Kirk Douglas e Eli Wallach


Pedro Correia,

               

 

Gostei de ver, faz hoje uma semana, dois sobreviventes dos anos de ouro do cinema americano no palco do teatro Kodak, em Hollywood: Kirk Douglas, de 94 anos, entregou o Óscar de melhor actriz secundária (bem merecido) a Melissa Leo, pelo seu magnífico desempenho na película O Último Round; Eli Wallach, de 95 anos, recebeu um prémio honorário, destinado a homenagear a sua longa carreira que parece não ter fim – ainda há pouco o vimos em Wall Street 2.

Dois actores que entraram em filmes inesquecíveis: Carta a Três Mulheres (Joseph L. Mankiewicz, 1949), Algemas de Cristal (Irving Ropper, 1950), O Grande Carnaval (Billy Wilder, 1951), História de um Detective (William Wyler, 1951), Cativos do Mal (Vincente Minnelli, 1952), Vinte Mil Léguas Submarinas (Richard Fleischer, 1954), A Vida de Van Gogh (Minnelli, 1956), A Voz do Desejo (Elia Kazan, 1956), Horizontes de Glória (Stanley Kubrick, 1957), Os Sete Magníficos (John Sturges, 1960), Spartacus (Kubrick, 1960), Os Inadaptados (John Huston, 1961), Duelo ao Pôr-do-Sol (Sturges, 1961), Duas Semanas noutra Cidade (Minnelli, 1962), Sete Dias em Maio (John Frankenheimer, 1964), O Bom, o Mau e o Vilão (Sergio Leone, 1966), O Compromisso (Kazan, 1969) e tantos outros.

O público ali presente dispensou-lhes calorosas e prolongadas ovações. Bem merecidas: Douglas e Wallach, em conjunto, totalizam 120 anos de presença activa no cinema americano. Casos raros de longevidade. Casos raros de indiscutível qualidade.

Daqui, na minha modesta condição de espectador grato por tantas horas de bom cinema que ambos me propiciaram, também lhes presto o meu tributo.

3 comentários em “Kirk Douglas e Eli Wallach”

    1. É isso, Teresa. A comunidade artística norte-americana – e a comunidade cinematográgica em particular – celebra os seus valores ainda a tempo. Nós, por cá, procuramos compensar pelo elogio fúnebre a indiferença a que votamos os nossos artistas ainda em vida. E por vezes nem isso: há pouco morreu Virgílio Teixeira, um dos nossos raros actores que marcaram presença no cinema internacional (entrou em filmes como ‘Os Sete Magníficos’, ‘A Queda do Império Romano’ e ‘Doutor Jivago’, por exemplo), no meio da maior indiferença colectiva.

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