«Onde queria que recebesse [Bettino] Craxi? Num café? Num banco de jardim de Tunes? Está a brincar… Claro que o recebi na embaixada de Portugal [em Março de 1995]. (…) Não me foi comunicada qualquer dúvida ou, muito menos, oposição. Pelo contrário, o silêncio foi absoluto, e tudo parecia nos conformes. Quem cala consente. É dos livros. Eis senão quando o deputado José Pacheco Pereira se lembrou de tirar o coelho da cartola. Armou um pé de vento tremendo na comunicação social! Criou um facto político que fez correr muita tinta e não aproveitou a ninguém. Nem a ele próprio, curiosamente…
Irritou-se?
Eu?! Diverti-me e espantei-me com a insanidade política dos nossos meios ditos “bem pensantes”… Todos se puseram a dar palpites, antes de me ouvir e conhecer a verdade. Não tenho por hábito deixar cair os amigos. Fui advogado de muita gente, sei o que são processos político-criminais, já vi muita coisa, tenho o sentido da relatividade de certas acusações, sopradas pela conjuntura, conheço a Itália e o jeito italiano para a composizione. Sou amigo de Craxi, acha que alguma vez hesitaria em estender a mão a um amigo que, numa situação difícil, me pedisse para o receber?»
Soares – O Presidente (entrevista de Mário Soares a Maria João Avillez), p. 320
Círculo de Leitores, 1997


Convém sublinhar que Craxi estava na Tunísia para fugir à justiça do seu país.
Sua queda ocorreu em 1992, com a iniciativa judicial denominada Operação Mãos Limpas, que tentou acabar com a corrupção imperante na política italiana. Craxi, apontado entre os corruptos, teve que se demitir de seu cargo, num PSI que não demoraria em desaparecer.
Craxi muda-se para a Tunísia fugindo da justiça, morrendo em 2000 na cidade litorânea de Hammamet.
(da Wikipedia em “português”)
O que “comentei” está acessível (e até mais completo) clicando nos links do post…
Ficamos assim a saber duas coisas:
1º Que Soares não é amigo de Cavaco, mas parece que isto já não é novidade.
2ª Soares sabe muito bem o que são processos político-criminais.
…” Sou amigo de Craxi, acha que alguma vez hesitaria estender a mão a um amigo…”
Obrigado Camarada Soares … nunca duvidei que deixaria de poder contar com a tua soliriedade e generosidade.
Abraço afectuoso
R. Mateus
Repugnante! Sempre foi.
De pé!, é como estou a aplaudir este teu postal. Um dos momentos mais vergonhosos da II (ou III, escolha-se) República, este abjecto acto do presidente Soares em visita oficial ao estrangeiro a receber em território nacional para um abraço este fugitivo à justiça do seu país (e com que acusações). Confundindo, como está referido no que transcreves, a “amizade pessoal” com a conivência oficial da nossa presidência com as malevolências em que Craxi estava metido.
A uma mais pequena escala isto é similar ao inadmissível “abraço” que o seguinte presidente Jorge Sampaio (de quem fui eleitor) foi dar ao cacique da Guarda, também ele embrulhado em crimes corruptos, aquando em visita oficial, também em nome de uma desajustada “amizade pessoal”.
Quem tem telhados de vidro não deve atirar pedras aos outros.
Vergonha é o que uma pessoa humilde sente quando vê a merda que atola este país. Não, meus senhores e minhas senhoras, não é preciso nascer com titulo ou sequer com muito Q.I para perceber que a politica deste país não tem poder nem capacidade para resolver os problemas em que se meteram. Aqui, onde me sento e sinto, chamo-os por trapalhões, irresponsáveis, inconsequentes, chulos , malandros, ladrões, vigaristas, etc. Por certo (quero acreditar) estou sendo demasiado extremista. Triste é ver que no outro extremo se auto denominam políticos.
Sim, só um senil para ter tamanho descaramento; com que moral um traficante mafioso aponta o dedo a um mafioso do sistema financeiro?
-Nenhuma.
Porque se demite um governo alegadamente por ser insustentável a divida publica andar pelos 95% e se apoia outro com essa divida a andar pelos 130%?
– São colegas, amigos. São cúmplices.
Porque se chumba o pec IV por ser demasiado agressivo e no dia
seguinte diz-se que afinal vão tomar medidas muito mais agressivas que as do pec IV?
– Para subir ao poder. (não foi de aprendiz, foi mesmo de feiticeiro)
Podia estar aqui o dia todo, mas para quê?
-Porque não adianta, somos um país pequeno que quem governa é que tem em seu poder as rendas garantidas pelo estado e os monopólios comercias: combustíveis, energia, estradas e os média. Presentemente, com a ajuda dos políticos preparam o caminho para explorar a saúde e educação.
É assim que vamos sair da crise? Com empresas que sugam o pouco que temos nunca sairemos desta crise, alias, ainda vamos no principio, porque por este andamento não tarda seremos um país com meia dúzia de quartéis instalados a explorar um povo pobre, fraco e ignorante… miserável…
Obrigado, a todos os políticos, a todos os que nunca tiveram a coragem de governar, a todos o que nunca souberam o que é governar, o meu muito obrigado.
Manuel Gonçalves