Lápis L-Azuli


Maria Dulce Fernandes,

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Hoje lemos: Patrícia Highsmith – O Talentoso Mr. Ripley

“Tom riu-se da frase “desvio sexual”. Onde estava o sexo? Onde estava o desvio? Olhou para Freddie e disse baixo e amargamente: “Freddie Miles, tu és uma vítima da tua própria mente suja.”

Passagem a L-Azular. Induz à falta de caridade. Deveria ler-se: “Tom não se riu da frase “desvio sexual”, porque não é de bom tom escarnecer de doenças ou de pessoas doentes. Sexo e doenças como os desvios sexuais  nunca deveriam ser tema de conversa. Olhou para Freddie e disse baixo e amargamente: “Freddie Miles, tu deverias sim pensar em jejuar para limpares a mente de pensamentos sujos, porque deve viver-se com a alma impoluta. E aproveitas para perder uns quilinhos durante o processo.”

Eis um conto que demonstra os meandros negros da emulação e as psicopatologias destrutivas associadas. Temos bons exemplos, na prática. Cometer um crime e sair impune é um modernismo que veio para ficar.

(Imagens Google)

33 comentários em “Lápis L-Azuli”

  1. . . . crime e sair impune é um modernismo que veio para ficar. . .

    Boa tarde minha Senhora.
    Acompanho-a, isto veio mesmo para ficar.
    Bom fim de semana, saúde.
    António Cabral

  2. Não sei. “pensamentos impuros”? É o diabo este azulamento. Haveria de ser azul mais carregado.
    A Censura de hoje é mais radical que a do Salazar,há que estar atento(e,a,i,u,os,as,es,is,us).
    Nova profissão para quem não serve para mais nada–ser censor e reescrevinhador,e bufo será o estádio seguinte.

  3. Gostei do filme. Vi-o no tempo em que Matt Damon era um dos meus actores favoritos. Não li o livro. Quanto à afirmação e à reescrita, eu teria a dizer das duas. Mas não apetece.
    Boa tarde

    1. Ainda gosto de ver o Matt Damon. Vi ” Air” há uns dias e gostei do desempenho.
      Tenho pena que não lhe apeteça dizer mais, mas faz bem. É bom aí da podermos fazer o que nos dá ( ou não dá) na gana.
      Bom fim de semana Bea.

      1. Também gosto do Matt Damon, que faz um excelente Ripley neste filme, mas não a ponto de me fazer esquecer o Alain Delon (suspiro).
        Também li o livro da Patricia Highsmith, uma grande Escritora – e não compreendo o que tem a orientação sexual a ver com a qualidade da escrita de alguém, embora haja cabecitas que acham importante chamar a atenção para o facto, usando linguagem de fino recorte literário: enfim…
        Bom fds, Maria Dulce!
        Maria
        Enfim…

    1. Li Strangers on a Train há muitos anos em inglês. Lembro-me que na altura não consegui identificar o título em português e como queria muito ler, comprei-o na Buchholz. Gostei bastante. Felizmente os gostos pessoais dos bons autores não condicionam a sua escrita.

        1. Tive azar.
          Conheci há quarenta anos.Primeiro através dos elogios das celebridades no tal jornalinho.
          Depois eu mesmo quis conhecer já que as restantes livrarias me franqueavam os armários atrás do balcão à procura de números de revistas de História e Literatura,me permitiam a consulta detalhada de obras a que então não tinha acesso.
          Fui lá numa tarde mas sem indumentária condizente com a dos consagrados e sem nada ao peito ou ao menos o tal jornalinho a abanar o calor de Verão e acenando–vê se me aceitas na roda. A essa hora estava deserta. Olhei as estantes,sempre uma tentação,olhar de alto a baixo,escolher uma obra rara,folheá-la. Eu a puxar um livro e logo a aparição duma senhora:
          —O que é que quer? Não pode mexer nos livros,diga o que quer!
          Desandei,quase fugi e não tornei lá.
          Tive azar.

          1. Não faz parte do meu imaginário esse tipo de situações. Sempre me deixaram mexer nos livros e seguramente não foi por algo que levasse ao peito ou indumentária específica. Creio que o azulão está a ser muito injusto.

          2. Não me referia a quem se deu bem por aqui.nem sequer dou por quaisquer tiques.
            Mas fui claro,dei-me mal então e foi vez única,não tornei lá.Julgo que a acontecer a outro não gostaria do acolhimento apesar das loas de alguns então colunáveis.Não me portei mal,não ia andrajoso nem ninguém noutras lojas,p.ex. na cave clássica do V. Carvalho com duas excelentes,prestáveis e excelentes senhoras,alguma vez assim me acolheu.
            Fui claro.espero,nada de confusões.
            Tive azar.
            Obg.

