«Estávamos bem e, pouco a pouco, começámos a não pensar. Pode-se viver sem pensar.»
Julio Cortázar, Bestiário (1951), p. 18
Ed. Dom Quixote, 1986. Tradução de Joaquim Pais de Brito
8 comentários em “Leituras”
Também ando numa onda Cortázar. Li o “Rayuela” e o “Gostamos Tanto da Glenda” e Cortázar é sem sombra de dúvida um autor incontornável. Este infelizmente já não se encontra nas livrarias, mas quem sabe se a Cavalo de Ferro (que tem feito um trabalho incrível!) não decide publicá-lo.
Cortázar volta a estar na moda, João. E ainda bem. A propósito do centenário do nascimento e dos 30 anos da morte dele. Este pequeno livro de contos foi uma das primeiras obras que publicou. É excepcional, a vários títulos. Recomendável a todos quantos gostam de contos (é o meu caso, confesso).
É um livro a que regresso sempre com muito gosto, João. De uma colecção que deixou saudades (e que também divulgou, entre outros, Marguerite Yourcenar, Lawrence Durrell e Joseph Roth). Num tempo em que as editoras apostavam muito no formato “livro de bolso”. Hoje quase se concentram apenas no formato clássico – e mais caro. É pena.
Tal como o João, também eu tenho andado muito ‘Cortazariana’. Li As Armas Secretas, o Gostamos Tanto da Glenda e o Todos os Fogos o Fogo (este da Biblioteca); também não consegui encontrar o Bestiário, mas tenciono comprar o Final do Jogo. Gostei muito da homenagem que o João, sempre atento, lhe fez lá no Sentido dos Livros. Bom domingo para ambos! 🙂 Antonieta
Obrigado Antonieta! Também ouvi falar muito bem do “Todos os Fogos o Fogo” especialmente do conto “A Autoestrada do Sul”. Mais um para a lista de leituras futuras 🙂
Como livros em francês, inglês e castelhano tenho o privilégio de poder ler no original, o problema não se me põe felizmente nas mesmas condições que se põe a outras pessoas .
Para mais, quando se compra livros há mais de 50 anos, todos ou quase todos os “essenciais” estarão nalguma estante (falta é arrumá-los como o meu caro Pedro Correia fez há tempos, decerto descobrirei muitos que já não me lembrava ter).
Isto para dizer que este “Bestiário” com esta capa tenho aqui “no campo” e um original estará lá “em Lisboa”, tendo eu sempre dúvidas sobre a sua reedição num mercado limitado e pouco dado a clássicos como é o nosso.
Ainda que “Rayuela” tenha tido edição recente penso que uma das razões principais terá sido não o extraordinário valor da obra mas alguma “boleia” que recebeu de “Os detectives selvagens” de Roberto Bolaño.
O “Bestiário” terá tendência a ser cada vez menos reeditado, mesmo em castelhano, pois são contos que se podem “ír lendo” (alguns deles bastante curtos) e o conjunto está disponível na net em sites perfeitamente legais.
PS- Eu recuso-me a ler on-line se existir a opção de ter o livro em papel, mas isso sou eu, a maior parte das pessoas acham os livros caros e gastam o equivalente em restaurantes de onde saem a comentar que o jantar “estava uma boa m…”.
Tem muita razão, meu caro. Impera agora por aí um certo snobismo que torce o nariz ao “papel”. Como se o “papel” fosse lepra. Livros, só em linha. No ecrã. Digitando aqui, digitando ali, digitando acolá. E no entanto vivemos na civilização do Livro. O livro foi – e ainda é – a maior invenção da história. Nada mais portável e perdurável e memorável do que um bom livro. É capaz de nos acompanhar por uma vida inteira. Anterior aos automóveis, aos aviões, aos telefones, aos frigoríficos, às rádios, às televisões, aos foguetões, aos computadores, aos telemóveis. E tão moderno, ou mais moderno, do que tudo isto.
Também ando numa onda Cortázar. Li o “Rayuela” e o “Gostamos Tanto da Glenda” e Cortázar é sem sombra de dúvida um autor incontornável. Este infelizmente já não se encontra nas livrarias, mas quem sabe se a Cavalo de Ferro (que tem feito um trabalho incrível!) não decide publicá-lo.
Cortázar volta a estar na moda, João. E ainda bem. A propósito do centenário do nascimento e dos 30 anos da morte dele. Este pequeno livro de contos foi uma das primeiras obras que publicou. É excepcional, a vários títulos. Recomendável a todos quantos gostam de contos (é o meu caso, confesso).
E ainda bem que está na moda. Esperemos que muitos mais livros deste autor sejam editados por cá. Fico com esta sugestão em carteira.
É um livro a que regresso sempre com muito gosto, João. De uma colecção que deixou saudades (e que também divulgou, entre outros, Marguerite Yourcenar, Lawrence Durrell e Joseph Roth). Num tempo em que as editoras apostavam muito no formato “livro de bolso”. Hoje quase se concentram apenas no formato clássico – e mais caro. É pena.
Tal como o João, também eu tenho andado muito ‘Cortazariana’.
Li As Armas Secretas, o Gostamos Tanto da Glenda e o Todos os Fogos o Fogo (este da Biblioteca); também não consegui encontrar o Bestiário, mas tenciono comprar o Final do Jogo.
Gostei muito da homenagem que o João, sempre atento, lhe fez lá no Sentido dos Livros.
Bom domingo para ambos!
🙂
Antonieta
Obrigado Antonieta! Também ouvi falar muito bem do “Todos os Fogos o Fogo” especialmente do conto “A Autoestrada do Sul”. Mais um para a lista de leituras futuras 🙂
Como livros em francês, inglês e castelhano tenho o privilégio de poder ler no original, o problema não se me põe felizmente nas mesmas condições que se põe a outras pessoas .
Para mais, quando se compra livros há mais de 50 anos, todos ou quase todos os
“essenciais” estarão nalguma estante (falta é arrumá-los como o meu caro Pedro Correia fez há tempos, decerto descobrirei muitos que já não me lembrava ter).
Isto para dizer que este “Bestiário” com esta capa tenho aqui “no campo” e um original estará lá “em Lisboa”, tendo eu sempre dúvidas sobre a sua reedição num mercado limitado e pouco dado a clássicos como é o nosso.
Ainda que “Rayuela” tenha tido edição recente penso que uma das razões principais terá sido não o extraordinário valor da obra mas alguma “boleia” que recebeu de “Os detectives selvagens” de Roberto Bolaño.
O “Bestiário” terá tendência a ser cada vez menos reeditado, mesmo em castelhano, pois são contos que se podem “ír lendo” (alguns deles bastante curtos) e o conjunto está disponível na net em sites perfeitamente legais.
PS- Eu recuso-me a ler on-line se existir a opção de ter o livro em papel, mas isso sou eu, a maior parte das pessoas acham os livros caros e gastam o equivalente em restaurantes de onde saem a comentar que o jantar “estava uma boa m…”.
Tem muita razão, meu caro. Impera agora por aí um certo snobismo que torce o nariz ao “papel”. Como se o “papel” fosse lepra. Livros, só em linha. No ecrã. Digitando aqui, digitando ali, digitando acolá.
E no entanto vivemos na civilização do Livro. O livro foi – e ainda é – a maior invenção da história. Nada mais portável e perdurável e memorável do que um bom livro. É capaz de nos acompanhar por uma vida inteira. Anterior aos automóveis, aos aviões, aos telefones, aos frigoríficos, às rádios, às televisões, aos foguetões, aos computadores, aos telemóveis. E tão moderno, ou mais moderno, do que tudo isto.