
Hoje lemos: Júlia Navarro, “De Lado Nenhum”.
Passagem a L-Azular: “Nora pensou no pai. Sabia que odiava os ocidentais, os infiéis, como ele dizia. Um ódio que se fundamentava na frustração de ser um imigrante que tinha tido de encontrar um espaço numa sociedade com uns valores diferentes daqueles que lhe tinham incutido. Uma sociedade que o observava pelo canto do olho, com desconfiança. Uma sociedade que considerava moralmente podre.
Uma sociedade que desprezava. Uma sociedade à qual desejava humilhar tanto como ele se sentia humilhado. Uma sociedade à qual nunca pertenceria por mais que alguns bem-pensantes dessa mesma sociedade defendessem que o multiculturalismo era possível. Mas não, não era possível. Ou uma pessoa aceitava as suas regras ou seria sempre vista como alguém diferente[…]”
Procurar uma vida melhor é o objectivo de todos nós. Podemos permanecer na terra que nos viu nascer, ou tentar a sorte por outras paragens. É admissível e pertinente que a busca da felicidade seja a nossa escolha preferencial.
Se na terra que nos viu nascer existem directrizes de conduta, as outras paragens terão também as suas leis. Se nos receberam, é da nossa responsabilidade adaptarmo-nos. A desconfiança é natural de parte a parte, afinal somos estranhos uns dos outros, mas o multiculturalismo não é impossível se se suprimir a intolerância que conduz a este fundamentalismo, à imperdoável desumanidade que vai borrando o mapa da Paz.
(Imagem Google)

isso mesmo . é tão estranho pensarem que a “minha cultura é melhor que a deles”. é coisa que nem me passa pela cabeça , aliás , acho óptimo a diversidade cultural e quem quer terraplanar o mundo , tornando-o cinzento , só pode ser doido.
na sala há regras comuns , no quarto cada um faz o que quer , impor véus ou coroar homens como miss.
É como tudo, Marina. Eu odeio pelos na cara, mas não odeio barbudos. Cada um com os seus pelos, conforme lhe der mais realização pessoal.
Que bom seria que o mundo fosse assim tão leve e fofinho…O busílis da questão é não vermos as coisas como elas são, mas como nós somos ou gostaríamos de ser. Bom fim de semana!
Cada um digere a informação que lhe chega, segundo as suas opiniões. O que é bom, ou teríamos uma ditadura com mentalidade de rebanho.
E desculpe a falta de correcção da minha parte. BFS para si também.
“Houve muitas crises na história da humanidade, muitos períodos de interregno, nos quais as pessoas não sabiam o que fazer, mas elas sempre acharam um caminho. A minha única preocupação é o tempo que levarão para achar o caminho agora. Quantas pessoas se tornarão vítimas até que a solução seja encontrada?”
Houve um tempo em que conceitos eram sólidos. Ideias, ideologias, relações, blocos de pensamento moldando a realidade e a interação entre as pessoas. O século 20, com suas conquistas tecnológicas, embates políticos e guerras viu o apogeu e o declínio desse mundo sólido. A pós-modernidade trouxe com ela a fluidez do líquido, ignorando divisões e barreiras
– Zygmunt Bauman
Os conceitos nunca foram assim tão sólidos, mas sim, a tecnologia rebentou a barragem e a inundação galopante dizimou o pensamento lógico.
Dos melhoes livros que li nos últimos temos. Também lhe dediquei um post, aqui ado-nenhum-61928
https://classeaparte.blogs.sapo.pt/de-l
Bom fim de semana
Gosto muito de ler Júlia Navarro. Tem pelo menos quatro livros que se encontram entre os meus favoritos. Deste comprei o ebook para ler nas férias. Mesmo com os dias preenchidos, as noites curtas a terminar em madrugadas de breu, li-o nos 10 dias, para o que muito contribuiu a actualidade da narrativa.
Como é que pode haver paz se até em países pacíficos como Portugal há fundamentalismos. Veja-se o caso da climáximo em que meninos bétinhos se dedicam a vandalizar bens com o beneplácito das autoridades. Será que a causa justifica o crime? E se as vítimas reagirem, o direito à manifestação não será igual?
Carlos!! É você, ou foi clonado, mas de olhos abertos?! É que tem toda a razão, sem tirar nem pôr.
Humm! Não sei se deva ficar contente ou deva ficar preocupado com a sua avaliação.
Eu sei. Nem consegui dormir a pensar nisso mesmo
Agora a sério. A falta de penalização adequada a este tipo de vandalismos, está a criar um efeito bola de neve. Ouvia falar-se pontualmente das ” gretas de cá” e agora tornou-se praticamente num tema quase diário. Palmadinha no pulso, ralhete e até à próxima, próxima essa, que pela escalada dos acontecimentos temo que não fique pela palhaçada do costume.
Aí é que está, por enquanto ainda não aconteceu nada de grave mas suponhamos que um daqueles lançamentos de tinta atingem a vítima numa vista, ou numa reacção mais exaltada, um sujeito parte a “montra” de uma das activistas, como é que vai ser?
Yá minha, vamos ali fazer umas cenas, partir umas montras e pintar uns ministros e tu filmas, tás a ver? Anda vai ser fixe.
Vamos ver até quando vai durar a bandalheira.
Pior. Pense se eles se lembram de fazer rebentar bombas? Podem começar por fazer rebentar bombas de tinta e sujar tudo e todos ao redor, mas as frustrações da falta da atenção necessária a um reconhecimento tornado imperativo, começam a escalar para fazer rebentar bombas que não se limitam a sujar pessoas… nós temos visto e ouvido falar nos media, mas por cá nunca aconteceu e se acontecer, não estamos preparados para lidar a sério com esse tipo de situações.
Não sei é porque estão com tantos salamaleques em cortar o mal pela raiz. Não é com multas de 600 euros que resolvem o problema. Apliquem multas a sério às miúdas e não ao movimento. Investiguem a origem do dinheiro que está por trás da climáximo e ajam em conformidade.
Espero sinceramente que se encontre bem!! É que sabe, tem toda a razão e nem me custa nem um pouco concordar consigo! Amanhã se calhar vou à urgência …
Veja lá se fica lá internada.
Já viu uma pandemia cibernética em que você seria o ” paciente zero” ? Uau!
Tema actual e importante. É tudo muito bonito quando tudo está bem. Mas.
O equilíbrio, nas relações humanas, têm limites que variam, conforme esteja tudo bem ou nem por isso. Nestas relações o que hoje parece estar equilibrado amanhã pode desequilibra-se irremediavelmente.
Por vezes até seria fácil prever e remediar. “Better safe than sorry”.
” Tudo” é raro estar bem. Existe sempre algo que interfere com a tranquilidade dos homens e que normalmente é de escolha própria. É claro que os terramotos em Marrocos e na Turquia ou a mortífera inundação na Líbia são obra de correções da Natureza a que estamos todos sujeitos e sem voto na matéria. Tudo o demais acontece por escolhas próprias. Ter aquilo a que se chama ” wishful thinking” , não é lindo nem fofinho, é o que pensam todos os que recebem “cá” longe actualizações, muitas vezes ao minuto, de notícias manipuladas ou não, e anseiam tanto pela paz como que o ” mal” se mantenha por “lá”, bem longe. E quem vier com outro tipo de discurso é apenas hipócrita, nada mais, mas em sendo as coisas como são num estado democrático, têm todo o direito à sua hipocrisia.