Se é verdade que ambos são sistemas – muito – complexos, mete-me sempre aflição comparar uma ciência social (apesar de uma grande carga matemática) com uma ciência aplicada.
Percebo o que diz. A medicina é, de facto, uma ciência aplicada. Mas tem os mesmos problemas que a economia ao investigar muitos problemas, e faz uso do mesmo tipo de técnicas estatísticas.
A economia tem tentado sem sucesso resolver problemas muito mais complexos do que os da medicina. Na medicina tem-se observado uma aumento da esperança média de vida, mostrando a existência de um progresso. O pensamento económico actualmente dominante recomenda que se mantenham rumos aconteça o que acontecer, parecendo-se muito mais com uma religião, onde a força da crença numa verdade revelada é o mais importante, do que uma atitude científica, com uma observação imparcial das consequências das decisões que se vão tomando.
Tem alguma razão. A atitude correcta é: se é verdade que um insucesso não comprova que o “tratamento” é incorrecto, não deixa de ser mais um dado, numa área em que os dados são escassos, e por isso merece muita atenção. Claro que encontrar o meio termo no meio disto é que é difícil…
Mas a grande diferença é que as prescrições da medicina variam de acordo com dados experimentais que se vão acumulando. Por exemplo, saber se o café faz ou não faz bem ao envelhecimento é uma questão que se decide de acordo com a experiência, e não de acordo com as preferências políticas dos médicos.
Já na economia, as prescrições da pseudo-ciência são imunes aos dados experimentais e dependem sobretudo da preferência política dos economistas.
Sendo feita por seres humanos, há sempre espaço na ciência para “cherry picking”. E essa opção é tão grande quanto elevado seja o retorno para o próprio de falsificar os resultados. A medicina também está cheia de exemplos disso. Tal como outras ciências…
O problema é quando os “especialistas” dão como verdadeiras meras suposições e essas suposições convêm a alguém. Lembro-me de uma campanha contra o uso de azeite na comunicação social que existiu há muitos anos. Campanha essa que aconteceu, por coincidência certamente, simultaneamente com o lançamento em força dos óleos alimentares, que até então eram pouco utilizados na alimentação em Portugal. Neste momento é a economia que apresenta uma panóplia de certezas quanto à gestão da dívida, o aumento da competitividade e ausência de alternativas. A questão não é se a medicina ou a ciência são ou não ciências úteis. A questão é se o que nos fazem passar por medicina ou economia são ciências ou atos de fé.
Há sempre boas maneiras para justificar a ignorância.
Caro José Maria Pimentel,
Se é verdade que ambos são sistemas – muito – complexos, mete-me sempre aflição comparar uma ciência social (apesar de uma grande carga matemática) com uma ciência aplicada.
Percebo o que diz. A medicina é, de facto, uma ciência aplicada. Mas tem os mesmos problemas que a economia ao investigar muitos problemas, e faz uso do mesmo tipo de técnicas estatísticas.
A economia tem tentado sem sucesso resolver problemas muito mais complexos do que os da medicina. Na medicina tem-se observado uma aumento da esperança média de vida, mostrando a existência de um progresso. O pensamento económico actualmente dominante recomenda que se mantenham rumos aconteça o que acontecer, parecendo-se muito mais com uma religião, onde a força da crença numa verdade revelada é o mais importante, do que uma atitude científica, com uma observação imparcial das consequências das decisões que se vão tomando.
Tem alguma razão. A atitude correcta é: se é verdade que um insucesso não comprova que o “tratamento” é incorrecto, não deixa de ser mais um dado, numa área em que os dados são escassos, e por isso merece muita atenção. Claro que encontrar o meio termo no meio disto é que é difícil…
Mas a grande diferença é que as prescrições da medicina variam de acordo com dados experimentais que se vão acumulando. Por exemplo, saber se o café faz ou não faz bem ao envelhecimento é uma questão que se decide de acordo com a experiência, e não de acordo com as preferências políticas dos médicos.
Já na economia, as prescrições da pseudo-ciência são imunes aos dados experimentais e dependem sobretudo da preferência política dos economistas.
Sendo feita por seres humanos, há sempre espaço na ciência para “cherry picking”. E essa opção é tão grande quanto elevado seja o retorno para o próprio de falsificar os resultados. A medicina também está cheia de exemplos disso. Tal como outras ciências…
O problema é quando os “especialistas” dão como verdadeiras meras suposições e essas suposições convêm a alguém.
Lembro-me de uma campanha contra o uso de azeite na comunicação social que existiu há muitos anos. Campanha essa que aconteceu, por coincidência certamente, simultaneamente com o lançamento em força dos óleos alimentares, que até então eram pouco utilizados na alimentação em Portugal.
Neste momento é a economia que apresenta uma panóplia de certezas quanto à gestão da dívida, o aumento da competitividade e ausência de alternativas.
A questão não é se a medicina ou a ciência são ou não ciências úteis. A questão é se o que nos fazem passar por medicina ou economia são ciências ou atos de fé.