Leituras


Pedro Correia,

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«Germanófilo Salazar nunca o foi e o Governo de Sua Majestade nunca deixou de o saber. Verdadeiramente anglófilo também não, mas pressente-se que não mentiu a Theotónio Pereira quando lhe escreveu que convinha a Portugal uma moderada vitória inglesa.

(…) Curiosamente, foi com a Alemanha recuando em toda a linha que as relações entre os governos português e inglês se crisparam seriamente, enquanto se estragavam as de Salazar com o seu embaixador em Londres [Armindo Monteiro]. Em causa estiveram, nos dois casos, os Açores; agravando-se o primeiro com a questão do volfrâmio que, já em Londres, dominou os últimos meses desse ano, transitando para 1944. (…) E então, muito embora já não pudessem invocar o perigo de uma antecipação alemã, [os aliados] encararam seriamente a hipótese de ocupar as ilhas sem darem qualquer pré-aviso a Portugal. Acerca disso, Churchill chegou a acordo com os americanos e a coisa só não terá ido por diante porque [Anthony] Eden, com o Foreign Office, e [Clement] Attlee (ou seja, o Partido Trabalhista) a isso se opuseram.»

Manuel de Lucena, Os Lugares-Tenentes de Salazar, pp. 45-46

Ed. Alêtheia, 2015

0 comentários em “Leituras”

  1. Um livro interessantíssimo. Um panteão em Santa Comba será exagero (e em todo o caso e por óbvias razões inviável). Mas chame-se-lhes o que se quiser e discorde-se fundamental e visceralmente das suas convicções, foram governantes, políticos e diplomatas que não enriqueceram por conta dessas funções, exerceram-nas no âmbito de um sentido de estado e tinham um currículo universitário sério.

    Não é – desgraçadamente para nós e para o regime democrático – pouco, quando comparado com o que hoje se apresenta ao nosso voto.

    Costa

    1. De Costa,

      “Não é – desgraçadamente para nós e para o regime democrático – pouco, quando comparado com o que hoje se apresenta ao nosso voto”.????

      E o que se apresentava ao nosso voto, na 1ª República? não era ainda mais grave do que estas crises?

      Haja memória e que se imortalize urgentemente este português.

        1. O meu comentário sobre a 1ª república é simplesmente porque poucos se lembram que foi aquela “baderna” que fez de Salazar um homem imprescindível para segurar um país destruido.

          E neste momento, em que todos os aneis já se foram, toda a gente deve ter memória a ver se se cria vergonha na cara.

          E a memória só se adquire escrevendo a história e não varre-la para debaixo do tapete.

          Como se está fazendo com Salazar, em campa raza.

          1. Não só poucos se lembram, como há por cá gradas figuras que chamam a si o alegadamente insigne estatuto de herdeiros desse republicanismo. Enfim…

            Mas que tem isso a ver, sob que aspecto terei feito um panegírico à I República, ou infundadamente atacado Salazar ou os seus lugar-tenentes, nessa minha frase que você cita com reiterada interrogação?

            Mas adiante…

            Costa

    2. Não consta que Hitler ou Estaline tenham enriquecido.
      Essa deformação de base sobre o dinheiro, vinda da formação católica para alguns ou da formação marxista para outros esconde – no ultimo caso de propósito – que o dinheiro não é a única forma de riqueza.
      Aliás nem se pode considerar sequer a maior. O Poder n vezes maior e por isso mais perigoso que Dinheiro.
      De decidir a vida, de decidir quem perde e quem ganha. Fazer de Deus portanto. E isso só se consegue em grande escala com Política. A herdeira da Religião no Ocidente.

  2. O Churchill sempre foi um “querido” para Portugal, já desde o séc. XIX. Não sei qual era a panca dele contra nós, mas foi sempre um inimigo do Estado português em mais do que uma situação e em todas as funções que ocupou. Felizmente que outras forças dentro da Grã-Bretanha bloqueram os seus planos maquivélicos contra Portugal.

  3. Bom destaque !

    O 1º parágrafo é elucidativo de que Salazar era de facto um Homem de Estado e que valorava acima de tudo Portugal e os Portugueses.

    Já esta 3ª Republica começou mal e irá acabar pior para mal de quase todos nós.

    P.S. – Existe aí uma certa esquerda que vive para colar o Paf (as suas politicas e actores) ao Estado Novo, fazia-lhe bem ler alguns livros entre os quais de certeza este.

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