
Há imensas fontes para se tentar perceber a situação na Ucrânia. Desde logo as inúmeras televisões – por hábito vou mais à France 24 e à BBC World News mas a DW também me serve. Um dos nossos generais comentadores televisivos recomenda a fiabilidade da televisão estatal da autocracia catariana. Enfim, há para todos os gostos.
Outras estações serão menos recomendáveis: um popularíssimo cómico português acaba de espezinhar a cobertura da guerra do canal rival, feita pelo antigo director do canal onde há duas décadas começara a sua carreira televisiva e que o terá dispensado – “Cá se fazem, cá se pagam”, “a vingança é um prato que se serve frio” e se a guerra ucraniana é mais sanguinolenta do que a do “millieu” lisboeta os combatentes não serão menos sanguinários. E aqui o povo ri e aplaude, não faz manifestações de oposição aos tiranetes.
Em “papel” (digital) há imensa coisa, e farto-me de ver recomendações de literatura contextualizadora/explicativa do processo actual, entre as quais abundam as que remetem para o omnipresente Kissinger, cuja pertinência nestas matérias costuma ser idolatrada – e não serei eu o iconoclasta.
Dada essa profusão de palpites até pedagógicos também faço uma proposta aos interessados no entendimento da crise na Ucrânia, algo acessível e que se poderá ler neste fim-de-semana.
Trata-se deste “O Americano Tranquilo” de Graham Greene, um pequeno romance que explana com detalhe algumas das dinâmicas que promoveram este actual conflito. Será muito de interesse principalmente para quem se interrogue sobre a intervenção do mundo “ocidental”, sem com isso se sossegar na demonização dos malditos “capitalistas, imperialistas, ocidentais” (e, agora, no pós-Greene, “neoliberais” e “brancos”).
Adianto, como ressalva da minha parcialidade, que este é o “livro da minha vida” (o que não quer dizer “o melhor livro”), pois tendo-o lido e relido na adolescência logo percebi que eu era aquele protagonista Fowler, o que reafirmei nas várias leituras ao longo da vida. Não como alter ego, mas sim como constatação de uma evidente predestinação. Algo que aliás se cumpriu: só não tenho uma namorada mais nova, que me desame e que de mim dependa economicamente. Mas isso é de somenos, pois o estado é o mesmo. (Tanto assim que até tive um blog chamado Rue Catinat).
Enfim se tiverdes curiosidade sobre este caso ucraniano ide ler o tal “O Americano Tranquilo”. E também percebereis muito mais coisas, como bónus.
(Nota: há dois filmes que não fazem justiça ao livro. Um suficiente + (apesar) de Mankiewicz; um suficiente – (nota puxada para cima) de Philip Noyce. Convém evitar vê-los, pelo menos antes da leitura)

Não li o livro e portanto não posso comparar. Mas vi o filme e gostei bastante. Se não faz jus ao livro e ainda assim não o esqueci, é de ler.
É mesmo para ler.
Ouvi hoje por acaso um bocado da Antena Aberta da Antena 1, e foi com esforço que resisti a mudar de canal. Três malucos seguidos que, acusando os nossos media de perseguição, usaram da palavra acusando os EUA, a União Europeia e até o Churchill da actual situação. Estavam claramente combinados. Cada um deles quase que continuava as frases do anterior e um chegou a defender que se os ucranianos queriam a paz deviam receber os russos, tão ofendidos e há tanto tempo pela história, pacificamente. Outro recomendou ir ao youtube ouvir uma entrevista que um graduado qualquer das nossas FA deu ontem na RTP3.
Uma corja de malucos.
Abundam
Está tudo na literatura.
É mesmo. (Saudações, muito me apraz sabê-la pelo Delito…)
Fiquei com curiosidade em ler pois já é, julgo eu, a segunda vez que o usa aqui no delito (a última foi senão me engano aquando da situação da saída dos USA do afeganistão)
Muito obrigado pela sua atenção. Já nem me lembrava, é verdade que me repito (https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/s obre-o-afeganistao-12982463) Mas é “O Americano Tranquilo” é-me tique recorrente, e numa situação algo similar já o tinha referido (https://ma-schamba.blogs.sapo.pt/a-sir ia-nas-nacoes-unidas-1921101). E, decerto que entre outras vezes, também aqui (https://ma-schamba.blogs.sapo.pt/28370 8.html)
Bem como, pelo menos, outro livro de Greene que vagueia em áreas parecidas: https://ma-schamba.blogs.sapo.pt/62 7114.html
Ora, ora, não pode haver um Fowler sem a inspiração de uma Puhong .
