Quem cassa algumas carteiras de pseudo-jornalistas? Da Graça Franco, na Rádio Renascença.
16 comentários em “Leitura recomendada”
Raios partam a hipocrisia. Diz a douta senhora que julgar não é a sua praia. Que não estava lá, que não viu. O que não a impede de saber perfeitamente como a tal jornalista agiu, em que circunstâncias e sob que motivações. Depois de se referir depreciativamente à populaça encarneirada e cobarde que pretenderia fazer justiça pelas próprias mãos (em vez de deixar o assunto nas mãos das autoridades competentes), eis que trata de crucificar em público a sua juvenil (?) colega, sugerindo mesmo penas e castigos, enquanto se interroga por onde andam as autoridades da deontologia (que parecem incompetentes no caso). E aquela de raspão à “chefia co-responsável?” Chefes de redacção, directores de informação, realizadores e editores de emissão já não são os responsáveis últimos por aquilo que se publica ou vai para o ar? Mesmo, e sobretudo, em directo? O que até desculpa a Graça Franco são as palavras sábias do tal pai: as opiniões são como as vaginas…
Já agora, a minha leitura (do pouco que sei): No princípio, estaremos certamente de acordo: importunar, pressionar, perseguir, assediar familiares de vítimas (com a famosa pergunta do Guiness da estupidez: «Como se sente?») à procura da reacção extremada, do sentimento em bruto, da emoção crua e dura, isso não é correcto, não é digno, não é deontológico.
Dito isto, as ressalvas. É sabido como funcionam as redacções nesta época do ano. As chefias são passadas aos adjuntos e o campo de batalha fica entregue aos novatos (em anos de vida e/ou de casa), mais inexperientes e (não despiciendo) mais temerários na hora de tentar aproveitar esta oportunidade para mostrar o que valem. Há também a escassez de matéria noticiosa, que leva à tentação de expremer até ao tutano qualquer cacha que surja. Não sei se isto teve influência no caso em apreço; assinalo-o a título de hipótese.
Depois, há o media em questão (informação cabo), onde o directo é o core do negócio e a concorrência está ao rubro (entre eles e com as redes sociais). A pressão não é certamente comparável à que se vive actualmente, por exemplo, numa rádio generalista. Não é uma justificação mas será uma condicionante.
Quanto à jornalista, é mais aquilo que eu não sei. Não acompanhei os directos. Segundo o que li, ela estaria em reportagem na zona no momento do acidente. Ser dos primeiros no local é o ideal, mas também gera pressão. Não sei como se foi orientando (ou como foi conduzida a partir do posto de emissão). Não sei se procurou o tal pai (ou se foi mandada procurar), ou se foi este que se aproximou da repórter. Não sei se ela o alertou para o facto de estar em directo, se ele o percebeu ou estaria capaz de compreender as implicações (normalmente, é preciso passar pela experiência para reconhecer o perigo; a reacção, no final, do familiar daquele pai é perfeitamente compreensível a este nível).
O que sei, relativamente ao pai: ali, ele não era apenas um familiar próximo de uma das vítimas; ele era testemunha ocular privilegiada da tragédia e, ainda mais, interveniente no desenrolar dos acontecimentos. O seu testemunho, a nível jornalístico (e não só), era de uma enorme relevância, mesmo que a quente e condicionado pelo choque e dor da perda, o que impunha à jornalista toda uma postura de respeito, prudência e circunspecção. Mas pergunto: deveria a repórter, em nome desta reserva de privacidade, ter renunciado a recolher as declarações daquela pessoa, ainda para mais quando o próprio pai se disponibilizou a fazê-las? Deveria ter agendado um encontro e a entrevista para mais tarde, quando a pessoa se sentisse mais serena e lúcida, na expectativa de não perder nada de importante para a notícia nem de ser ultrapassada pelos colegas? Ou até seria suposto que ela fizesse o que fez, captando as declarações, e ficando nas mãos do responsável da emissão (como também é suposto) a decisão de emitir a peça em directo ou de a gravar para posterior tratamento jornalístico?
Ainda uma achega ao artigo de opinião citado: não, a avioneta suíça não caiu “sobre” um campo de férias. A um jornalista fica bem ser preciso. Se calhar, é melhor (não) escrever cinquenta vezes…
30 e muitas horas já lá vão com esta pergunta e ainda não sei: Uma duvida me assalta, e sem elaborada abordagem pergunto apenas: Será que piloto e tripulante foram ou não sujeitos a teste de alcoolemia?
Bom dia. Essa duvida que plantei em vários sítios mereceu este tipo de réplicas, o que me situou nas margens do absurdo: Eu-Uma duvida me assalta, e sem elaborada abordagem pergunto apenas: Será que piloto e tripulante foram ou não sujeitos a teste de alcoolemia?? “Que relevância teria isso?? Nenhuma.” Eu-Se conduzir ou pilotar pode beber à vontade! “Sim foram muito provavelmente. Mas isso? é irrelevante visto que lidaram com uma emergencia. Não sepode beber alcool 8 horas antes de um voo.” Eu-Muito obrigado mas continuo sem saber se foram convocados para ir ao balão.
