Isto dito por ele, e não por Soares, tem outra força


Sérgio de Almeida Correia,

“E é evidente que a gestão neoliberal do Governo está a destruir o Estado Social. O Estado Social, uma conquista do ocidente, é uma convergência do socialismo democrático, da doutrina social da Igreja e até do manifesto comunista de Karl Marx. (As palavras têm uma força tremenda. Às vezes falo do poder da palavra contra a palavra do poder.) Na Constituição portuguesa o Estado Social é uma principiologia. Não é uma regra imediatamente imperativa. O que diz é: na medida da possibilidade. É estranho que se transforme uma principiologia numa rejeição. Não se devem rejeitar princípios, em especial princípios que levaram séculos a ser desenvolvidos e a ser incorporados na cultura da população. Nesse aspecto, tenho uma certa apreensão e falta de confiança no entendimento da real situação portuguesa. E não posso considerar que o Orçamento seja o elemento fundamental. Os que estão já numa situação de pobreza, juntos, têm força suficiente para dar um murro na mesa [e exigir] que os princípios da UE seja respeitados.” – Adriano Moreira, aqui

 

Sem prejuízo do sublinhado ser meu, bastaria um décimo da inteligência, lucidez e boa fé deste homem para termos um bom governo.

17 comentários em “Isto dito por ele, e não por Soares, tem outra força”

  1. Caro Sérgio,

    Concordo em absoluto. Só discordo na comparação a Soares, estamos a falar de patamares muito, mas muito diferentes de intervenção política. Sendo de idades comparáveis, o Prof. Adriano Moreira mantém uma lucidez e paz de raciocínio que o Dr. Mário Soares já perdeu.

    1. Caro Carlos,
      A referência a Mário Soares não visa estabelecer comparações e só tem uma razão: é que a Adriano Moreira ninguém poderá acusar de ser um perigoso esquerdista, de ter mudado de campo ou de fazer declarações por razões de oportunismo político para derrubar o governo ou ajudar a oposição.

  2. Concordo em absoluto, com Adriano Moreira e com o teu comentário às suas palavras. Só aparentemente essa convergência é estranha, porque o Estado Social é um bem inquestionável na matriz humanista que preside à maioria das ideologias. É curioso ver como, ultimamente, pessoas mais à direita como Adriano Moreira, Bagão Félix ou Manuela Ferreira Leite têm sido aclamados e citados pela esquerda, coisa que seria impensável em tempos ditos “normais”. E, por outro lado, ver como essas pessoas criticam violentamente o caminho trilhado pelos partidos em que se destacaram. Mas basta pensarmos um pouco para encontrarmos a resposta: a distinção das ideias já não é partidária mas de carácter pessoal, ou seja, entre os que defendem intransigentemente a matriz humanista e os que a sacrificam à economia e aos números, seja qual for o partido a que pertencem uns e outros. Pessoalmente congratulo-me, porque considero este facto um avanço considerável na maturidade da nossa democracia.

      1. «os que defendem intransigentemente a matriz humanista e os que a sacrificam à economia e aos números»
        Normalmente pertencem à segunda espécie os que têm que abrir a carteira e encontrar aquilo com que se realiza a tal matriz.

        Todos falam muito de princípios, mas poucos têm a coragem de dizer o que deve ser feito para acabar com esse mito do «tudo a todos, porque sim»!

      2. «os que defendem intransigentemente a matriz humanista e os que a sacrificam à economia e aos números»

        Os sacrificantes da matriz humanista são também aqueles que têm que a pagar, e acontece que quando o não podem fazer, os intransigentes sempre dizem não acreditar, e assim vão a seus leitos intransigentes e felizes!

  3. Nem o discurso avisado de algumas figuras respeitáveis da direita levará esta gente que nos governa a reflectir sobre os efeitos destrutivos das suas decisões políticas, porque têm do país uma visão instrumental e da democracia uma concepção de jogo. Venham de onde vierem todas as críticas são tacticismos da oposição, interna ou externa, tanto lhes faz. A cegueira é isto.

    1. As visões instrumentais aliadas às visões economicistas já de si são muito destruidoras.
      Mas então a falta daquela sensibilidade social que provoca aquela benfazeja cegueira que não distingue o possível do desejável agrava muito a situação!

