Je suis Vilhena


Pedro Correia,

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0 comentários em “Je suis Vilhena”

    1. Desenhos do grande José Vilhena, o patriarca da caricatura satírica em Portugal. Com os seus 87 anos, merece sem dúvida uma homenagem.
      Não tenho dúvida que algumas destas caricaturas não seriam hoje publicadas na grande maioria das revistas e jornais portugueses. Incluindo naquelas publicações dirigidas por jornalistas que andam a bater no peito dizendo “Je suis Charlie!”

      1. «Não tenho dúvida que algumas destas caricaturas não seriam hoje publicadas na grande maioria das revistas e jornais portugueses. Incluindo naquelas publicações dirigidas por jornalistas que andam a bater no peito dizendo “Je suis Charlie!”»

        Ora nem mais!

      2. José Vilhena nunca publicou nem tentou publicar, que eu saiba, caricaturas em revistas ou jornais, a não ser nas suas próprias revistas.
        Nunca pediu a outrem que lhe publicasse os seus textos e desenhos. Publicava-os ele mesmo.

    1. Pois não. Ainda há dias, quando eu ia a 200km na auto-estrada do Oeste, um GNR mandou-me parar. Disse ao gajo: «Desapareça, senhor Guarda». E ele, armado em pide, multou-me.
      Está assim Portugal. Amordaçado.

  1. Já não se faz cá disto. Ficarei a aguardar cenas dos próximos capítulos pela actualidade que revelam. Para partilhar já a seguir.

  2. Se há coisa que o tuga faz bem é rir de si próprio. Nessa matéria ninguém nos dá lições. É um orgulho.
    Os tempos do Vilhena eram outros. Agora o humor anda mais envernizado…

    1. É verdade, Teresa. Infelizmente nós, por cá, nem precisamos de terroristas islâmicos para silenciar a sátira política e de costumes. A autocensura e o ancestral respeitinho encarregam-se disso.

    2. Tenho sérias dúvidas que saibamos rir de nós próprios. Rir dos outros é nos mais peculiar. O que sabemos, isso sim, é incorporar expressões no uso corrente da nossa língua, que nunca foram nossas, e que inicialmente eram usadas, com escárnio, em nosso desprimor. É caso de “tuga”, inicialmente, “portuga”, e depois abreviado para “tuga”. Expressão usada pelo negros em África para escarnecer dos portugueses brancos, acabados de chegar da “Metrópole”, com pronúncia e hábitos ainda provincianos, possivelmente, em contraponto à expressão “turra” usada pelos portugueses em África para se referirem aos negros que lutavam contra o colonialismo ou àqueles que denotavam qualquer simpatia em relação à sua luta armada: “este deve ser turra”.

      Confesso que não gosto de ambos. O primeiro, porque fui (quase) nado e criado em África (Angola) e conheço bem do profundo desprezo pelos portugueses que este termo escondia (e ainda esconde) por quem o usava (ou usa). E o segundo, porque o termo escondia aos olhos dos portugueses que aqueles “turras” estavam, afinal, a lutar pelo seu direito a serem livres e independentes.

        1. Não há nenhum delito no uso de qualquer uma das expressões. Esteja à vontade. Eu também estou à vontade em embirrar solenemente com o seu uso e com quem as usa. A liberdade tem destas coisas!

          1. É verdade. Eu já tive uma série neste blogue (com mais de 30 textos) intitulada “Os Tugas”, veja lá. Por acaso já tive outra (que chegou aos cem) intitulada “Palavras que detesto”. E ainda outra chamada “Expressões que odeio”.
            Mas tudo isto decorre da liberdade natural de gostarmos ou não gostarmos, de aplaudirmos ou apuparmos. Não por acaso este blogue se chama Delito de Opinião. Contra as unanimidades. E sobretudo contra os falsos unanimismos ditados pela correcção política.

          2. Estamos, pois, neste campo — o da liberdade, e que é indeclinável — de acordo. Sou, também, avesso ao politicamente correcto. É por isso que aprecio o Delito de Opinião (com e sem maiúsculas).

          3. Agradeço as suas palavras sobre o Delito, Manuel. E identifico-me em absoluto com o seu conceito de liberdade. Substantivo que dispensa adjectivos.

  3. A escola do Vilhena foi refinada com a censura que aturou no salazarismo.

    O salazarismo criou os melhores humoristas, poetas, cantautores e cartoonistas e jornalistas.

    A partir da diTADURA QUALQUER MERDA DEU À TONA.

  4. Isso existiu? O Pai da Democracia caricaturado?! E esse Vilhena não será uma invenção do Rui Mateus nos Contos sobre um ps desconhecido?
    É preciso apagar esses riscos,depressa,são uma inventona meu caro senhor.

  5. Lembro-me de alguns livros dele que li na adolescência como p. ex. “Branca de Neve e os 700 Anões”, “A Menina do Chapèuzinho Vermelho”, ” O Furúnculo”, “0 Beijo” e tantos outros, que são histórias engraçadìssimas ilustradas com o seu traço inconfundível.
    Penso que a “Gaiola Aberta” vem a seguir ao 25/4, e foi uma revista de sátira, de critica social e politica que na minha minha opinião era muito melhor que o Charlie Hebdo.
    No tempo de “O Mundo Ri” eu era míudo, mas lembro-me que tinha saída irregular porque o Vilhena de vez em quando ia passar umas férias às “termas de Caxias” porque não respeitava a censura.
    José Vilhena é genial.

    1. Sem dúvida, Alexandre. Uma semana depois, que eu tivesse visto, ninguém aludiu ao grande Vilhena a propósito do ‘Charlie Hebdo’. Quando ele foi – de longe – o mais próximo que tivemos dos desenhadores assassinados. Totalmente iconoclasta, perseguido antes e até depois do 25 de Abril por causa disso, e marginalizado por todas as bem-pensâncias do sistema.
      Como é costume entre nós, deixamos apagar as pessoas que se distinguem de alguma forma, seja no que for, pela maneira mais vil, muito à portuguesa: pelo esquecimento. A desmemória galopante nas redacções de jornais também contribui para isso.

  6. Ume pequena notícia numa Gaiola Aberta de 1980 falava de uma jovem menina, Maria da Constituição da República e Silva, que, apenas com quatro anos de idade, já tinha sido repetidamente violada, praticamente desde que nascera. Uma pérola!

  7. Sublime, acho que tenho na arrecadação alguns exemplares da colecção o Mundo Ri. Lembra-se do personagem Pascoal?

  8. Ultimamente numa onda de revivalismo saudosista, vá lá saber-se porquê, recordo a predileção do meu pai pelas publicações do Vilhena, cartoons para todos os gostos e paladares, livrinhos soft core que a rapaziada lia às escondidas, humor acutilante, machista e bruto, mas tão bem humorado, que não havia quem não esboçasse um sorriso, puritano, arreganhado ou ruidoso.
    O buzz do piropo à luz das publicações do Vilhena teria ateado fogo às feministas de agora, as suas conquistas e liberdades, com resultados seguramente imprevisíveis.
    O humor só pode revoltar insensíveis e pessoas mal resolvidas, cujo escape para as frustrações sempre em nome de outrem ou de uma causa Universal, é atingir os fins sem pesar os meios.

    1. A apreciação das obras varia com o tempo. Vilhena, tão depreciado noutros tempos, ganhou uma patine quase respeitável. E merece ser lembrado pela irreverência que nunca deixou de cultivar.

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