Carta ao aluno que não lê “Os Maias”. De Afonso Reis Cabral, na Visão.
41 comentários em “Leitura recomendada”
Ainda ontem falávamos do ensino. Este texto, muito criativo e literário na forma, é também muito assertivo na distinção entre o ensino que temos tido e o que deveríamos ter. Não é por acaso que deveremos ser dos que mais investem (perdão, consomem) em explicações, per capita. E eu diria que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade está na razão inversa do gasto em explicações escolares. Para nossa desgraça coletiva, é esse mesmo o ensino que temos tido: – O adestramento canino, visando a habilidade de preencher testes e exames, segundo as expectativas, sem o contributo minimamente suficiente da inteligência e da criatividade dos intervenientes. João de Brito
O meu filho mais velho, que entrou agora na universidade, recusou-se a ler Os Maias. Nem sequer leu aquelas súmulas que são publicadas para alunos a ensinar-lhes o básico daquilo que deveriam ter lido. Para responder nos exames recorreu a cábulas que a mãe lhe fez.
Tal como não leu Os Maias, também não leu nenhuma das outras obras de leitura obrigatória.
Ele lê; mas coisas que lhe interessam e atuais. Não lê velharias.
Seja. Não será então uma pistola, mas não andará longe das suas vontades uma pira ritual onde essas “velharias” todas arderiam exemplarmente. O mundo ficaria bem melhor, sem dúvida, só com “coisas que interessam”. Coisas “atuais”, evidentemente.
De facto andam entes distópicos por aqui.
Costa
Costa, desculpe pelo da outra vez.
Refere-se àquilo da jovem sueca? Ó homem, onde isso já vai… Tenho razões para crer que ainda por aqui trocaremos vivas linhas de discórdia sobre isto ou aquilo. E esperemos que sim.
Afinal ainda não há muito tempo isso ser-nos-ia decerto impossível (salvo no recato de um encontro pessoal e em voz baixa, ou por correspondência desejavelmente inviolada e na confiança de que um não denunciaria o outro aos poderes de turno) e, tudo visto, tão pouco tempo passado depois desse e já as coisas se encaminham para que discordar, pensar diferente, volte a ser – leve a inteligentsia dominante o seu projecto até ao fim, e parece imparável – ousadia inaceitável.
Costa
Ps. Ali em cima escrevi “atuais” deliberadamente sem “c”. Pareceu-me que se deveria na circunstância, tamanha a estupidez tão orgulhosa e arrogantemente afirmada no primeiro comentário a este postal, usar o infame “patois” lavourês.
Peço desculpa, a tremenda lavourada está, evidentemente, no segundo comentário.
Também. O ensino é, ele mesmo, uma velharia. Todo virado para trás, de costas para a vida. Nessa exata medida constitui-se como um doloroso mau trato à nossa criançada. Porque é o que é um dia inteiro fechado numa sala, também de costas para os colegas, e de frente para alguém que debita frases feitas e tão velhas como os fenícios, como os gregos, como os romanos… que se guerrearam em horrorosas batalhas campais… enquanto, no bolso, interdito e sequestrado, o telemóvel cala a Guerra das Estrelas. Que tortura! Que desumanidade! João de Brito
Eu, que embirro com o Eça, leio-o sempre só pelo prazer de ter motivos para embirrar com ele. Só para ter o prazer de lhe dizer que o Camilo era melhor! Mas leio sempre.
“Só o facto de te meterem o livro à frente, de o analisarem contigo; pior, de o limitarem àquele tipo de estudo muito vazio que visa o exame, só isso já te estraga a vontade” Aquele tipo de estudo muito vazio que visa o exame.!! Para ser sincero não percebo lá muito bem o que isto quer dizer. Mas tenho ouvido isto com tanta frequência que já cansa.
O problema principal, a meu ver, relaciona-se com a perda de importância da cultura ( o pensamento pelo prazer do pensar), em sentido lato, relativamente ao conhecimento tecnológico (o pensamento ao serviço da produção material). Mas também à proeminência de um certo tipo de ser – Homo economicus, um Homem egoísta, “pragmático”, não reflexivo, quanto aos meios usados para alcançar um determinado fim, que ser quer imediato – derivado do que a modernidade, via publicidade, entende como realização pessoal / natureza humana/sucesso. Uma consumação pelo consumo.
Quantos usam a contemplação e não a aquisição na busca da felicidade? Uma minoria hoje e sempre
Porventura o “problema “dos Maias é mais antigo, não sendo de “hoje” . Penso que há 40 anos haveriam alunos que o liam e outros que o tresliam. Assim como os Lusiadas, ou a obra de Fernando Pessoa.
