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«As estúpidas Constituições políticas que vamos tendo esquecem o primeiro dos direitos: o direito à felicidade»
Fala sem papas na língua: sugere a Maria da Fonte como novo hino nacional e sonha «destruir o sistema informático de todos os ministérios das Finanças». Politólogo, professor catedrático, comentador nos órgãos de informação, José Adelino Maltez respondeu sem hesitar a todas as perguntas que lhe fiz, já lá vão uns anos.
Tem medo de quê?
De ter medo.
Gostaria de viver num hotel?
Só durante um mês.
A sua bebida preferida?
Coca-Cola light.
Tem alguma pedra no sapato?
Quando tenho, uso sandálias.
Que número calça?
42. E meio.
Que livro anda a ler?
Já não tenho idade para ler. Ando a reler.
Tem muitos livros à cabeceira?
Tenho sempre dois. O Homem Revoltado, de Camus – ando a relê-lo há 35 anos, todos os dias. E A Cidadela, de Saint-Exupéry.
A sua personagem de ficção favorita?
Fernão Mendes Minto, que escreveu um dos melhores livros de sempre em Portugal. Ninguém sabe se aquilo é verdade ou mentira, mas também não interessa. Como dizia Armindo Monteiro, que foi ministro de Salazar, a História é o género literário mais próximo da ficção.
Rir é o melhor remédio?
Não há melhor remédio: é o máximo de racionalidade, como sublinhou Henri Bergson na sua tese de doutoramento. Se conseguir rir-me de mim mesmo, sou um homem superior.
Gosta mais de conduzir ou de ser conduzido?
Só gosto de conduzir se a máquina for dependente do meu corpo. Por isso gosto tanto de bicicleta.
É bom transgredir os limites?
O homem é o único animal que sabe que vai morrer. Por isso inventou Deus: para tentar transgredir os limites do mistério.
Qual é o seu prato favorito?
Leitãozinho da Bairrada.
Qual é o pecado capital que pratica com mais frequência?
O pecado clássico de Ícaro: querer voar com asas de cera. O orgulho de não reconhecer os limites.
A sua cor preferida?
Azul, como é evidente.
É evidente porquê?
É a síntese da cor do universo. O céu é azul.
Costuma cantar no duche?
Costumo assobiar.
E a música da sua vida?
A Maria da Fonte.
Sugere alguma alteração ao hino nacional?
Sugiro o hino da Maria da Fonte.
Com que figura pública gostaria de jantar esta noite?
Com o Papa.
As aparências iludem?
As dos mantos diáfanos da fantasia que ocultam a verdade.
Qual é a peça de vestuário que prefere?
O meu chapeuzinho.
O seu maior sonho?
Amar e ser amado.
E o maior pesadelo?
O fanatismo e a ignorância.
O que o irrita profundamente?
A falta de sentido de humor dos gajos do estadão.
Qual a melhor forma de relaxar?
Cada um tem a sua. Para mim é estacionar à beira-mar. Ou à beira do Tejo.
O que faria se fosse milionário?
Contratava cem hackers e mandava-os destruir o sistema informático de todos os ministérios das Finanças.
Casamentos gay: de acordo?
Cada um deve fazer o que lhe apetecer. Mas não usurpem uma instituição que não foi feita para eles.
Uma mulher bonita?
Apetece-me parafrasear Fernando Pessoa: todas as mulheres bonitas são ridículas, mas mais ridículo ainda é não haver mulheres bonitas.
Acredita no paraíso?
O professor Sérgio Buarque de Holanda já dizia que os portugueses gostam de procurar o paraíso na Terra. A procura do paraíso, aqui e agora, é o que mais nos falta. As estúpidas Constituições políticas que vamos tendo esquecem o primeiro dos direitos: o direito à felicidade.
Tem um lema?
Viver como penso sem pensar como vivo.
Entrevista publicada no Diário de Notícias (19 de Abril de 2008)

Nem sim nem não, nem peixe nem carne, nem dia nem noite.
Inconclusivo e irrelevante.
Os politólogos têm que ser assim. Têm que estudar a política fingindo que não tomam partido nela.
Presumo que esteja simplesmente a avaliar a entrevista e não o entrevistado e, mesmo sendo assim, discordo do inconclusivo.
