Em 1513 terá chegado à China. Foi o primeiro europeu que lá aportou por via marítima, o primeiro em Hong Kong. Era português. Os 500 anos assinalam-se este ano e antes que terminem sem uma justa lembrança por parte de quem tinha a obrigação de fazê-lo e se queixa de estarmos numa situação de “protectorado”, hoje, em Macau, um grupo de residentes marcará o momento com a deposição de uma coroa de flores junto à estátua do navegador e uma pequena palestra evocativa.
Porque é dever de todos honrar a memória dos que nos precederam. Porque não temos de ter vergonha de quem abriu caminho às relações de amizade entre Portugal e a China e ao conhecimento mútuo. Porque o gesto é claro e sem outro propósito que não seja o da celebração da tolerância e da amizade entre os povos, e, finalmente, porque o nome de Jorge Álvares não pode ficar eternamente associado a uma fundação de triste memória que a todos os portugueses envergonhou pela forma como foi instituída, entendi ser meu dever aqui assinalar o evento. Para memória futura.
A História não pode ser mudada. Muito menos abusivamente apropriada por uns quantos para ser depois romanceada ao sabor das circunstâncias e de oportunismos vários.


Muito bem, Sérgio.
Obrigada.