Há uma grande vantagem que reconheço aos conhecimentos tecnológicos relativamente aos humanísticos. Vantagem que reside na avaliação. Nas tecnológicas a avaliação é direta e cristalina – se funciona, está certo; se não funciona, está errado. Nas humanistas, tudo se torna muito subjetivo. E nós adoramos esconder-nos, do mérito, atrás do subjetivismo. Por um lado, tudo é relativo. Por outro lado, somos todos iguais… todos funcionários públicos! Perguntem aos sindicatos. João de
Para o bom uso da tecnologia é fundamental um aprofundado conhecimento humanístico. E o maior ou menor conhecimento humanístico determina o sentido da investigação cientifica – ex: telemóveis, ou sondas espaciais.
“O direito ao ensino tem sido garantido…” Isto é ser muito otimista. O ensino tem sido tão mau que deixou de ser um direito para ser um dever. E a prova está na obrigatoriedade até ao 12º ano. Um pouco como na política e pelos mesmos motivos – não tardará que o voto deixe de ser um direito para ser um dever. É assim o mundo às avessas em que vivemos. Temos de reagir. Com ou sem colete. João de Brito
Repare na distinção que fiz entre direito ao ensino e direito à educação. Penso que responde e transforma o seu comentário em adenda e não em contestação.
Auto-consciência também educa para a busca da educação. Ninguém nasce ensinado, mas todos nascemos com curiosidade mínima, todos. É talvez o que nos leva a abrir os olhos mesmo quando privados de visão.
Caro joão de brito, por acaso não terá um blogue e um email onde o possa contactar? Acredite que me daria um jeitão… não a mim, mas a uma ideia. Se ambas as respostas forem afirmativas, agradeço-lhe que siga as letras vermelhas acima e escreva para a @ que encontrar.
João de Brito, ali o brincalhão teve piada mas falei a sério – e garanto que só o vou assediar um bocadinho, mas não assim 🙂
Em boa hora recomendaste a leitura deste texto. Além de ter toda a razão e de saber interpelar os jovens a quem se dirige com inteligência, que maturidade e que elegância no estilo! O seu trisavô ficaria orgulhoso. Fiquei com vontade de o ler.
Os argumentos que Afonso Reis Cabral aduz para se ler Os Maias são válidos igualmente para muitos outros livros. Com a vantagem de que esses outros livros são menos longos e tratam de temas mais atuais e de uma sociedade e uma cultura que os jovens compreendem melhor.
Quem descuida a História hipoteca o Futuro. Vale para o concreto como para as artes, sendo que as artes cristalizam um pouco a visão do tempo em que são criadas as obras – e Eça fá-lo magistralmente e com abundância.
Eu não digo que se deva descuidar a História. Mas, será necessário ou conveniente ou, sequer, possível, ensiná-la toda a todos os jovens ou crianças? Não será mais proveitoso deixar que algumas partes dessa História sejam apenas aprendidas e apreendidas por algumas pessoas (não por todas), e somente quando forem adultas? À medida que a sociedade progride, certos conceitos e relações que para os nossos antepassados eram óbvios tornam-se muitíssimo complicados de explicar, porque já estão muito longe daquilo que agora se faz. Será necessário estarmos a exigir a todas as crianças e a todos os jovens que procurem compreender esses conceitos e relações, e interessar-se por eles? Não será mais correto que eles sejam aprendidos somente mais tarde e somente por aqueles que mostrem inclinação para isso?
Se plantar uma macieira ou um limoeiro e não retirar os ladrões nem não orientar os ramos mais soltos, a árvore cresce, sem dúvida, mas os seus frutos serão irregulares, maioritariamente pequenos e terão uma maturação dificultada pelo excesso de folhagem. Talvez desbastando folhas e frutos consiga obter uma produção melhor, mas não tão boa como poderia ter sido – e terá muito mas muito mais trabalho e a árvore terá consumido muitos mais nutrientes e água. E não terá produzido muito mais oxigénio.
Assim acontece com as crianças e adolescentes que não são estimulados nem orientados.
Ainda ontem falávamos do ensino.
Este texto, muito criativo e literário na forma, é também muito assertivo na distinção entre o ensino que temos tido e o que deveríamos ter.
Não é por acaso que deveremos ser dos que mais investem (perdão, consomem) em explicações, per capita.
E eu diria que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade está na razão inversa do gasto em explicações escolares.
Para nossa desgraça coletiva, é esse mesmo o ensino que temos tido:
– O adestramento canino, visando a habilidade de preencher testes e exames, segundo as expectativas, sem o contributo minimamente suficiente da inteligência e da criatividade dos intervenientes.
João de Brito
O meu filho mais velho, que entrou agora na universidade, recusou-se a ler Os Maias. Nem sequer leu aquelas súmulas que são publicadas para alunos a ensinar-lhes o básico daquilo que deveriam ter lido. Para responder nos exames recorreu a cábulas que a mãe lhe fez.