Poderia ser mais do que inconclusivo e mesmo contraditório, citar Freud e Nietzsche (o homem criou Deus) e desejar jantar com o Papa mas não estou certo de que não fosse uma resposta humorística ou de se tratar de homenagem particular ao Papa de então (Bento XVI, também o meu Papa preferido entre dois “populares”).
De resto, afirma-se monárquico (azul e Maria da Fonte) e politicamente incorrecto (ataque à “máquina” fiscal, desaprovação de se chamar casamento às uniões homosexuais).
Também parece não se levar muito a sério (referência a Bergson, crítica hermenêutica à Constituição e o lema final).
Concordo que possa ser irrelevante (para quem não o leu noutras instâncias) mas essa parece ser uma escolha pessoal.
afirma-se monárquico (azul e Maria da Fonte)
Eu interpretei o azul como querendo dizer que é adepto do FCP.
O hino da Maria da Fonte nada tem de monárquico. Tem é de liberal. O valor que ele afirma é a liberdade (presente duas vezes na sua letra).
Caro balio,
Ao contrário do que pensa, o hino de Maria da Fonte não foi escrito por Vitorino.
Foi escrito por Paulo Midosi, a palavra Liberdade está presente três vezes, a palavra livre outras três.
“Livre, a Pátria vos repulsa
Terminou a escravidão!”. (acaba assim, o original)
Chamou liberal à Revolta de Maria da Fonte mas estamos a falar de uma Revolta “Conservadora”, o motivo primeiro foi o enterramento nas Igrejas que o governo (Costa Cabral) queria proibir por razões de saúde pública e que o conservadorismo minhoto queria que continuasse.
Caro Pedro Oliveira,
Não será assim tão simples. O detonador foi efectivamente essa questão de saúde pública mas a extensão que a revolta teve, deve-se muito mais às leis de recrutamento militar e, politicamente, à rejeição do Cartismo.
Repare que a revolta (ou revolução como é mais chamada) termina com a substituição de Costa Cabral por Palmela mas, assim que D. Maria II demite Palmela e nomeia Saldanha, a revolução reacende-se e dura 8 meses (Patuleia) e só termina com a intervenção militar estrangeira da Quádrupla Aliança, e nessa ocasião já não se falava na questão dos enterros.
Mas claro que o Balio não tem razão nenhuma: nem no azul do FCP nem no liberal, pois liberais eram então os vintistas e os cartistas e a Maria da Fonte que seria muitas coisas (conservadora, reaccionária, miguelista, tradicionalista, regionalista e mais) era definitivamente contra os liberais.
Caro Francisco Almeida,
Tem razão no que afirma.
A revolta inicial começou na Póvoa do Lanhoso (estive lá 1996 no congresso que comemorou os 150 anos) com a questão dos enterramentos mas depois teve outras consequências.
A Patuleia (pata ao léu) ocorre como continuação destes acontecimentos iniciais e aí sim já podemos falar numa Revolução com as consequências políticas que aponta.
o Balio não tem razão nenhuma: nem no azul do FCP nem no liberal
Nunca disse que a Maria da Fonte nem os que com ela lutaram fossem liberais.
Disse é que o hino da Maria da Fonte é liberal. O hino, não a mulher nem a revolta.
Quanto ao FCP, tratou-se somente de um palpite da minha parte. Se alguém diz que adora a cor azul, eu presumo que seja por ser adepto do FCP. Sei lá porque é que o Maltez gosta tanto dessa cor…
Ao contrário do que pensa, o hino de Maria da Fonte não foi escrito por Vitorino.
Estou perfeitamente consciente disso.
a palavra Liberdade está presente três vezes, a palavra livre outras três
Por isso mesmo é que eu escrevi que se trata de um hino liberal.
Chamou liberal à Revolta de Maria da Fonte
Não. Chamei liberal ao hino da Maria da Fonte, não à revolta da Maria da Fonte.
Porque é que não te metes na tua vida?!!!!!
Vai ver se eu tou na esquina para ser irrelevante….
O que é isto, anónimo?
Acalma-te lá.
Claro que estou a avaliar a entrevista e julgo de acordo com as respostas dadas.
De resto conheço lá o homem.
“De resto conheço lá o homem.”
Mas pode estar certo de que não lhe fará mal conhecer.
