«Leio num dicionário: “Asnografia: s. f.: diz-se, ironicamente, da descrição do asno.” Pobre asno! Tão bondoso, tão nobre, tão inteligente como és! Ironicamente… Porquê? Nem uma descrição séria mereces tu, cuja descrição exacta seria um conto de Primavera? Se ao homem, que é bom, deveriam chamar asno! Se ao asno, que é mau, deveriam chamar homem! Ironicamente… De ti, tão intelectual, amigo dos velhos e das crianças, dos regatos e das borboletas, do Sol e dos cães, das flores e da Lua, paciente e reflexivo, melancólico e amável, Marco Aurélio dos Prados…»
Juan Ramón Jiménez, Platero e Eu (1914), p. 47
Ed. Livros do Brasil, 2006. Tradução de José Bento


Amizade
«Damo-nos bem. Eu deixo-o ir à vontade e ele leva-me sempre onde quero.»
pag. 24, ed. Prémios Nobel (1956) do DN.
Uma ternura de livro!
🙂 Antonieta
Uma obra única, com uma linguagem inigualável. Prosa poética.
Fez em recordar esta obra intemporal, Pedro, que eu li no comecinho da adolescência, que me marcou a ponto de ainda hoje a recordar e que terá talvez contribuído para eu me interessar pela poesia. Devia ser, se calhar, leitura obrigatória. 🙂
Nada parece mais fora de moda do que este livro, Isabel. E raros livros são tão intemporais como este é.
De facto Pedro, tudo o que seja simples e não seja recente está fora de moda. Está-se a perder um pouco o culto dos clássicos e dos livros que marcaram a história da literatura. Quanto a este livro, já o tenho (mas na edição da BI), mas ainda não o li. Estou muito tentado a passá-lo à frente…
É um livro que se lê muito bem, João. E num instante.