
O Parlamento grego, apesar de se ir constantemente esboroando, lá conseguiu aprovar à tangente mais um pacote de austeridade. Os deputados da própria maioria que votaram contra são naturalmente expulsos das fileiras do partido, numa eloquente concepção de democracia. Entretanto, surgem manifestações de 100.000 pessoas em frente ao Parlamento, protestando contra os cortes. O que não admira. Eu já perdi a conta à quantidade de vezes que os funcionários públicos e pensionistas gregos viram os seus rendimentos cortados, enquanto os outros cidadãos são massacrados com sucessivos aumentos de impostos. Espantam-me que ainda tenham dinheiro para comer. O próximo passo será o corte do salário mínimo ou a semana de seis dias. No futuro atingiremos se calhar as 18 horas de trabalho diário a troco de tostões, tal como descrito nos romances de Charles Dickens. Aí a Grécia será verdadeiramente competitiva, um exemplo para Portugal que, como várias vezes tenho referido, dela só se distingue por ter um ano de atraso.
Por cá, o Primeiro-Ministro descobriu finalmente que ele é que tem que fazer os cortes na despesa, sendo patético que o Governo tenha andado a estender a mão à oposição para que o ajudasse a fazer o que já deveria ter feito há muito tempo. Entretanto, prepara-se para receber em apoteose quem verdadeiramente manda na Europa e consequentemente também em Portugal. Mas toda a gente já sabe que o Memorando da troika é inexequível e que um segundo resgate é inevitável. Resta saber durante quanto tempo os nossos “parceiros” europeus estarão dispostos a continuar a meter o seu dinheiro numa solução que na Grécia já provou não ter qualquer sucesso, sendo que Portugal estará a curto prazo na mesma situação.
Acho que é altura de os cidadãos se perguntarem se vale mesmo a pena continuar no euro. Não são os alemães que dizem que mais vale um fim com horror a um horror sem fim? Se o euro não é a moeda da Europa no seu conjunto, mas apenas a moeda da Alemanha, então a Alemanha que fique com ela.

Entretanto Hollande a ex-luz ao fundo do tunel da esquerda europeia, mesmo sem ter a troika a contas baixou a TSU.
C’est vraiment dégueulasse…
A dramatização intencional continua.
Não sei como a maioria dos países do mundo vive com menos de 20000 Euros que para os Gregos segundo o autor é impossível…
Obviamente que é um choque passar de 30000 só devido ao crédito para pouco mais de 20000…
A marinha grega e a força aérea ainda há pouco estiveram num exercício, suponho que havia dinheiro para a gasolina…
Uma vez mais, o seu pensamento é lúcido. Um dos problemas da “nossa” política consiste em tornar complicado aquilo que é por demais simples. Eles enrolam-se em fórmulas de mercados, que têm a presunção de conhecer, em receitas alemãs, que por inépcia aplicam, em messianismos bacôcos, sem conhecer o sentido da missão, e em pseudo-negociações que mais não são que auto-justificações.
Não me perguntem qual a saída desta situação; perguntem-me antes como desejo morrer. E eu respondo: quero morrer de pé, como as árvores tão bem o fazem. Quero morrer lúcido, não mais viver com a morfina paliativa que não me tira a dor. Mas quero uma morte profícua. Antes de morrer quero usar minhas forças a sacudir meus próprios ramos, para que possa cair a semente de um novo despertar.
Quero ficar para sempre entre os carvalhos, ou pinheiros, em seiva, folhas e ninhos transformado. Quero que o canto dos pássaros me envolva. Se dejectos esparsos me salpicam, NÃO IMPORTA.
Em cada ano sou, renovadamente, Primavera.
Bravo, finalmente começam a aparecer mais vozes que quebram o tabu da saída do EURO.
A situação até é bastante simples de perceber, uma moeda tão forte como o EURO somente pode ser boa e útil para economias fortes e dominantes como a alemã, ora para pequenas economias abertas como a nossa seria como obrigar alguém que ganha o salário mínimo a andar de ferrari…e o dinheiro para a gasolina? E o seguro? E o IUC? E as revisões?
Sim, o ferrari é um carro muito bom, mas só temos capacidade economica para sustentar um clio.
Que regresse o escudo.
Moeda é mais poder para os nosso políticos.
Quer dar-lhes mais poder?
Não há maneira de aprenderem sequer a história do próprio país…Diga-me que raio fez o Escudo para travar as intervenções anteriores do FMI?
Veja o que acontece com moeda:
http://abcnews.go.com/International/wire Story/argentines-prepare-huge-anti-gover nment-march-17669749#.UJunUIboqf0
By DAMIAN PACHTER Associated Press
BUENOS AIRES, Argentina November 8, 2012 (AP)
Angry over inflation, crime and corruption, people of all ages jammed the capital’s streets for nearly four hours to protest against President Cristina Fernandez in Argentina’s biggest anti-government demonstration in years…
e eu acho, Luís Menezes, que é também altura dos cidadãos se perguntarem se ainda existem.