José Adelino Maltez nasceu em Coimbra, em 1951. É doutor em Ciências Sociais, na especialidade de Ciência Política, pela Universidade Técnica de Lisboa (1990). Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra (1969-1974), foi assistente da Faculdade de Direito de Lisboa (1976-1985) e continuou a sua carreira docente no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, onde é professor catedrático do 1º grupo (decano do grupo de ciências jurídico-políticas). Nascido para a política activa com a Comissão Eleitoral Monárquica concorrente às eleições legislativas de 1969, opositora do Estado Novo, é hoje um conhecido comentarista político nos principais órgãos de comunicação portugueses. Autor de uma extensa bibliografia sobre temas que vão da História à Filosofia passando pela Ciência Política, Direito e Poesia, José Adelino Maltez mantém regular actividade na blogosfera desde 2003 no seu blogue “Sobre o Tempo que Passa” e mais recentemente no colectivo “Albergue Espanhol”.
Ler mais: https://monarquia.webnode.pt/news/entrev ista1/
Ah! Francisco Almeida.
Deus lhe pague com estadia VIP o lugar no Céu por tanto conhecimento que derramou neste meu asinino crânio.
Se não me dissesse quem era o Senhor Doutor finava-me na ignorância. O que seria não só lamentável em vida como crime de lesa-sacramento que Deus puniria com excomunhão eterna.
O não ter sabido interpretar a minha resposta, é sobejamente compensado pelo altruísmo do seu recado.
Salvou-me a alma.
Contudo fico na mesma. Conheço lá o homem.
E para ser mesmo sincero, acho que não me interessa muito conhecer. Afigura-se-me que não seria por conhecer o Senhor Doutor que ficaria mais rico nem menos pobre, figurez-vous.
“Afigura-se-me que não seria por conhecer o Senhor Doutor que ficaria mais rico nem menos pobre, figurez-vous.”
Antes do mais tenho uma confissão a fazer: o esclarecimento à resposta “que não soube interpretar” não se destinava exclusivamente a si e, nesse sentido, talvez o tenha instrumentalizado para o que pretendia e passo a explicar.
Hoje há um confronto entre esquerda e não esquerda, sendo que aquela reduz toda a oposição a direita (que subentende como neoliberais) e fascistas (na definição do PCP). Ora Adelino Maltez pertence a uma categoria amplamente ignorada: opositor ao Salazarismo sem poder ser classificado de esquerda (na realidade com propostas transversais a essa dicotomia esquerda-direita). E sendo essa também a “categoria” política em que me incluo, e aproveitando ser ele sujeito do post, não resisti a divulgar uma outra entrevista nesse sentido mais esclarecedora.
Em minha defesa, achei que não seria grave usar o seu comentário, como o meu veículo de divulgação, tanto mais que lembrando-me de algumas suas intervenções (Manuela Ferreira Leite, Anna Friel, Vicente Jorge Silva, Pensamento da semana-tecnologia digital e A minha história devida) concordei com as duas primeiras, não discordei das duas seguintes e muito admirei a última).
Por isso e com o máximo de franqueza, não me sinto merecedor do agudo sarcasmo com que me brindou mas fico, malgré tout, satisfeito se isso de alguma forma, lhe permitiu aliviar a bilis.
Ora, Francisco Almeida, não leve a coisa tão a sério, homem: isto são só blogues.
Esteja absolutamente à vontade para continuar a servir-se de mim como veículo condutor de instrumentalização para os outros, que eles; V, Vento, Edilmonte, Balio e tantos outros que aqui desaguam como um rio, merecem ouvir das boas.
Posto isto e pazes feitas,
Um Abraço.
Spinoza também era da mesma opinião: foi o homem que criou Deus, e foi expulso da comunidade judaica de Amesterdão. E vá que por lá não havia fogueiras da inquisição.
Certo dia bateram a porta umas ‘testemunhas’, o que é que andam a vender, perguntei eu, não vendemos nada, andamos a propagar a palavra de deus, responderem eles. Tá bem, mas como deve ser uma gravação muito antiga deve estar toda riscado e não se deve perceber nada, mas é em livros, responderam, então pior ainda porque foi escrito pelo homem, até eu poderia os poderia ter escrito.
O que Spinoza disse em concreto foi: “Deus Sive Natura”.
E ele usou o único caminho que conhecia e entendia seguro: a filosofia. Portanto, ele arranja uma via que julga mais liberta para conhecer o significado da existência. Entretanto tece umas considerações para tornar mais válida estas suas cogitações.
