Jornalismo manhoso


imagenscomhistoria,

É o que eu chamo a isto. Quem escreveu a notícia, ou pelo menos o editor que lhe deu o aval, sabe muito bem que está a enganar os leitores mas, mesmo assim, publica-a porque atrai leitores, provoca uma boa dose de indignação, gera discussão e é mais uma oportunidade para atacar o governo que, vejam lá, até quer intrometer-se na forma de vestir de quem trabalha.

Sou do tempo em que não podia ir às aulas, na Faculdade de Direito, sem gravata. Por ter prevaricado, fui expulso de uma aula do Soares Martinez.  Sei muito bem distinguir entre proibição do uso de certo vestuário e o que se passa no caso da Loja do Cidadão. No Correio da Manha (assim mesmo, não é gralha) também sabem, mas fizeram-se de ignorantes, porque escrever a verdade não produzia qualquer efeito. 

Já agora, o CM poderia informar os leitores que existem bancos e empresas de diversos ramos que impõem determinadas regras de vestuário aos seus trabalhadores. E não o fazem pelo facto de os trabalhadores usarem uniforme. Fazem-no porque não admitem um trabalhador sem gravata, nem uma mulher de mini-saia ou decote arrojado porque, alegadamente, uma mulher assim vestida “contribui para a diminuição da produtividade".

Sobre estas coisas o CM não fala. Sobre as razões que levam a  desaconselhar o uso de certas peças de vestuário na Loja do Cidadão, o CM é omisso. Prefere o  jornalismo de caserna. Das meias palavras. Da incerteza que deixa os leitores na dúvida. Infelizmente, nunca ninguém lhes disse que isso não é jornalismo.

Insidioso, ainda acrescentou: a Loja do Cidadão de Faro foi inaugurada no dia 3 pelo Primeiro Ministro. Provavelmente foi ele que deu ordem para as restrições do vestuário!

25 comentários em “Jornalismo manhoso”

  1. Realmente! É óbvio que não pode ter sido o PM a dar ordens para a vestimenta! Não me parece que tenha ido o Lopes da Costa (marido) à inauguração para levar os recados!

    1. Carlos: Tal como também já há tempos referi neste forum a propósito de mais uma das suas manhas, o nome apropriado para este jornal, é mesmo “Correio da Manha”. Títulos em letras garrafais, (descomunais, mesmo) publicando meias-verdades e às vezes até, inverdades, são o prato forte deste “manhoso”. É lamentável, mas na verdade, este (não) jornalismo do vale-tudo, sensacionalista, de baixo recorte, ainda cativa muita gente e ajuda a vender muito jornal, como sabemos.
      Quanto à verdadeira notícia em si mesma, acho que é de louvar um apelo a um decoro e bom gosto mínimos no vestir no local de trabalho (isto aplicado sem qualquer diferenciação de géneros, como é óbvio), pois não me parece apropriado nem dignificante que, quem quer que seja, se apresente no seu posto de trabalho, (especialmente estando-se a falar de serviço público e atendimento ao público) como se se estivesse vestido para ir a uma discoteca ou para fazer jogging. Tudo tem o seu lugar e a sua ocasião. Eu, pelo menos, tenho sempre a preocupação dessa decência mínima e sou um acérrimo crítico de colegas meus que se apresentam para funções dessa natureza de T-shirt, de mochila as costas e de ténis ou de botas de escalada calçadas. Também tenho todos esses equipamentos mas não os uso para desenvolver a minha actividade profissional, como é obvio.
      Um abraço.

      1. Deveria haver um mínimo de decoro na forma de vestir por parte de quem atende o público. Nâo sou contra normas mínimas de apresentação de quem exerce essa funções.Custa-me, por exemplo, chegar a um café, pedir uma bica e ver a menina gordalhufa que me atende, virar-me as costas e mostrar-me, aquilo que eu não quero ver, porque a cintura ds jeans está nos joelhos.
        Se as pessoa não têm bom senso, então o melhor é mesmo impôr deteminadas regras no vestuário.

  2. Vou repetir aqui o comentário que deixou no ‘post’ mais abaixo, Carlos.

    «Em abono da verdade, há uma coisa que sempre me fez confusão: em certos lugares, um homem vê-se obrigado a usar gravata (e o vestuário correspondente); mas, nos mesmíssimos lugares, o vestuário das mulheres não costuma ter mínimos.
    É justo?»

    E concluo agora: porque é que não há-de haver mínimos para as mulheres, sempre que se justificar?

    1. Pelas razões que expus acima, perceberás que estou de acordo contigo. O que não posso admitir é que uns fulanos com carteira de jornalista escrevam notícias como esta, mascaradas de jornalismo. Isto não é jornalismo, é prpaganda de mau gosto. Porque ´que não vão todos traalhar para o jornal da Madeira, se a única coisa que os move como jornalistasé imitar os papagaios?

