Junho de 2017: os meus votos


Pedro Correia,

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Figuras nacionais do mês

Dois governantes em foco por péssimos motivos: Constança de Sousa, titular da pasta da Administração Interna, surgiu chorosa frente às câmaras da televisão mas incapaz de esclarecer a descoordenação dos serviços sob a sua tutela que originaram o colapso da protecção civil em Pedrógão Grande; Azeredo Lopes, detentor da pasta da Defesa, disse assumir responsabilidades perante o maior roubo de armamento bélico alguma vez ocorrido em Portugal, nos paióis de Tancos, mantendo-se no entanto em funções. Continuam ministros, resta ver até quando.

 

 

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Figura internacional do mês

Surdo aos avisos dos cientistas sobre os riscos do aquecimento global provocados pelos gases poluentes, Donald Trump anunciou a 1 de Junho que os EUA deixariam de estar vinculados ao Acordo do Clima, isolando-se dos aliados europeus de Washington e juntando-se à Síria e à Nicarágua, únicos países que recusaram assinar o documento. Esta decisão, concretizando uma promessa eleitoral do actual inquilino da Casa Branca, valeu duras críticas a Trump – tanto mais que os EUA são, logo após a China, o segundo país mais poluidor do planeta.

 

 

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Facto nacional do mês

Não há memória de um incêndio tão mortífero assim. Os portugueses não esquecerão a tragédia de Pedrógão Grande, com as chamas a devorarem árvores, mato, casas, carros e lamentavelmente também pessoas. O balanço deste fogo florestal – que alastrou aos concelhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera – foi dantesco: 64 pessoas mortas, 254 feridas (muitas em estado grave), 150  famílias desalojadas e quase 50 mil hectares de floresta reduzidos a cinzas.

 

 

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Facto internacional do mês

Quase todos os observadores e a esmagadora maioria dos politólogos abriram a boca de espanto: em 14 meses, Emmanuel Macron virou a política francesa do avesso. Criou um partido novo, chamado República em Marcha. Venceu as presidenciais, fez implodir os socialistas e a direita clássica, e conseguiu uma vitória esmagadora nas eleições parlamentares desenroladas em duas voltas, a 11 e 18 de Junho, com 314 dos 577 deputados da Assembleia Nacional. Há um ano ninguém era capaz de lhe antever tal sucesso. 

 

 

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Frase nacional do mês 

«Que venha a chuva. Bom dia.» Foi assim que a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, se exprimiu na sua conta do Twitter a 19 de Junho, reforçando implicitamente a tese governamental de que a tragédia de Pedrógão se deveu em exclusivo a “causas naturais”. Vão distantes os tempos em que o BE, noutro ciclo governativo e perante incêndios muito menos mortíferos, bradava: «A incompetência do Governo não pode encontrar justificação na meteorologia.»

  

 

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Frase internacional do mês 

«Não sou mulher, portanto não tenho dias maus.» A elegante frase foi proferida pelo Presidente russo Vladimir Putin numa longa entrevista de quatro horas conduzida pelo cineasta Oliver Stone, dividida em quatro blocos e estreada a 12 de Junho na CBS norte-americana. The Putin Interviews terá escandalizado algumas feministas, mas deste lado do Atlântico não houve notícia de grandes protestos.

28 comentários em “Junho de 2017: os meus votos”

  1. Sugiro a leitura do artigo- Paris não é a solução, de Bjorn Lomborg sobre o acordo Paris ( no jornal negócios esta semana ). Tanto barulho quando o objectivo era reduzir umas décimas à temperatura em 100 anos.

  2. Definitivamente o figurão diário do ciclo está desconfortável num lugar que não é seu.
    Entre todas as patranhas uma convicção que surge à tona:
    Costa denota comprometedora precipitação e indisfarçável pânico.
    Tal é a intensidade com que o verniz estaladiço que o pinta lhe está a cair em cima sempre que se agita.
    O homem mostra-se de tal maneira atrapalhado que nem consegue aliviar-se sem espalhar em publico o mau ambiente que irradia à sua volta.
    Quem lhe podia desligar a ventoinha tapa o nariz e respira pela boca na mesma cruzeta bifurcada.
    Assistir ao desfilar e debitar daquela figura impante no papel de 1º ministro só em filme de tenebrosa ficção.
    Desde os palcos apalaçados até aos tapetes de subúrbio, circo de sessões contínuas na senda do velho cinema piolho.
    Nos intervalos que não acabam chovem pipocas que não esgotam, não faltando fornecedores para adoçar a pantomina.
    Falta uma legenda na comédia:
    Rir é o melhor remédio, mas com chuva de ovos podres e tomatada.

  3. Caro Pedro Correia

    Perdeu-mos a nossa ministra da Administração Interna.

    Os vários “SIREPES” – sempre foram o calcanhar de Aquiles do ministério da A I.
    Vejamos:
    INNOVAÇÃO
    …” Parece que o inspector geral dos incêndios em Lisboa, d’acordo com o seu colega d’esta cidade (Porto) pretende fazer a experiência de outros toques d’apito, baseado no systema telegraphico de morse.
    Muito embora sejamos de opinião contrária à adopção d’este systema, que nos parece muito inferior ao antigo e mais difiil de comprehensão, intendemos que é nosso dever dar conhecimento da innovação aos nossos leitores, afim de que possam também avaliar.

