Leitura recomendada


Pedro Correia,

 

Quem cassa algumas carteiras de pseudo-jornalistas? Da Graça Franco, na Rádio Renascença.

 

16 comentários em “Leitura recomendada”

  1. Raios partam a hipocrisia.
    Diz a douta senhora que julgar não é a sua praia. Que não estava lá, que não viu. O que não a impede de saber perfeitamente como a tal jornalista agiu, em que circunstâncias e sob que motivações.
    Depois de se referir depreciativamente à populaça encarneirada e cobarde que pretenderia fazer justiça pelas próprias mãos (em vez de deixar o assunto nas mãos das autoridades competentes), eis que trata de crucificar em público a sua juvenil (?) colega, sugerindo mesmo penas e castigos, enquanto se interroga por onde andam as autoridades da deontologia (que parecem incompetentes no caso).
    E aquela de raspão à “chefia co-responsável?” Chefes de redacção, directores de informação, realizadores e editores de emissão já não são os responsáveis últimos por aquilo que se publica ou vai para o ar? Mesmo, e sobretudo, em directo?
    O que até desculpa a Graça Franco são as palavras sábias do tal pai: as opiniões são como as vaginas…

  2. Já agora, a minha leitura (do pouco que sei):
    No princípio, estaremos certamente de acordo: importunar, pressionar, perseguir, assediar familiares de vítimas (com a famosa pergunta do Guiness da estupidez: «Como se sente?») à procura da reacção extremada, do sentimento em bruto, da emoção crua e dura, isso não é correcto, não é digno, não é deontológico.

    Dito isto, as ressalvas. É sabido como funcionam as redacções nesta época do ano. As chefias são passadas aos adjuntos e o campo de batalha fica entregue aos novatos (em anos de vida e/ou de casa), mais inexperientes e (não despiciendo) mais temerários na hora de tentar aproveitar esta oportunidade para mostrar o que valem. Há também a escassez de matéria noticiosa, que leva à tentação de expremer até ao tutano qualquer cacha que surja. Não sei se isto teve influência no caso em apreço; assinalo-o a título de hipótese.

    Depois, há o media em questão (informação cabo), onde o directo é o core do negócio e a concorrência está ao rubro (entre eles e com as redes sociais). A pressão não é certamente comparável à que se vive actualmente, por exemplo, numa rádio generalista. Não é uma justificação mas será uma condicionante.

    Quanto à jornalista, é mais aquilo que eu não sei. Não acompanhei os directos. Segundo o que li, ela estaria em reportagem na zona no momento do acidente. Ser dos primeiros no local é o ideal, mas também gera pressão. Não sei como se foi orientando (ou como foi conduzida a partir do posto de emissão). Não sei se procurou o tal pai (ou se foi mandada procurar), ou se foi este que se aproximou da repórter. Não sei se ela o alertou para o facto de estar em directo, se ele o percebeu ou estaria capaz de compreender as implicações (normalmente, é preciso passar pela experiência para reconhecer o perigo; a reacção, no final, do familiar daquele pai é perfeitamente compreensível a este nível).

    O que sei, relativamente ao pai: ali, ele não era apenas um familiar próximo de uma das vítimas; ele era testemunha ocular privilegiada da tragédia e, ainda mais, interveniente no desenrolar dos acontecimentos. O seu testemunho, a nível jornalístico (e não só), era de uma enorme relevância, mesmo que a quente e condicionado pelo choque e dor da perda, o que impunha à jornalista toda uma postura de respeito, prudência e circunspecção. Mas pergunto: deveria a repórter, em nome desta reserva de privacidade, ter renunciado a recolher as declarações daquela pessoa, ainda para mais quando o próprio pai se disponibilizou a fazê-las? Deveria ter agendado um encontro e a entrevista para mais tarde, quando a pessoa se sentisse mais serena e lúcida, na expectativa de não perder nada de importante para a notícia nem de ser ultrapassada pelos colegas? Ou até seria suposto que ela fizesse o que fez, captando as declarações, e ficando nas mãos do responsável da emissão (como também é suposto) a decisão de emitir a peça em directo ou de a gravar para posterior tratamento jornalístico?

