No sábado passado houve celebração internacional conjunta dos idosos e da música. O Presidente da República foi à Casa do Artista, que apresentou um curto espectáculo musical, e prestou homenagem à minha querida amiga Nini Remartinez, antiga cantora do dueto Irmãs Remartinez, que aos 97 anos é uma das pessoas mais jovens e inspiradoras que conheço. Como o Presidente chegou rodeado de câmaras de televisão, à noite passeei pelos telejornais em busca da reportagem da visita. Na RTP, mostraram o Presidente a falar do sigilo bancário, à porta da Casa do Artista, sem qualquer referência ao local e ao motivo da visita. Sobre o dia do idoso, o telejornal do canal público de televisão apresentou uma reportagem sobre a crescente obesidade dos mais velhos, por preferirem dietas pouco saudáveis. A TVI foi mais longe no esticar dos princípios deontológicos do jornalismo: utilizou o coro de crianças que cantou para o Presidente na Casa do Artista como ilustração do “coro das críticas da esquerda” ao veto presidencial da lei sobre a quebra do sigilo bancário. Nem uma referência à instituição, à homenagem, ou ao anúncio feito por Marcelo de que realizaria em breve, na Presidência, um evento conjunto com a Casa do Artista. Só a SIC apresentou, depois das declarações sobre o sigilo bancário, uma reportagem sobre o evento em que tais declarações haviam sido feitas.
O bom-senso e a boa educação mandariam que, em visitas oficiais a instituições de solidariedade ou cultura, o Presidente se limitasse a falar dos temas das visitas. Isso não evitaria o uso abusivo de imagens ( no caso, ainda por cima, de crianças), mas obrigaria a chamar a atenção dos meios de comunicação para o assunto ou a instituição em causa. Os afectos não podem ser só cenário, pois não?


Boa noite.
Bom senso e boa educação?
Era bom que os pudéssemos encontrar amiúde.
Cumps.
António Cabral
Tem toda a razão. Temo é que a “festa” à volta do nosso presidente acabe mal…