  4. Resumindo:
    Este Governo que aumenta o poder do Estado é por isso Neoliberal porque não o aumenta ao ritmo dos anos anteriores. É o mesmo que MRPP chamar capitalista ao PCP…

    “E é evidente que a gestão neoliberal do Governo está a destruir o Estado Social.”

    Uma frase mentirosa.
    -Não há nada de neoliberal num governo por onde passam cerca de 50% da riqueza nacional.

    “Não se devem rejeitar princípios, em especial princípios que levaram séculos a ser desenvolvidos e a ser incorporados na cultura da população.”

    -Adriano Moreira dedica-se à invenção.
    O Estado Social não tem séculos e ainda tem ainda menos anos em Portugal.

    – E não posso considerar que o Orçamento seja o elemento fundamental. Os que estão já numa situação de pobreza, juntos, têm força suficiente para dar um murro na mesa [e exigir] que os princípios da UE seja respeitados.

    A mentira continua por todo o parágrafo, a UE não obriga coisa nenhuma. Há países na UE muito menos socialistas que Portugal. Por isso Adriano Moreira mente descaradamente como bom populista adaptado ao Regime.

    “Os que estão já numa situação de pobreza”
    -É ,entre outros, Adriano Moreira um dos responsáveis por esta pobreza. Apoiante do regime populista, responsável por não tornar o Orçamento como “elemento fundamental” durante 40 anos é inevitável que tenha bancarrotas periódicas e a consequente destruição que estas provocam.

    1. Eu julgo que o senhor Moreira, não tendo como justificar ter produzido uma filha esquerdalha, atenua o seu fracasso como doutrinador fazendo uma muito conveniente adaptação da doutrina.

  5. “O Estado Social, uma conquista do ocidente, é uma convergência do socialismo democrático, da doutrina social da Igreja e até do manifesto comunista de Karl Marx.”

    Isto é realmente devastador. Vê-se pois que este decano da nossa política padece dos mesmos interesses e culpas que todos os da sua geração, que inexplicavelmente, ou talvez não, se atiram como cães raivosos a este governo, que não interessando a cor, só vai fazendo conforme lhe impõe os credores, esses malvados neoliberais, em vez de fazerem eles próprios um exame de consciência sobre todos as borradas que fizeram na gestão ruinosa do pais, a ponto de termos chegado à actual situação.
    Quanto aos princípios da UE, eles foram sendo sustentados até ao limite por quem trabalha arduamente e sem qualquer sistema social de apoio.

  6. As posições de Adriano Moreira são sempre uma lufada de ar fresco no panorama político nacional. De tal forma o são que até os meus amigos e amigas comunistas e bloquistas se colocam em sentido quando o nomeiam ou citam. Isto revela o respeito que este Homem colhe em todos os quadrantes políticos, com excepção para estes que andam a armar aos estadistas, aos missionário(a)s e aos justiceiros.

    Adriano Moreira é um vulto que nunca se apagará. Não tenho dúvidas que, tal como Salazar, Cunhal e Soares (ainda que Soares, e outros mais, tenham contas a ajustar com a história no que respeita à descolonização: Pela miséria política e social que ainda hoje se vê por lá), ele marcará a história de Portugal do século XX, e deste início de século.

  7. O problema da divisão politica entre esquerda e direita. Esta direita do Adriano Moreira e da Manuela nunca, mas nunca foi liberal. Aliás, de liberal não têm nada. Sempre foram de direita nos costumes. Muito Patriotas e muito religiosos. Em questões relacionadas com a despesa estatal sempre foram muito mais responsáveis que a esquerda, mas sempre foram do ponto de vista económico socialistas. O problema é que em Portugal não existe com representatividade no parlamento Português qualquer liberal. Bastaria conhecer um pouco das ideias dos políticos Portugueses e um pouco das ideias Políticas liberais para se perceber isso.

  8. Camaradas, visito a vossa casa pois infelizmente o arrastão fechou.
    Mas ao ler este post de certeza que mais vezes encontrarei aqui as forças para enfrentar os perigosos ultra neo liberais.
    Temos de acabar com os ricos. Só quando o conseguirmos é que seremos uma sociedade equalitária, sem ricos e sem pobres.
    Faço minhas as palavras do camarada Adriano Moreira “temos de dar um murro na mesa” e mostrar a estes fascistas salazarentos ao serviço do grande capital e do imperialismo que têm de mudar de rumo, a economia não é o mais importante, as pessoas é que são o mais importante.

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