  3. Ainda uma achega ao artigo de opinião citado: não, a avioneta suíça não caiu “sobre” um campo de férias.
    A um jornalista fica bem ser preciso. Se calhar, é melhor (não) escrever cinquenta vezes…

  4. 30 e muitas horas já lá vão com esta pergunta e ainda não sei:
    Uma duvida me assalta, e sem elaborada abordagem pergunto apenas:
    Será que piloto e tripulante foram ou não sujeitos a teste de alcoolemia?

      1. Bom dia.
        Essa duvida que plantei em vários sítios mereceu este tipo de réplicas, o que me situou nas margens do absurdo:
        Eu-Uma duvida me assalta, e sem elaborada abordagem pergunto apenas:
        Será que piloto e tripulante foram ou não sujeitos a teste de alcoolemia??
        “Que relevância teria isso?? Nenhuma.”
        Eu-Se conduzir ou pilotar pode beber à vontade!
        “Sim foram muito provavelmente. Mas isso? é irrelevante visto que lidaram com uma emergencia. Não sepode beber alcool 8 horas antes de um voo.”
        Eu-Muito obrigado mas continuo sem saber se foram convocados para ir ao balão.

        1. Sim, é obrigatório o teste de alcoolemia aos acidentados com aeronaves.
          Sim, a polícia marítima tem protocolo a cumprir nessa ocorrência.

          Aparentemente, na praia, a única coisa a que os pilotos quase foram sujeitos foi a uma carga de lenha.
          Aparentemente, a polícia marítima não terá tomado a iniciativa de fornecer informação sobre esse tema em particular, nem ela lhe terá sido solicitada pela comunicação social (aqui, a resposta, ou ausência dela, certamente teria sido noticiada).

          Provavelmente, a esta altura do campeonato, e dentro de l’air du temps, o comunicado que se pode esperar obter é: “O caso está em segredo de justiça”.
          Provavelmente, a dúvida só será esclarecida quando houver acesso ao processo, se entretanto não vier a público alguma fuga de informação. Paciência.

          1. Mas para as vitimas mortais da praia não houve segredo de justiça, tão apregoada até à exaustão na tragédia de Pedrogão?
            Corte e costura à medida do molde que o alfaiate escolhe?
            Porque espera o avô cantigas para pôr a mixórdia em ordem?

      2. Não concordo com a d. Helena na questão do surrealismo.
        Na gravação disponibilizada (cf. Expresso), o diálogo entre a aeronave e a torre de controle é curto e directo.
        Pode é fazer confusão o facto de na maior parte da gravação se escutar o diálogo entre a torre e outra aeronave na vizinhança da ocorrência.

        1. Ando com um pormenor encravado na garganta a que não resisto agora em expelir com uma forte tossidela:
          A gravação a que tivemos acesso poderá ter sido fabricada posteriormente para compor o ramalhete?
          Que o meu Deus me perdoe mas há sequências e detalhes que sinto dificuldade em encaixar!

          1. Do que sei, não me parece haver indícios que justifiquem embarcar numa teoria da conspiração.

            O que não impede de nos deleitarmos por breves instantes num diletante exercício de especulação.
            Será mesmo verdade que:
            – o instrutor tem “Al” no nome? Quando é que ele chegou da Síria?
            – o aluno pertence a uma claque do Benfica?
            – o centro de vistoria de avionetas de Tires é gerido por um familiar do César?
            – a vítima masculina tinha sido avistada recentemente em Tancos?
            – a jornalista da TVI24 andou a receber emails da Rússia?
            – a torre de controle estava a funcionar com o Siresp?

          2. Só mais meia de leite:
            -Porque os aviadores viram a areia da cor do mar foi para ali que se atiraram a pensar que iam mergulhar?

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