia para levar as cinzas de um seu namorado indiano, com o qual fora impedida de casar, e a reacção inusitada que gerou num alto responsável do Departamento de Estado, Kholer, ex-embaixador na URSS que não queria que a fuga perturbasse o clima de apaziguamento que iniciara com as autoridades de Moscovo durante a sua permanência naquelas paragens, são o suficente para agarrar o leitor.
Uma nota num artigo que li há tempos, um comentário de Simon Sebag Montefiore e duas críticas, uma no New York Times e outra no Independent, mais a atribuição de um prémio no país natal da autora, foram as minhas únicas referências e chamaram-me a atenção para a obra. Ao que por aqueles foi dito e escrito, sendo que o primeiro é um especialista sobre a Rússia, a União Soviética e Estaline, nada tenho, nem me atrevo, a acrescentar. O ideal é, pois, cada um ler e julgar por si o trabalho de Rosemary Sullivan.

