Entrevistei-o há dois anos: ficou-me dele a imagem de uma pessoa afável e cordial. E com um fino sentido de humor que marcava de algum modo a sua maneira de encarar a vida. Era de um clube diferente do meu. Mas sempre apreciei a frontalidade com que o defendia, a sua determinação na troca de argumentos e o modo como se relacionava com adeptos de outros emblemas clubísticos, com quem mantinha longas e sólidas relações de amizade. Pôncio Monteiro, que hoje morreu aos 70 anos, era um dos raros comunicadores genuínos da nossa televisão – primeiro na SIC, ultimamente na TVI24. Nada artificial, nada postiço. Dizia o que realmente sentia e o que realmente pensava, com o coração ao pé da boca, sem nunca deixar de ser um gentleman. Há poucos como ele: basta reparar noutros comentadores de futebol, noutros canais, para se perceber a diferença. Até por isso, o vazio que deixa será mais difícil de preencher.
Sou do Sporting, quase nunca concordava com o que dizia, mas já sinto saudades dele.


Tem razão e assinale-se a elevação da referência. A coragem e frontalidade genuína que outros ousam nem sempre tem que nos agradar. Pareceu-me sempre uma pessoa aberta ao combate franco de ideias sem se refugiar em saturados modelos de catálogo. Não sei se alguma vez se “meteu” com o meu Desportivo de Chaves, mas se o fez, também por essa via os flavienses só tinham que se considerar grandes.
Registo esta sua frase, que naturalmente subscrevo: “Pareceu-me sempre uma pessoa aberta ao combate franco de ideias sem se refugiar em saturados modelos de catálogo.” Cada vez valorizo mais isso, até por estar cada vez mais ausente das pantalhas.