Lá fora


Pedro Correia,

Alemanha: CDU de Merkel vence com pior resultado de sempre. Alternativa Pela Alemanha, eurocéptica, elege sete eurodeputados.

 

Espanha: PP e PSOE perdem 17 deputados. Novo partido, Podemos, assume-se como quarta força eleitoral e terceira em Madrid.

 

França: Vitória da Frente Nacional, com 26%. Partido Socialista, do Presidente Hollande, afunda-se – com o pior resultado da sua história.

 

Itália: Esquerda esmaga nas urnas, partido de Berlusconi em queda. Movimento de Grillo é segundo, com 21%.

 

Grécia: Syriza ultrapassa conservadores, vencendo escrutínio. Aurora Dourada, partido neonazi, ascende ao terceiro lugar.

 

Reino Unido: Grande triunfo da direita eurocéptica. Partido Independente quebra histórico rotativismo entre conservadores e trabalhistas.

4 comentários em “Lá fora”

  1. Lisboa entupida de amaricanos por causa da final da taça dos campeões e o Rock in Rio cheio de cheneses a um Domingo à noite é a prova provada que isto por essa Europa vai uma crise…

  2. O número de eurocéticos, na Alemanha, cresce de dia para dia. Fora do euro! Fora da EU! são os seus “gritos de guerra” e encontram muitos simpatizantes. O pior é que a Alternativa Pela Alemanha está muito conotada com a extrema direita, embora se desmarque do NPD, o partido neo-nazi.

    A CDU, ainda assim, venceu por causa da Merkel, ela é que foi figura de cartaz para as eleições europeias, abafando por completo o cabeça de lista do seu partido, David McAllister (sim, é alemão, mas com raízes escocesas).

    É uma catástrofe que a extrema direita tenha tido tantos votos, em certos países. Sempre me defini como sendo “de direita”, mas sou franca: preferia que fossem os partidos da esquerda a face do protesto (quando digo de esquerda, não me refiro a socialistas à la Hollande – essa anedota feita gente – ou à la Seguro, mas aos ligados à ideologia comunista). Mal por mal, talvez fosse melhor uma modalidade moderna dos velhos comunistas, esses sim, fariam algo de diferente (penso eu).

    A Alemanha, porém, nunca virará à esquerda, dando força à Die Linke (uma espécie de BE), pois está traumatizada com a experiência da RDA. Mas também não acredito que virem à direita como os franceses, porque, nesse aspeto, também estão ainda traumatizados. Muito europeus esquecem que os próprios alemães foram dos mais traumatizados com a era Hitler. Nos últimos tempos, tem-se assistido a uma verdadeira expiação de pecados passados. Descendentes de nazis (alguns ligados ao extermínio dos judeus), filhos, mas principalmente netos, usam a sua profissão de jornalista ou realizador de cinema para expor as vergonhas nazis, mesmo que isso implique aceitar o passado horrendo dos seus pais/avós, passado esse mantido em silêncio pela família. É das tais coisas de que não se fala, que se atiram para debaixo do tapete. Mas há quem não pactue com essa política do silêncio. Desenterram a imúndicie, arejam os armários e sacodem os tapetes. À custa de muito sacrifício, não é fácil aceitar e expor tal passado. Quem consegue admitir: sim o meu pai/avô foi um assassino, dos piores que se pode imaginar? E há muito quem seja contra essa maneira de denegrir a família. Mas os próprios dizem que não conseguem continuar a viver com tais segredos na alma. Pela verdade! E para que o horror não se repita!

    Eu estou com eles e admiro a sua coragem!
    Para quando algo do género, no nosso país, envolvendo descendentes dos pides? Quando se resolverão essas pessoas a contar o que passaram à altura da revolução, algumas ainda crianças? Não terá sido fácil. E o segredo mantém-se.

    (acabei por fugir ao assunto, desculpem)

    1. Agradeço-lhe muito o seu comentário, Cristina. Um dos melhores que temos recebido nas últimas semanas, sem qualquer dúvida. Ainda por cima com a força acrescida de ser também um testemunho directo.

      (Saudações Leoninas… )

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