Tal como não leu Os Maias, também não leu nenhuma das outras obras de leitura obrigatória.
Ele lê; mas coisas que lhe interessam e atuais. Não lê velharias.
Tal pai, tal filho.
Tal pai, tal filho, de facto. Devem os dois sacar da pistola quando lhes falam de cultura.
Costa
Não exageremos, Costa. Só sacam da bisnaga.
Seja. Não será então uma pistola, mas não andará longe das suas vontades uma pira ritual onde essas “velharias” todas arderiam exemplarmente. O mundo ficaria bem melhor, sem dúvida, só com “coisas que interessam”. Coisas “atuais”, evidentemente.
De facto andam entes distópicos por aqui.
Costa
Costa, desculpe pelo da outra vez.
Refere-se àquilo da jovem sueca? Ó homem, onde isso já vai… Tenho razões para crer que ainda por aqui trocaremos vivas linhas de discórdia sobre isto ou aquilo. E esperemos que sim.
Afinal ainda não há muito tempo isso ser-nos-ia decerto impossível (salvo no recato de um encontro pessoal e em voz baixa, ou por correspondência desejavelmente inviolada e na confiança de que um não denunciaria o outro aos poderes de turno) e, tudo visto, tão pouco tempo passado depois desse e já as coisas se encaminham para que discordar, pensar diferente, volte a ser – leve a inteligentsia dominante o seu projecto até ao fim, e parece imparável – ousadia inaceitável.
Costa
Ps. Ali em cima escrevi “atuais” deliberadamente sem “c”. Pareceu-me que se deveria na circunstância, tamanha a estupidez tão orgulhosa e arrogantemente afirmada no primeiro comentário a este postal, usar o infame “patois” lavourês.
Peço desculpa, a tremenda lavourada está, evidentemente, no segundo comentário.
Costa
Xiça!
Também.
O ensino é, ele mesmo, uma velharia.
Todo virado para trás, de costas para a vida.
Nessa exata medida constitui-se como um doloroso mau trato à nossa criançada.
Porque é o que é um dia inteiro fechado numa sala, também de costas para os colegas, e de frente para alguém que debita frases feitas e tão velhas como os fenícios, como os gregos, como os romanos… que se guerrearam em horrorosas batalhas campais… enquanto, no bolso, interdito e sequestrado, o telemóvel cala a Guerra das Estrelas.
Que tortura!
Que desumanidade!
João de Brito
Fazer cábulas para os exames do filho.
Nunca tal ouvi, destrutiva e mordaz a sua afirmação.
Eu, que embirro com o Eça, leio-o sempre só pelo prazer de ter motivos para embirrar com ele. Só para ter o prazer de lhe dizer que o Camilo era melhor! Mas leio sempre.
“Só o facto de te meterem o livro à frente, de o analisarem contigo; pior, de o limitarem àquele tipo de estudo muito vazio que visa o exame, só isso já te estraga a vontade”
Aquele tipo de estudo muito vazio que visa o exame.!! Para ser sincero não percebo lá muito bem o que isto quer dizer. Mas tenho ouvido isto com tanta frequência que já cansa.
O problema principal, a meu ver, relaciona-se com a perda de importância da cultura ( o pensamento pelo prazer do pensar), em sentido lato, relativamente ao conhecimento tecnológico (o pensamento ao serviço da produção material). Mas também à proeminência de um certo tipo de ser – Homo economicus, um Homem egoísta, “pragmático”, não reflexivo, quanto aos meios usados para alcançar um determinado fim, que ser quer imediato – derivado do que a modernidade, via publicidade, entende como realização pessoal / natureza humana/sucesso. Uma consumação pelo consumo.
Quantos usam a contemplação e não a aquisição na busca da felicidade? Uma minoria hoje e sempre
Porventura o “problema “dos Maias é mais antigo, não sendo de “hoje” . Penso que há 40 anos haveriam alunos que o liam e outros que o tresliam. Assim como os Lusiadas, ou a obra de Fernando Pessoa.
São velhos problemas recursivos.
Mas depois queres os “Serviços Públicos” que existem por causa do Homo economicus…
Aponto-te as estrelas e tu fixas-te no dedo!
Há uma grande vantagem que reconheço aos conhecimentos tecnológicos relativamente aos humanísticos.
Vantagem que reside na avaliação.
Nas tecnológicas a avaliação é direta e cristalina – se funciona, está certo; se não funciona, está errado.
Nas humanistas, tudo se torna muito subjetivo.
E nós adoramos esconder-nos, do mérito, atrás do subjetivismo.
Por um lado, tudo é relativo.
Por outro lado, somos todos iguais… todos funcionários públicos!
Perguntem aos sindicatos.
João de
Para o bom uso da tecnologia é fundamental um aprofundado conhecimento humanístico.