Sim, é obrigatório o teste de alcoolemia aos acidentados com aeronaves. Sim, a polícia marítima tem protocolo a cumprir nessa ocorrência.
Aparentemente, na praia, a única coisa a que os pilotos quase foram sujeitos foi a uma carga de lenha. Aparentemente, a polícia marítima não terá tomado a iniciativa de fornecer informação sobre esse tema em particular, nem ela lhe terá sido solicitada pela comunicação social (aqui, a resposta, ou ausência dela, certamente teria sido noticiada).
Provavelmente, a esta altura do campeonato, e dentro de l’air du temps, o comunicado que se pode esperar obter é: “O caso está em segredo de justiça”. Provavelmente, a dúvida só será esclarecida quando houver acesso ao processo, se entretanto não vier a público alguma fuga de informação. Paciência.
Mas para as vitimas mortais da praia não houve segredo de justiça, tão apregoada até à exaustão na tragédia de Pedrogão? Corte e costura à medida do molde que o alfaiate escolhe? Porque espera o avô cantigas para pôr a mixórdia em ordem?
Não concordo com a d. Helena na questão do surrealismo. Na gravação disponibilizada (cf. Expresso), o diálogo entre a aeronave e a torre de controle é curto e directo. Pode é fazer confusão o facto de na maior parte da gravação se escutar o diálogo entre a torre e outra aeronave na vizinhança da ocorrência.
Ando com um pormenor encravado na garganta a que não resisto agora em expelir com uma forte tossidela: A gravação a que tivemos acesso poderá ter sido fabricada posteriormente para compor o ramalhete? Que o meu Deus me perdoe mas há sequências e detalhes que sinto dificuldade em encaixar!
Do que sei, não me parece haver indícios que justifiquem embarcar numa teoria da conspiração.
O que não impede de nos deleitarmos por breves instantes num diletante exercício de especulação. Será mesmo verdade que: – o instrutor tem “Al” no nome? Quando é que ele chegou da Síria? – o aluno pertence a uma claque do Benfica? – o centro de vistoria de avionetas de Tires é gerido por um familiar do César? – a vítima masculina tinha sido avistada recentemente em Tancos? – a jornalista da TVI24 andou a receber emails da Rússia? – a torre de controle estava a funcionar com o Siresp?
Só mais meia de leite: -Porque os aviadores viram a areia da cor do mar foi para ali que se atiraram a pensar que iam mergulhar?
Raios partam a hipocrisia.
Diz a douta senhora que julgar não é a sua praia. Que não estava lá, que não viu. O que não a impede de saber perfeitamente como a tal jornalista agiu, em que circunstâncias e sob que motivações.
Depois de se referir depreciativamente à populaça encarneirada e cobarde que pretenderia fazer justiça pelas próprias mãos (em vez de deixar o assunto nas mãos das autoridades competentes), eis que trata de crucificar em público a sua juvenil (?) colega, sugerindo mesmo penas e castigos, enquanto se interroga por onde andam as autoridades da deontologia (que parecem incompetentes no caso).
E aquela de raspão à “chefia co-responsável?” Chefes de redacção, directores de informação, realizadores e editores de emissão já não são os responsáveis últimos por aquilo que se publica ou vai para o ar? Mesmo, e sobretudo, em directo?
O que até desculpa a Graça Franco são as palavras sábias do tal pai: as opiniões são como as vaginas…
obrigada por partilhar.
Ainda bem que gostou, Flor. Já somos dois.
Há mais.
Já agora, a minha leitura (do pouco que sei):
No princípio, estaremos certamente de acordo: importunar, pressionar, perseguir, assediar familiares de vítimas (com a famosa pergunta do Guiness da estupidez: «Como se sente?») à procura da reacção extremada, do sentimento em bruto, da emoção crua e dura, isso não é correcto, não é digno, não é deontológico.
Dito isto, as ressalvas. É sabido como funcionam as redacções nesta época do ano. As chefias são passadas aos adjuntos e o campo de batalha fica entregue aos novatos (em anos de vida e/ou de casa), mais inexperientes e (não despiciendo) mais temerários na hora de tentar aproveitar esta oportunidade para mostrar o que valem. Há também a escassez de matéria noticiosa, que leva à tentação de expremer até ao tutano qualquer cacha que surja. Não sei se isto teve influência no caso em apreço; assinalo-o a título de hipótese.
Depois, há o media em questão (informação cabo), onde o directo é o core do negócio e a concorrência está ao rubro (entre eles e com as redes sociais). A pressão não é certamente comparável à que se vive actualmente, por exemplo, numa rádio generalista. Não é uma justificação mas será uma condicionante.
Quanto à jornalista, é mais aquilo que eu não sei. Não acompanhei os directos. Segundo o que li, ela estaria em reportagem na zona no momento do acidente. Ser dos primeiros no local é o ideal, mas também gera pressão. Não sei como se foi orientando (ou como foi conduzida a partir do posto de emissão). Não sei se procurou o tal pai (ou se foi mandada procurar), ou se foi este que se aproximou da repórter. Não sei se ela o alertou para o facto de estar em directo, se ele o percebeu ou estaria capaz de compreender as implicações (normalmente, é preciso passar pela experiência para reconhecer o perigo; a reacção, no final, do familiar daquele pai é perfeitamente compreensível a este nível).