          3. Obrigado mas quem é que voltaria?
            Por um lado não precisava,em qualquer outro livreiro de então,na Baixa,no Chiado,Rossio,
            fora de Lisboa,Setúbal de 74,Faro em79,C.Caparica,Almada,Porto na Lello de 82, pelo país fora,incõgnito e insignificante como sempre me quis,jamais tive tal azar.Nem,como escrevi,na Clássica cave do Valentim na r.N.Almada pre-incendio,onde eu temia,aí sim fazer má figura,excelentes e dedicadas Senhoras que não voltei a encontrar nas breves reencarnações da discoteca.Só nos últimos tempos da discoteca Roma encontrei ambiente aparentado.
            Mas sucede-nos a todos alguma vez na vida um dia-não,sejamos nós o motivo ou a causa de outrém conosco interagindo.Decerto nem a loada senhora o saberia explicar tal como eu não.Alguma suspeita,ser eu um roubador de livros ou um desarrumador profissional…
            Eu conhecia a história desses refugiados sabedores de livros aqui domiciliados,sabia das loas constantes e não duvidava delas como não duvido mas comigo,inexplicavelmente nada disso funcionou.Fui por mera curiosidade,felizmente não precisava.
            Foi azar,é o que me ocorre sempre dizer,sem qualquer ironia.
            Não tinha qualquer motivação para lá voltar.
            Obrigado na mesma pela consideração.

          4. As senhoras da clássica cave do Valentim pré-incêndio ,sublinho (ainda a fnac não se alojara no local que fora por décadas dos Armazéns do Chiado pré-incendio),tais Senhoras eram conhecidas por gente daqueles tempos e por aqui vi vários testemunhos elogiosos,p.ex. Teresa Leandro na Gota de Rantanplan(blogue agora inerte).Infelizmente esqueci já os nomes.
            Quando anos depois reconstruiram o local,o Valentim já ardera tal como todos os outros vizinhos.Estive anos sem lá voltar,era doloroso.
            Aproveitou a fnac depois o espaço dos Arm.Chiado e arruinou em consequência livrarias(excepto bertrand) e o que fora o nicho de venda de discos.
            O Valentim reabriu num célebre café do Rossio,há muito fechado,fui lá mas já não encontrámos tais senhoras,substituídas por rapaziada ao jeito do que há agora.
            Talvez devido aos encargos voltou a deslocar-se o Valentim para o espaço que fora por décadas do Grandella antes do fogo. Durou pouco e passei a frequentar a discoteca Roma,também por pouco tempo aguentou.E acabou-se,passei a encomendar livros e cd.s de fora.
            Fugi sem querer ao seu tema mas como emergiu este assunto e respectivos tempos que conheci bem,assim me alarguei ,pelo que me desculpe.

          5. É muito interessante poder ler as memórias de outras pessoas, sobre locais que também conheci e dos quais também acompanhei o retrocesso até à extinção, exactamente como acima descreve.
            Obrigada pela excelente contribuição, azulão.

          1. Agradecido.
            Suspeito falarmos de eventos,lugares,pessoas com uma décalage perdoe o termo de cerca de dez anos.Permite recalibrar a conversa.
            Esse pequeno mundo que foi o meu de 68/69 até ao grande incêndio de 87 extinguiu-se com ele. O que lhe sucedeu já não me pertence mas é de outros ,como acontece com tudo decorrendo com o tempo.
            Perdoe o extravasamento do seu tema que é medonho. Conheci bem a Censura oficial do dr.António das Finanças mas a que se vai anunciando e entranhando,abúlicamente, é bem pior. Estende-se da Literatura que lhe for parar às garras até à reescrita de toda a História humana,sempre com as mais puras intenções.Já sucedera no tempo das Inquisições,do nazismo e comunismo.Apenas a crassidão e indiferença gerais a vão permitindo.

          2. Se como diz talvez não…
            Em 87 tinha eu já dois filhos,namorara a mãe no princípio dos 70 precisamente por aqueles lugares ardidos.Em 88 aquilo já fora consumido.
            Antes dos 70 e princípio dos 60 eu demorara 7 anos pela próxima C.Combro abaixo e acima,ido e vindo da Travessa do Passos onde “gramei” precisamente os professores do Damásio neurólogo,salvaguardada a infinita distância entre a sabedoria dele e a minha irrelevância. Bons e difíceis tempos,os da adolescência e juventude,excelentes condiscípulos ainda hoje permanecendo,os vivos,em conversas e convívio.
            Obrigado pela paciência.

  4. “Somos alertados com frequência para os perigos do regresso de perigosos bárbaros ansiosos por queimar livros e acabar com as nossas liberdades. Não é um alerta totalmente falso,só que os tais bárbaros empunham a bandeira da inclusão e da “reconciliação dos povos”. ( do capítulo 13 do livro Manual do Bom Cidadão de Jorge Soley)

      1. É mais que justificado,mas não vejo muita gente com a noção da dimensão e da gravidade do que está em causa. Há muita gente distraída (e realmente não faltam distrações) e muitos até fazem por não ver o “elefante na sala”. ( mais do livro mencionado no blog Novo mundo)

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