E o maior ou menor conhecimento humanístico determina o sentido da investigação cientifica – ex: telemóveis, ou sondas espaciais.
” haveriam alunos ” Que grande calinada!!!! Imperdoável.
Havia…e é perdoável….pois ainda aqui estou.
Ou vai dar-me um tau tau?
Sedução, nunca imposição.
E é esse um dos graves problemas da nossa sociedade, pois impõe mais do que seduz, obriga mais do que convida.
Pola lei e pola grei.
Aprender pode ser divertido, e não afasta o dever de dedicação. O direito ao ensino tem sido garantido, falta cumprir o direito à educação.
Significando mais do que juntar letrinhas, Ler é a porta entre brincar lá fora e crescer cá dentro.
“O direito ao ensino tem sido garantido…”
Isto é ser muito otimista.
O ensino tem sido tão mau que deixou de ser um direito para ser um dever.
E a prova está na obrigatoriedade até ao 12º ano.
Um pouco como na política e pelos mesmos motivos – não tardará que o voto deixe de ser um direito para ser um dever.
É assim o mundo às avessas em que vivemos.
Temos de reagir.
Com ou sem colete.
João de Brito
Repare na distinção que fiz entre direito ao ensino e direito à educação.
Penso que responde e transforma o seu comentário em adenda e não em contestação.
E pensa muito bem.
Adenda: se nem sequer se ensina como deve ser, como deve ser a educação?!…
João de Brito
Auto-consciência também educa para a busca da educação. Ninguém nasce ensinado, mas todos nascemos com curiosidade mínima, todos. É talvez o que nos leva a abrir os olhos mesmo quando privados de visão.
Caro joão de brito, por acaso não terá um blogue e um email onde o possa contactar? Acredite que me daria um jeitão… não a mim, mas a uma ideia. Se ambas as respostas forem afirmativas, agradeço-lhe que siga as letras vermelhas acima e escreva para a @ que encontrar.
Obrigada 🙂
Tenta no Tinder
João de Brito, ali o brincalhão teve piada mas falei a sério – e garanto que só o vou assediar um bocadinho, mas não assim 🙂
Em boa hora recomendaste a leitura deste texto. Além de ter toda a razão e de saber interpelar os jovens a quem se dirige com inteligência, que maturidade e que elegância no estilo! O seu trisavô ficaria orgulhoso.
Fiquei com vontade de o ler.
“Ganda” Lavoura!
O Sousa Neto e o Dâmaso estarão orgulhosíssimos consigo !
E o Abranhos, o Abranhos também – mesmo sendo de outro “filme”…
JSP
E o Eusebiozinho. O leitor Lavoura, por vezes, lembra-me o Eusebiozinho.
Os argumentos que Afonso Reis Cabral aduz para se ler Os Maias são válidos igualmente para muitos outros livros. Com a vantagem de que esses outros livros são menos longos e tratam de temas mais atuais e de uma sociedade e uma cultura que os jovens compreendem melhor.
Quem descuida a História hipoteca o Futuro. Vale para o concreto como para as artes, sendo que as artes cristalizam um pouco a visão do tempo em que são criadas as obras – e Eça fá-lo magistralmente e com abundância.
Eu não digo que se deva descuidar a História. Mas, será necessário ou conveniente ou, sequer, possível, ensiná-la toda a todos os jovens ou crianças? Não será mais proveitoso deixar que algumas partes dessa História sejam apenas aprendidas e apreendidas por algumas pessoas (não por todas), e somente quando forem adultas?
À medida que a sociedade progride, certos conceitos e relações que para os nossos antepassados eram óbvios tornam-se muitíssimo complicados de explicar, porque já estão muito longe daquilo que agora se faz. Será necessário estarmos a exigir a todas as crianças e a todos os jovens que procurem compreender esses conceitos e relações, e interessar-se por eles? Não será mais correto que eles sejam aprendidos somente mais tarde e somente por aqueles que mostrem inclinação para isso?
Se plantar uma macieira ou um limoeiro e não retirar os ladrões nem não orientar os ramos mais soltos, a árvore cresce, sem dúvida, mas os seus frutos serão irregulares, maioritariamente pequenos e terão uma maturação dificultada pelo excesso de folhagem. Talvez desbastando folhas e frutos consiga obter uma produção melhor, mas não tão boa como poderia ter sido – e terá muito mas muito mais trabalho e a árvore terá consumido muitos mais nutrientes e água. E não terá produzido muito mais oxigénio.
Assim acontece com as crianças e adolescentes que não são estimulados nem orientados.
Quem nunca leu Homero e Platão não sabe sequer ler.
Em grego clássico?
Ena pá, então eu sou analfabeto?? Só hoje o descobri (e em jovem fiz um doutoramento).
Se o Sr. Dr. não entendeu o meu comentário, sim, é analfabeto.