Agora de outra forma, o homem ao afirmar que Deus é criação de si mesmo reconhece sua imperfeição e incapacidade para criar tamanho mistério que lhe possa abrir as portas para o que ainda não atingiu.
Porém, se tivermos em consideração o rebate filosófico desta afirmação, e até mesmo no princípio judeo-cristão deste Deus, é mentira que o caminho seja de ascese. É antes compreender o significado material e verbalizado deste Deus que desce e faz-se Homem.
Se Spinoza tivesse contemplado a afirmação “Deus Sive Natura” como expressão da e na natureza humana, e não a natureza que nos rodeia, certamente estaria mais próximo de compreender o pessoal e o impessoal deste Deus que aí está.
Muito longe nos levaria a tentativa de fazer a hermenêutica e exegese deste Deus em que se está e que está.
Porém, para trilhar tal caminho, deixo-lhe o seguinte princípio: “Procura-te em Mim e procura-Me em ti”.
Maria da Fonte, Patuleia,Remexido,trinta e um disto e daquilo, cada um com o seu hino,suas pistolas, suas altifalâncias, seu rapé.
É certo já ninguém marchar contra Leopards ou T34s.
Vem uma hora em que é preciso pegar na rabiça,no satcho,na foice,no estadulho
porque já não passa ninguém que se deixe assaltar.
E nessas longas horas do pão duro e do amargo vinho canta o quê o maltez ganhão ?
Andas muito desafinado, anónimo.
Se conseguires lembrar-te como te chamas és capaz de muito melhor.
Desconfiar de quem tem Coca-Cola como bebida favorita….
Eu desconfio de quem não assina as opiniões que emite.
Sempre ou consoante a opinião?
Sempre.
Hum, a ideia do hino da Maria da Fonte para hino Nacional é que me faz comichão, é demasiado Avante para o meu gosto.
Eia Avante, Portugueses!
Eia Avante, não temer!
Pela santa Liberdade,
Triunfar ou perecer!
Avante, camarada, Avante,
Junta a tua à nossa voz!
Avante, camarada, Avante, camarada
E o sol brilhará para todos nós!
Hum…
“O homem é o único animal que sabe que vai morrer.”
É um erro!
Quem conhece a natureza ou lida com animais,sabe que estes tem a percepção da morte.
“Percepção” é muito diferente de certeza antecipada de que vamos morrer. Todos.
Os animais não têm nada sequer semelhante a isso.
Não tenha tanta certeza disso!
O Pedro nunca lidou de perto com determinadas situações, que certamente o fariam questionar ou colocar em dúvida essa sua certeza.
Tenho a certeza disso e já lidei de perto com a morte de vários animais. Demasiados até.
Tenho uma opinião diferente da sua, talvez derivado a experiências diferentes.
Mas respeitando a sua certeza, eu apenas pergunto em relação a um exemplo recente das Baleias Piloto que quando encalham perto da costa, e começam a entrar em stress, se já não estão a morrer por antecipação, se acha mesmo que a Baleia Piloto não se a percebe que não saindo dali é o fim.
Respeito a sua opinião. É bem possível que os grandes mamíferos, como a baleia e o elefante, entendam por instinto que a vida lhes foge a partir de certa altura. Mas nos seres humanos será sempre diferente: temos a certeza absoluta, desde que alcançamos a idade da razão, que a morte é o desenlace inevitável para todos nós. A angústia existencial nasce desta certeza, que nenhuma outra espécie viva experimenta.
Então onde é que fica a Fé ?
Dizer que o Homem criou Deus é um bocado aborrecido.. É este tipo de “truismos” sem imaginação que compromete a cultura de um povo. Só os comunistas e os pacóvios é que têm a necessidade de serem sempre literais.
Do tipo:
—Olha, são três e meia…
—Não, não; são três e vinte e oito — diz o merdoso.
Camarada V,
Por falar em horas!
Como se costuma dizer quem desdenha quer comprar, ainda o hei-de ver na tribuna do Glorioso e a dançar com uma Belle toujours na festa do Avante, ao som do stayin` alive dos Bee Gees numa quase inspiração de um filme de Manuel Oliveira.
Armando Chumbinho
Não tenho nada contra a Festa do Avante, o Manoel de Oliveira ou os Bee Gees! Embora não use.
Uma no cravo, outra na ditadura e pronto. Mas passou o teste. As tais flying colors é que ficaram meio esbatidas. Next!