O que sei, relativamente ao pai: ali, ele não era apenas um familiar próximo de uma das vítimas; ele era testemunha ocular privilegiada da tragédia e, ainda mais, interveniente no desenrolar dos acontecimentos. O seu testemunho, a nível jornalístico (e não só), era de uma enorme relevância, mesmo que a quente e condicionado pelo choque e dor da perda, o que impunha à jornalista toda uma postura de respeito, prudência e circunspecção. Mas pergunto: deveria a repórter, em nome desta reserva de privacidade, ter renunciado a recolher as declarações daquela pessoa, ainda para mais quando o próprio pai se disponibilizou a fazê-las? Deveria ter agendado um encontro e a entrevista para mais tarde, quando a pessoa se sentisse mais serena e lúcida, na expectativa de não perder nada de importante para a notícia nem de ser ultrapassada pelos colegas? Ou até seria suposto que ela fizesse o que fez, captando as declarações, e ficando nas mãos do responsável da emissão (como também é suposto) a decisão de emitir a peça em directo ou de a gravar para posterior tratamento jornalístico?
Errata: espremer.
Ainda uma achega ao artigo de opinião citado: não, a avioneta suíça não caiu “sobre” um campo de férias.
A um jornalista fica bem ser preciso. Se calhar, é melhor (não) escrever cinquenta vezes…
30 e muitas horas já lá vão com esta pergunta e ainda não sei:
Uma duvida me assalta, e sem elaborada abordagem pergunto apenas:
Será que piloto e tripulante foram ou não sujeitos a teste de alcoolemia?
Foi exactamente a pergunta que ficou por fazer e o teste que se impunha fosse feito.
E depois aquele diálogo com a torre de controle é surrealista…
Bom dia.
Essa duvida que plantei em vários sítios mereceu este tipo de réplicas, o que me situou nas margens do absurdo:
Eu-Uma duvida me assalta, e sem elaborada abordagem pergunto apenas:
Será que piloto e tripulante foram ou não sujeitos a teste de alcoolemia??
“Que relevância teria isso?? Nenhuma.”
Eu-Se conduzir ou pilotar pode beber à vontade!
“Sim foram muito provavelmente. Mas isso? é irrelevante visto que lidaram com uma emergencia. Não sepode beber alcool 8 horas antes de um voo.”
Eu-Muito obrigado mas continuo sem saber se foram convocados para ir ao balão.
Sim, é obrigatório o teste de alcoolemia aos acidentados com aeronaves.
Sim, a polícia marítima tem protocolo a cumprir nessa ocorrência.
Aparentemente, na praia, a única coisa a que os pilotos quase foram sujeitos foi a uma carga de lenha.
Aparentemente, a polícia marítima não terá tomado a iniciativa de fornecer informação sobre esse tema em particular, nem ela lhe terá sido solicitada pela comunicação social (aqui, a resposta, ou ausência dela, certamente teria sido noticiada).
Provavelmente, a esta altura do campeonato, e dentro de l’air du temps, o comunicado que se pode esperar obter é: “O caso está em segredo de justiça”.
Provavelmente, a dúvida só será esclarecida quando houver acesso ao processo, se entretanto não vier a público alguma fuga de informação. Paciência.
Mas para as vitimas mortais da praia não houve segredo de justiça, tão apregoada até à exaustão na tragédia de Pedrogão?
Corte e costura à medida do molde que o alfaiate escolhe?
Porque espera o avô cantigas para pôr a mixórdia em ordem?
Não concordo com a d. Helena na questão do surrealismo.
Na gravação disponibilizada (cf. Expresso), o diálogo entre a aeronave e a torre de controle é curto e directo.
Pode é fazer confusão o facto de na maior parte da gravação se escutar o diálogo entre a torre e outra aeronave na vizinhança da ocorrência.
Ando com um pormenor encravado na garganta a que não resisto agora em expelir com uma forte tossidela:
A gravação a que tivemos acesso poderá ter sido fabricada posteriormente para compor o ramalhete?
Que o meu Deus me perdoe mas há sequências e detalhes que sinto dificuldade em encaixar!
Do que sei, não me parece haver indícios que justifiquem embarcar numa teoria da conspiração.
O que não impede de nos deleitarmos por breves instantes num diletante exercício de especulação.
Será mesmo verdade que:
– o instrutor tem “Al” no nome? Quando é que ele chegou da Síria?
– o aluno pertence a uma claque do Benfica?
– o centro de vistoria de avionetas de Tires é gerido por um familiar do César?
– a vítima masculina tinha sido avistada recentemente em Tancos?
– a jornalista da TVI24 andou a receber emails da Rússia?
– a torre de controle estava a funcionar com o Siresp?
Só mais meia de leite:
-Porque os aviadores viram a areia da cor do mar foi para ali que se atiraram a pensar que iam mergulhar?