
Hoje lemos: Ernest Hemingway, ” O Velho e o Mar”
Passagem a L-Azular: “Recordou-se da vez em que apanhara um espadarte, de um casal de espadartes. O macho deixava sempre a fêmea alimentar-se primeiro, e a fêmea, apanhada no anzol, lutou feroz e desesperadamente, tomada de pânico, e depressa ficara exausta; e durante todo esse tempo o macho estivera junto a ela, cruzando a linha e dando voltas à superfície. Andara por tão perto, que o velho temera que ele cortasse a linha, com a cauda afiada como uma foice e quase do mesmo tamanho e forma. Quando o velho a agarrara com o croque e lhe dera uma marretada, segurando o estoque e batendo-lhe no alto da cabeça até que a cor do peixe se tornara quase igual ao estanho dos espelhos, e depois, com o auxílio do rapaz, a içara para bordo, o macho ficara ao lado do barco. E então, enquanto o velho desenredava as linhas e preparava o arpão, o macho saltara muito alto fora de água, ao pé do barco, para ver onde estava a fêmea, e mergulhara profundamente, com as suas asas cor de alfazema, que eram as barbatanas peitorais desfraldadas e todas as listras cor de alfazema a brilhar. Era belo, recordava o velho, e tinha ficado.
“Foi a coisa mais triste que já vi em peixes, pensou.”
O peixe é um animal. Os animais não têm sentimentos, não amam, não cuidam, não sofrem. Quem sabe nem existem, porque se não sentem, não podem pensar. Um peixe preocupado com a fêmea é coisa de livros, não é? Nem poderia ser de outro modo, senão não tarda nada ainda entra em voga a teoria de que os animais têm alma!
É impensável um peixe comportar-se como um homem que tenta proteger a sua mulher. Ou até melhor do que um homem porque, sabendo-se de antemão derrotado, ficou.
(Imagem Google)

Pode não ser sentimento. O instinto de preservação da espécie pode ditar essa protecção da fêmea.
Fui adjunto de comando de uma companhia de intervenção, o que se deveu exclusivamente a ter uma vista apurada e que me deu muito altas classificações em tiro. Um parêntesis para dizer que na Guiné, em cerca de 40 experiências de combate, só uma vez vi dois ou três inimigos à distância e nunca tive um alvo para fixar. Isto é, o que me ditou a classificação e o cargo, era na realidade totalmente inútil.
O quartel era fora da localidade e, por isso, a área exterior à dupla cerca de arame farpado tinha sido limpa de árvores e capinada em cerca de 40 metros. Num fim de tarde, ouviu-se um canto de ave e vi duas no alto de uma árvore, não em frente mas em ângulo, pelo que a distância seria de uns 50 metros. Pedi uma “Mauser” e, como estúpido exibicionismo, matei uma das aves, que caiu redonda no chão. A outra escondeu-se na folhagem mas começou com uma espécie de grasnar aflitivo, diria mesmo angustiante. Durou horas, pelo menos até eu conseguir adormecer já noite alta. Na manhã seguinte, já não grasnava mas estava no chão perto da outra morta e só a meio da manhã se foi embora. Ainda pensei em abatê-la, mas já não tinha coragem.
Continuo a pensar que aves não têm sentimentos. Eu tenho: uma imensa culpa e arrependimento, de que nunca me livrei. Esporadicamente, bem mais de 50 anos depois, ainda sonho com isso.
Seria um casal de aves de média dimensão, mas superior a pombos verdes para serem avistados.
E grande pontaria, a tiro de bala de “Mauser” acertar numa ave a 50 metros é de grande atirador.
Seria como estivesse na linha do meio campo de futebol e acertar numa ave em cima da trave da baliza. Não é para todos.
O Francisco pode ter sido sniper na tropa!
Tiro com carabina é uma questão de acuidade visual e uma técnica, fácil de dominar, para suspender a respiração, não fechar os olhos e não fazer “gatilhadas”. Quando era miúdo, na praia de Carcavelos, os navios que entravam no Tejo pelo corredor Norte (próximo do forte de S. Julião) aproximavam-se da praia a nós tentávamos ser os primeiros a ler o nome pintado no casco. Um amigo de nome Vítor e eu repartíamos sempre o sucesso, ele, com ligeira vantagem. Hoje, com 80 anos feitos uso óculos para ler mas ainda não preciso de óculos para ver ao longe. E vou anualmente ao oftalmologista antes de renovar a carta.
Nunca atirei num pombo verde mas vi miúdos felupes caçarem-nos com arco e flecha. E, se não tivesse visto, acho que não acreditava.
Eu vejo mal. Óculos para ler, óculos para ver TV, e Implantes oculares para ver melhor ao longe. Ainda sou do tempo em que jogava dardos com os rapazes e ganhava aos pontos. Agora só se a mouche fosse do tamanho do alvo …
De aves sei pouco, mas de gatos sei bastante. Se o meu marido está doente, ele mia diferente e não sai da sua beira. É enternecedor vê-lo ronronar e “afagá-lo” com a patinha.
Duvido que fosse um casal de espadartes de macho e fêmea. Com as modernices de agora se calhar eram duas espadartes, até porque o habitat natural dos peixes é a cozinha.
Também podiam ser 2 espadartos e aí o habitat natural já teria de se ler no masculino, como bem sabe…
Macho que é macho não entra em peixeiradas.
A sério?!
bom , tive um gato que ia morrendo de desgosto de amor…nem lhe passa , horas a fio deitado ,deprimido até mais não , começou a ganhar peladas , um horror ver o animal sofrer. depois arranjei uma gatinha para substituir a apaixonada ,que era uma gatinha vadia amarela linda que apanhei na rua e que ficou uns meses até ir vadiar outra vez , e lá melhorou um bocadinho. às tantas foi-se embora , foi viver para um parque à frente da minha casa , suponho que a gata vadia estaria por lá , vi-o uma vez , foi comigo até meio das escadas de casa , mas virou costas e foi pró parque.
no parque há outra história boa para a Dulce escrever…dois cisnes , macho e fêmea , amigos e sempre juntos , mas não são casal. a “mulher” do macho foi morta por cães e trouxeram-lhe outra fêmea , mas ele é fiel até ao fim. temos cisnes bebés negros , patinhos , mas bebés cisnes brancos não há para ninguém. tenho imensa pena da cisne , com amigo , mas sem namorado
O amor é lindo, verdade, Maria?
Como será que os espadartes acasalam
Com algum cuidado?
Muito bom livro, como todos deste autor.
É um dos meus autores preferidos, apesar de não o ler faz muito tempo.
Se calhar está-lhe a fazer falta é um bom espadarte
Grelhado, é um mimo. Só um idiota não gostaria… ou um vegan, claro.
O Hemingway era bi
Ainda bem! Se fosse tri era aleijado.