Eu li o livro e vi os filmes, um antes da leitura, outro depois. São muito diferentes, mas apesar de tudo a combinação de ambos é um resultado interessante e o papel de Michael Caine no papel de Fowler é sublime (e Greene é um autor bastante cinematográfico, ou não tivessem tido os livros dele tantas adaptações ao grande ecrã. Aliás ele escreveu o argumento para a adaptação ao cinema do seu O Terceiro Homem).
Sim, claro, a cada um de nós a sua Puhong (apenas digo que não vivo a mesma situação…). Sobre “O Terceiro Homem” fiz um dia um pequeno postal (https://ma-schamba.blogs.sapo.pt/62711 4.html), e é verdade, muito do que Greene escreveu era cinematográfico (talvez por isso a Academia sueca o menosprezou)
Não há muito que saber. O Poder Russo considera a Ucrânia território Russo e os próprios Ucranianos como Russos. Viram várias vulnerabilidades no Ocidente e aproveitaram.
jpt lendo o post, desta leitura recomendada ao “O Americano tranquilo” ,não fazemos a mínima ideia que o enredo do livro tem como cenário da guerra na Indochina.
E a guerra da Indochina de 1949-1954 foi uma invasão de 200.000 militares franceses para travar a independência dos povos da Indochina (Laos, Camboja e Vietname).
Não sei se foi obrigado pelo Pedro Correia a esconder sobre este assunto para não desviar atenções sobre o Putin ou ter receio de ser aconselhado a ser deputado do PCP no Parlamento Europeu.
Anónimo, quem ler o postal não fica com essa ideia pois o postal não tem essa intenção. Nem tem que a ter. É um texto em registo conversacional em que eu escrevo a quem me quiser ler que este livro me foi um contributo para entender muita coisa, e que dele se pode perceber muito do que se passa hoje – é a minha opinião, e a minha sensação – como explicito no postal. Você pode ler o livo e incompreender o que eu digo – o que será normal. Ou já o ter lido e também incompreender, e mesmo discordar, do que eu digo. Tudo isso é normal.
O que já não é normal, é mesmo aberrante, é o disparate que se lhe segue. Que é típico de algum comentariado do DO. Não é a discordância, é o azedume, quantas vezes (como neste caso) boçal, com que um feixe de comentadores aqui abanca em sucessivos dislates. Isto é gratuito, homem. Ninguém é pago para aqui escrever, nem é recompensado (meia dúzia de amigos que dirão, algumas vezes, “bom texto” é o máximo que se “ganha”). Não dá qualquer prestígio, não é trampolim para alguma coisa. É um hóbi. E não produz “opinião pública”, o DO terá 1500 visitas diárias, mais ou menos, e de gente que já o conhece. E ninguém paga para vir aqui, ainda por cima. Ou seja, as pessoas que querem abancar na internet a escarrar o fel, a drenar o azedume da merda da vida que têm, a bolçar as parcas ideias que julgam ter, foda-se, vão para os “sites” da imprensa, chateiem quem lá tem púlpito, e audiências populares, e ainda para mais sejam lidos por muito mais zangados, colegas comentadores. Que caralho, que merda de gente que bota esta merdas de comentários.
Dos capachos do Putin nada mais há a esperar senão disto.
Tal e qual os gajos pide, até o bispo do porto rezava pelo imperialismo soviético.
Nem é isso, Pedro Correia, pelo que depreendi de um outro comentário que lhe apaguei, trata-se apenas de um ancião, veterano da guerra da Guiné, algo letrado (não é um “a prepósito” que o analfabetiza, é apenas um lisboeta que escreve foneticamente), e carregado de azedume. Há destes com Putin, outros avessos a Putin. De certa forma tornou-se uma função social dos comentários do DO, somos uma espécie de “cuidador informal” blogal.
Temos de nos estabelecer como “parceiros sociais” então, camarada. Há que exigir sem demora assento no Conselho Económico e Social. Com prebendas incluídas, naturalmente.
Calma, homem!


Eu concordo inteiramente consigo – mas creio que tem nível demais para usar esta linguagem!
Eu sou uma senhora, recém chegada ao DO – sem dúvida, a melhor coisa da blogosfera, desde que 3/4 do mundo migrou para as redes sociais. E como senhora, não gosto de certos termos…
Peço que mantenha o nível a que me habituou!!!
tem toda a razão, não é preciso isto, não vale a pena tamanhas irritações
Os seus textos, são sempre bons…..Os CÃES LADRAM , mas a Verdade PASSA SEMPRE !
A.Vieira