
Hoje lemos: Patrícia Cornwel – Cruel e Invulgar
“Cada vez que te livras de um sapo, aparecem uns quantos para ocupar o seu lugar.”
Passagem a L-Azular: A grande dúvida sobre os sapos é se serão para beijar ou para engolir. Deveria ler-se “Se vires um sapo foge, que qualquer uma das opções é um nojo.”
Beijar um sapo. A ideia por si só é arrepiante. Pensar que um qualquer labrego poderia surgir do ósculo, com a moleirinha atrofiada pelos anos de batráquio inconsequente, e começar a votar no partido de todos nós (os que o pusemos lá, claro), é assustador. Pior ainda, poderia ser o “tal” sapo, o que põe e dispõe do charco e, pisando sapos a torto e a direito, poderia muito bem tornar-se o manda-sapos, como nas pragas do Egipto. Deveria haver um ditado no género “Beijou? … tem de engolir” os sapos, claro. Quanto a mim, vejo-me mais a quieta cobra da contradição, até porque “Cobra que não anda, não engole sapo”. Sendo enérgica opositora da pena de morte, dou por mim sobremodo a pensar que os sapos não têm penas…
(Imagens Google)

O sapo sempre teve as costas largas. Desde logo com a história da princesa que beija o sapo e este transforma-se num príncipe. Verdadeiramente extraordinário é que os pais da princesa, ao encontrarem um príncipe no quarto da filha, acreditaram na história do sapo.
Excelente observação, Francisco! E pegando nesse pressuposto podemos inferir que cá na terrinha somos quase todos pais de princesas.
Caro Francisco Almeida,
A história do sapo e do príncipe não é bem assim.
Numa das versões a princesa perde a bola num lago e promete ao sapo que se ele recuperar a bola pode jantar com ela, dormir com ela e que ela lhe dará um beijo no outro dia de manhã.
Promete mas quando se apanha com a bola foge para o castelo e tenta incumprir todas as promessas.
É o pai, o Rei que a obriga a cumprir aquilo que prometeu.
Príncipe ou sapo o importante é cumprirmos o que prometemos.
Bem vistas as coisas Pedro, na nossa fábula à portuguesa, a moral da história é a mesma: príncipes e sapos não cumprem o que prometem.
O ponto era mesmo esse, Dulce
Isso mesmo, Pedro
La granja de cuerpos
não há lugares vazios
Esse ainda não li, mas se pensarmos em sentido figurado, presentemente o país é exactamente isso, uma quinta de corpos animados, mas com pouca animação.
Estamos cheios de não presta em quem votámos. Como é que se sai desta poça de água podre é que não sei.
Creio que a solução passaria pela credibilidade, que é coisa que nem com um Hubble se vislubra por cá, Bea. Eu até entendo quem não vai votar, e apesar de considerar deplorável creio que como não veem alternativa não estão para se maçar. …
Nem sempre se trata de não se maçar. Há quem considere que o voto deve ser para escolher os melhores e que o sistema eleitoral que temos – balizado pelo acordo MFA-Partidos, de que se excluíram alguns enquanto outros foram eliminados, e nunca referendado – não selecciona os melhores. Na realidade vota-se em pessoas escolhidas por um líder partidário ou uma pequena clique que o rodeia. Isto em ciência política está muito mais próximo de um cesarismo eleitoral do que de uma democracia liberal.
Assim há pessoas que não reconhecem legitimidade a este sistema e não querem contribuir para algo em que não se reveem.
Imensas pessoas acreditam que se a abstenção diminuísse, resolviam-se problemas mas eu pessoalmente, não creio que os abstencionistas votassem maioritariamente num mesmo sentido. Já a inversa me parece verdadeira. Se, digamos, apenas 20% dos eleitores votassem, o regime ficava insustentável.
Claro que há quem argumente que se vota em partidos e nos seus programas. É a visão legalista mas a prática não lhe corresponde, pois não há penalidade para quem governa em sentido diferente do programa eleitoral nem para quem propõe leis fracturantes que não constavam dos programas eleitorais.
Neste sentido a abstenção pode ser higiénica. Uma recusa de cumplicidade com o logro institucionalizado.
Alturas houve em que se votou em pessoas, independentemente do partido. Mas entendo o que diz e concordo com grande parte do que escreve.
Não é uma poça ,é mesmo um Pântano.
Ou um parente pobre e diminuto do Mar Morto, onde as águas são estéreis, nada cresce, sobrevive e fede a podridão.