«Que farão as pessoas importantes num cemitério? Dormem, dormem como os outros, tal e qual como as pessoas que não valeram nada. E todos na mesma posição: na horizontal. A eternidade é horizontal.»
Antonio Tabucchi, O Tempo Envelhece Depressa, pp. 78/79
Ed. D.Quixote, Lisboa, 2013 (4ª edição)


http://www.bbc.co.uk/news/world-europe-3 5626990
Muito bom este conto do Tabucchi: ‘Os Mortos à Mesa’, em que um antigo agente da Stasi faz uma espécie de romagem à casa e ao túmulo de Bertolt Brecht, que ele costumava vigiar.
🙂 Antonieta
Terei de reler alguns destes contos para mergulhar melhor neles, Antonieta. Tocam-nos mais ao intelecto do que à emoção, disso não tenho a menor dúvida. Aquele de que gostei mais, neste livro, talvez tenha sido o último. Intitula-se ‘Contratempo’. Sobre um intelectual de visita a Creta que se perde voluntariamente numa estrada da ilha e desemboca num velho mosteiro onde acaba por permanecer.
Também gostei desse e do ‘Nuvens’, mas eu li o livro em Abril de 2012 e já não me recordo de todos.
Reli hoje o ‘Mortos à Mesa’ por causa do seu post e lembrei-me muito de um filme que adorei: As Vidas dos Outros.
Eu gosto muito da escrita do Tabucchi e acho esta capa fabulosa.
🙂 Antonieta
Ainda aqui volto para dizer que o meu livro preferido do Tabucchi continua a ser o ‘Afirma Pereira’, o primeiro que li.
Tive também o filme homónimo em K7 (Roberto Faenza, 1995) com um desempenho notável de Marcello Mastroianni e com alguns bons actores portugueses e belas imagens de Lisboa.
Gostava muito de rever o filme…
🙂 Antonieta
Neste caso estou em total desvantagem, Antonieta: não li o livro nem vi o filme.
Pedro
Devo ser a única leitora que não aprecia Tabucchi que até casou com uma portuguesa.
Defeito meu, decerto!
A frase que escolheste acentua o que sinto. Há pessoas saudáveis que até gostam de cemitérios. Chanel era uma delas. E não estava na posição horizontal. Nem a dormir. Gostava de fazer companhia aos mortos!
Helena
O Tabucchi aqui está a referir-se aos mortos de um cemitério protestante de Berlim, onde dormem na horizontal “pessoas importantes” como, por exemplo, Brecht e a mulher (a actriz Helene Heigel), o filósofo Hegel ou o autor Heinrich Mann,
mas também ilustres desconhecidos, pois todos os que são enterrados ficam nessa posição.
Quanto a não gostar do Tabucchi é perfeitamente legítimo, o mundo seria uma sensaboria se todos gostássemos das mesmas coisas.
🙂 Antonieta
Depois de ter adorado “Afirma Pereira,” este livro de contos, bastante fraco em ideias e com um curto fôlego verbal, deixou-me receoso de voltar a ler Tabucchi.