    … ” Exemplos: – SENTIDO (antigo) :hitóhi – (moderno) ti-ti–ti-triiiii ti ti ti
    TRABALHAR: (antigo) ó ó ó ó ó — (moderno) triiiiii -ti – triiiii- triiii -ti
    CARRO (antigo) ótitió — (moderno) ti triiiii triii -triii –tri tri….
    ” Vejam agora a confusão que d’aqui nasce para pedir um utensilio…. ”

    In – BOMBEIRO PORTUGUÊZ – Porto, 13 Abril 1879 ( Hemeroteca Digital de Lisboa)

  4. Tenho a certeza que se Pedro Correia fosse o actual PR dos EUA, com as respectivas inerentes reais responsabilidades, também retiraria o “seu” País de ESTE “acordo de Paris”, delitantemente assinado por Obama e manifestamente iníquo, gritantemente iníquo, anedoticamente iníquo, sobre o ponto de vista economico e industrial, para o “seu” País.
    Não duvido.

    Quanto aos cientistas em apreço … “cada um tem os seus brilhantes Almirantes” cujas infalíveis estratégias ganham … e perdem batalhas navais.

      1. Caro Pedro… entre os países que se comprometeram a «salvar o planeta» estão Arábia Saudita, Bielorússia, China, Coreia do Norte, Cuba, Irão, Rússia, Turquia e Venezuela, onde imperam regimes que se «distinguem» (mal) tanto nos direitos humanos como na protecção ambiental. Portanto, não será por aí que este debate deve ir. 😉

  5. No facto nacional do mês, sugiro que se introduza a salvaguarda “o balanço apresentado pelo governo até ao momento”. Porque é cada vez mais palpável a desconfiança de que o número das fatalidades foi objecto de manipulação.

  6. “Há erros que se cometem e há que ter a humildade de os corrigir”, diz agora o figurão de todos os dias.
    Se é para reconhecer erros chega tarde de mais.
    Se é para corrigir, antes de mais peça desculpa daquilo em que falhou desastradamente.
    Mas faça uma descrição sumária das afirmações que fez e talvez o envergonhem,
    das omissões que sustentou e que a sua consciência acuse,
    e das ações que praticou deliberadamente para encobrir as suas culpas.
    Por uma vez não recorra ao estafado numero da ilusão.

  7. Putin, o elegantemente retrógrado. Parece coisa que o meu trisavô teria dito socialmente
    Ora se em 1981 a então URSS parecia acabada de sair de um filme pós revolução Industrial, trinta e tal anos depois já deve haver máquinas de café expresso a funcionar. Isso é uma falta de lesa humanidade, que faz com que todos os dias sejam dias maus para todos, caramba.

    ( St. Petersburg, em Abril , ainda sem noite cerrada toda a noite… estava lá já amanhã … )

  8. A frase de Putin só demonstra que é um político muito tarimbado. O ocidente erra sempre na forma como lida com ele. E os governantes das democracias ocidentais são baratas tontas quando têm de o enfrentar. Mas não é só com Putin que o ocidente não acerta. O mesmo sucede com a China, como é o caso do prémio nobel da paz que morreu nos calabouços. A ter de eleger alguém para lidar com estes “problemas” do ocidente, escolheria o Santos Silva e o Carlos César, mas sendo que, para tal (é condição sine qua non), o monhé tem de se pôr a bulir para férias.

  9. Nem na shortlist para um qualquer galardão de ‘a frase mais desastrosa’, a intervenção sobre os suicídios do zombie político Coelho teve direito? Compr’endi-te!

  10. até ao lavar dos cestos é vindima… e todos os anos o mesmo.

    Marcelo prepara-se para condecorar o Delito : apesar da persistencia do Delito na demissao, a Constança perdura.

    o que é uma pena, pois enquanto for ministra continuará a haver incendios.

    ate dou uma sugestao ao Delito, altamente patriotica (seja lá o que isso for ) : reclamar a demissao antecipada dos ministros. Também porque esperar para reclamar a demissao dos ministros depois de estes estarem associados a erros é… demasiado tarde.

    Se ja tivessem demitido o da saude aquele idoso pobre coitado nao teria caido da maca no hospital…

      1. boa semana para o Pedro

        mas com tantos predicados, o Pedro nao ousa adivinhar o que e qual o ministro proximo a abater ?

        Predicados, sim, que o Pedro escreve sobre cultura, no entanto nessa coisa dos ministros e que tais, nada se diferencia do mais vulgar e basico.

  11. Ui, que andamos nervosos.
    À falta de melhor, sempre a disfarçar e dar aos pedais.
    Essa do anonimato já é recorrente. Não deixe que se transforme em obsessão.
    Será que também se afobou com a identidade daquele que assinava artigos sobre Portugal, no espanhol El Mundo? Hmmmm, não me cheira.
    Para acabar de vez com o argumento anti-anonimato, dir-lhe-ei que sou um ilustre desconhecido, incomparavelmente menos conhecido que o senhor (não o conheço de nenhum lado, por isso, o tratamento ‘senhor’ é o adequado).

    1. O seu anonimato é recorrente, sim. Próprio de quem atravessa uma prolongada crise de identidade.
      Mas não desista: vai acabar por livrar-se dessa geringonça e recuperar a auto-estima. Aconselho inscrição nos Anónimos Anónimos.

  12. O meu anonimato é uma opção que se revela a mais acertada, tendo em conta o seu interesse no autor e não no conteúdo. Há quem se interesse por pessoas para fazer ataques ad hominem e há aqueles que se interessam pelos conteúdos. Não é certamente o seu caso,

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