Lai, lai, lai


Teresa Ribeiro,

 

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É sempre a mesma lamúria. E cada ano começa mais cedo. O secretário de Estado da Administração Interna já veio a público anunciar que a área do País ardida desde Janeiro é 12 vezes maior que em período homólogo do ano passado. Dito isto, anunciou investimento em mais meios de combate aos incêndios. Os tais que aumentam à medida que aumentam os fogos (não deveria acontecer o contrário?) 

Mas o que fica por explicar é porque há países que ardem e países que não ardem. Porquê, senhor secretário de Estado?!

0 comentários em “Lai, lai, lai”

  1. A explicação é simples. Um país só não arde se fizer arder um outro. E todos sabemos, ou devíamos saber. O que arde faz bem.

  2. Os incêndios florestais….sobre o assunto sugiro que se leiam as opiniões dum especialista, Henrique Pereira dos Santos.

    Ordenamento florestal, cadastro agro-florestal, silvícola, quase inexistente ou muito deficiente, abandono do campo, alteração dos modos de vida e colheitas, no que restou. Meios de combate, humanos e mecânicos, inadequados e mal coordenados.

    Portugal, tal e qual.

    1. Os problemas que elencou já sou conhecidos há muito tempo. Alguns existem desde sempre e não explicam porque de ano para ano tudo piora. Estive recentemente um par de semanas no campo, numa zona onde houve muita floresta ardida no ano passado. O que os locais me descreveram foi inquietante. Todos têm a convicção de que esta escalada tem a ver com o negócio dos incêndios, algo que que movimenta milhões…

      1. Obrigado pela sua resposta. Sim, o negócio dos incêndios movimenta milhões. Aviões, helicópteros e tutti quanti. Bombeiros generosos, e tutelados pelas mesmas caras há décadas…mas não deixam de o ser em part-time, por melhor equipados que vão estando. Prevenção quase inexistente e não coordenação ou quase inexistente, também, com as forças armadas, se bem que estas terão que ter preparação adequada, para que não se repita a tragédia de Sintra, nos idos da década de 60.

        Tal como disse, Portugal, tal e qual.

  3. porque há países que ardem e países que não ardem

    É deveras simples de explicar, Teresa:

    (1) Alta produtividade primária de vegetação. Portugal tem uma das maiores taxas, na Europa, de produção de vegetação. Na primavera crescem matos e plantas com em nenhum outro sítio.

    (2) Verões secos. Em todo o centro da Europa, chove mais no verão do que no inverno. Em Portugal, pelo contrário, no verão não chove nada.

    A conjugação de uma primavera que produz muita vegetação com um verão em que ela seca toda é o que propicia o fogo.

    1. Isso e talvez os foguetes, que rebentam como em nenhum outro sitio, aqui no Norte. Por aqui mais do que Fátima celebra-se o Trovão de Thor e o Raio de Ódin.

      Isso e talvez desleixo. No outro dia, à beira da estrada, tinham andado a cortar eucaliptos, e feito uma queimada com os galhos e ramos que sobraram …sem ninguém por lá. É compreensível, pois com tanto foguete e Ave Maria não temos, cá por baixo, com que nos preocupar

      1. Além dos foguetes temos as beatas mal apagadas (e não é fácil apagar uma beata no meio de uma floresta num dia muito quente). Atira-se a beata para o chão e pensa-se que ela se apaga sozinha mas, num dia muito quente, não apaga. Se quem atira a beata fôr a passar num automóvel, nem repara que causou um incêndio que só meia dúzia de horas mais tarde aparece nas notícias.

        1. “e não é fácil apagar uma beata no meio de uma floresta num dia muito quente”

          Um escupe extrovertido, costuma funcionar.

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