  3. Quando escreve “mínimo” para as mulheres está a referir-se à cor da roupa interior? Já sabemos que não pode ser escura. Poderão as mulheres, contudo, trabalhar sem roupa interior? Estou confusa. Importam-se de explicar. Isso fará parte dos mínimos ou dos máximos? Tudo isto seria cómico se não estivéssemos a assistir a episódios täo tristes que mais parecem uma ópera bufa, de péssima qualidade.

    1. Então eu explico, Bia! Quando entro num restaurante ou num bar, onde vou pagar o que consumo, tenho o direito a não querer ser atendido por uma fulana que me exibe, orgulhosa, um decote de onde despontam, envergonhadas, mamas tão descaídas que me fazem lembrar a minha bisavó. E também não gosto de ver aquelas gordalhufas com jeans, de cintura tão descaída, que deixam ver uma ranhura no fundo das costas que, em vez de apelar à líbido, me retram o apetite. Chame-me o que quiser, mas em minha opinião, uma mulher que não se sabe vestir, tem de respeitar algumas regras quando pretende exibir-se em público. Um cliente não é obrigado a suportar a falta de senso de quem o atende. Como, por exemplo, usar um soutien preto sob uma blusa branca. Nao é nada sexy, sabia?

  4. Parece-me que quando se começa a regulamentar a torto e a direito e a propósito de tudo, algo vai mal!
    Qualquer dia passa a ser de (novo) proibido dizer merda em público, apesar de a haver aos montes a infestar os corredores do Poder.
    Onde é que entra o livre arbítrio e a capacidade dos trabalhadores – funcionários públicos ou não – em se comportarem como cidadãos responsáveis, sem precisarem da “NORMA” afixada sobre as suas cabeças?

    1. O problema é que muitas pessoas perderam o bom senso, A librdade d cada um termina no limiar da frnteira em que entra em conflito com a liberdade do próximo.
      Pela sua teoria, qualquer pessoa que decida passear-se nu pela rua ou chegar oa emprego apenas com uma folha de parra para cobrir as zonas íntimas, pode fazê-lo. ate´no Maio de 68, o “é proibido proibir” salvaguardava o mínimo do bom senso. Quem não percebe isso, normalemnet gosta de ler o CM

      1. Pois é…
        O problema é quando o conceito de “liberdade e bons costumes”, em vez de emanar da própria sociedade, é imposto pelo poder instituído!
        Nessa altura, isso costuma chamar-se outra coisa… Além do mais, a NORMA nas sociedades livres, tem normalmente um efeito contrário ao pretendido!
        E não, não sou um leitor habitual do CM, mas tenho a certeza que o seu conceito de “jornalismo manhoso” não se aplica aos jornalistas que ali trabalham…

    2. O problema, cneves, não é começar-se a regulamentar (o nque nem é o caso, porquanto se trata, afinal, de um manual de recomendações): o problema é começar-se a precisar disso. Se houvesse senso comum bastante sobre comportamentos em público e normas sociais, não seria necessário mais nada.

      1. Claro que se trata “apenas” de um inocente “manual de recomendações”, mas a gente sabe o que “o Chefe” quer dizer quando nos atira com isso para a frente na altura de sermos admitidos no emprego!
        E quanto às normas sociais, elas devem emanar do próprio sentir da Sociedade, senão (quando impostas ao arrepio desta) adquirem normalmente outra designação!

  5. Eu ouvi a notícia no telejornal da SIC e não teve nada de histeria.
    Referiram-se ao facto de a notícia saída na imprensa, dar muito falatório, principalmente em Faro.
    Então foram falar com uma das responsáveis que ministra os cursos para os funcionários das lojas do cidadão, que explicou muito claramente, que não era nenhuma imposição, regra ou coisa do género. Simplesmente num dos manuais, salvo erro sobre normas de conduta no atendimento ao público, referia-se que os funcionários tivessem em atenção, entre várias outras coisas (educação, disponibilidade etc), a sua apresentação pessoal, isto é o vestuário.

    Tenho para mim que este país, tem a síndrome da ditadura e da censura e qualquer laivo ou cheiro que se assemelhe a ela, dá logo em parangonas, oportunismo e peixeirada.

    1. Tocou no ponto certo, Patti. E, cá,para mim, no CM também sábiam disso, mas dizer tudo claramente não era notícia. Depois, o efeito mimético da imprensa provocou o eco do costume e levantaram-se as almas indignadas com a abusiva intervenção do governo.

  6. Ok. Então, em suma: MONTANHA PARIU UM RATO! Ficou o CM a braços com mais um desses seus delitos a que já nos habituou!
    Independentem. disso, e lido os comentários, acho que sim senhor: deve haver bom senso! Porém penso assim, resumidamente isto: há mini saias e blusas decotadas lindíssimas e a adequadíssimas para diversas ocasiões e outras de mau gosto, porque extremamente despotivas para certos locais de trabalho. Tudo depende de muita coisa. E o nosso cérebro vai processandoa informação…;) Pois

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