Iron Lady


Pedro Correia,

Desfeito o mito de que todos os governos em funções perdem eleições na Europa: Angela Merkel vence e convence, com mais oito pontos percentuais do que nas legislativas de 2009. Os “analistas” que confundem desejos com realidades saem derrotados: nenhum deles anteviu este resultado.

Nada de decisivo na Europa se poderá fazer sem Merkel. E muito menos contra ela. O povo alemão assim o quis.

44 comentários em “Iron Lady”

  1. Há de facto um “pequeno pormenor” que muitas vezes escapa aos muitos adeptos do “wishful thinking” que por aí abundam : tal como em Espanha votam os espanhóis , na Grécia votam os gregos e aqui votamos nós , na Alemanha votam os alemães .

    E confundir o que nós gostaríamos que acontecesse com o que os outros querem que aconteça não é grande ideia dentro do mesmo país quanto mais de uns países para os outros .

    Tudo o resto é conhecer mal o sistema político alemão e o “acordo de regime” mais ou menos tácito que lá vigora .
    Ganhasse quem ganhasse isso pouco iría alterar a vida do resto da Europa .
    Da Europa e não só pois os EUA já viveram dias mais felizes .

    1. Bastaria verificar os indicadores económicos divulgados em Berlim, em comparação com as estatísticas que emanam da maioria das restantes capitais europeias, para se perceber que a situação ali seria de continuidade. E já nem falo das sucessivas ‘gaffes’ do principal competidor de Merkel, um homem que visivelmente não estava fadado para aquelas lides. Com ou sem dedo médio espetado.
      No fundo, meu caro, é o que você diz quando alude ao ‘wishful thinking’…

  2. Pedro,

    a festa vai começar agora. Se alguém pensa que a crise na Europa, e no mundo, tem a dimensão portuguesa engana-se. Esta vitória só vem confirmar que a Alemanha mudará. Merkel vence precisamente pela crise. O povo alemão em tempos de crise sempre desejou gente aparentemente forte. Os discursos dos vencdores sempre foram fortes na Alemanha, mas as realidades muito tristes.

    1. Falando em tese geral, eu na Europa tenho sempre mais receio das lideranças fracas do que das lideranças fortes. Entendo que a clarificação política é salutar – e ninguém pode dizer que não houve clarificação agora na Alemanha, ainda por cima numas eleições muito participadas.
      Angela Merkel tem uma vantagem: sabe-se o que defende e ao que vem. Julgo que o eleitorado alemão também a recompensou por isso. E a verdade é que a Alemanha tem vindo a ser a locomotiva económica de uma Europa em recessão, com a Espanha em estilhaços, a Itália quase a afogar-se e a França estagnada.
      Também em tese geral, a minha maior preocupação ocorre perante o crescimento eleitoral das forças anti-europeias, que por cartilha nacionalista, oportunismo populista ou impulso xenófobo preferem regressar à Europa anterior à UE. O problema é que essa Europa tinha atrás de si mil anos de conflitos, incluindo alguns dos mais sangrentos da história. Nenhum dos problemas actuais da Europa se compara a isso.

      1. Pedro,

        compreendo o alcance que pretende imprimir com esse lugar comum de lideranças fortes e fracas. Nós em Portugal também temos lideranças “fortes”, fortes em seguir obstinadamente padrões errados e mal ditados. Porém, agravámos a nossa situação. Devo dizer-lhe que essa atitude advém de um seguidismo à dupla Schauble/Merkel, e começou com Sócrates/Teixeira dos Santos. Veja o que a fortaleza faz.

        A alemanha clarificou o modelo que estava desenhado há um ano: ouviu o discurso que lhe agradava e que lhe era conveniente. Só que agora vão aperceber-se que as deficiências de sua nação estavam ocultas num discurso xenófobo e sectário relativamente a certos países.
        Espero que os dirigentes alemães consigam explicar a situação dos bancos estaduais alemães e qual a razão de terem chegado a um estado menos bom. E que lhes responda também se os juros pagos pelos países do sul estarão ou não recapitalizar alguns desses bancos (?). Veja aqui:
        http://rr.sapo.pt/opiniao_detalhe.aspx?fid=73&did=114443

        A vantagem que aponta para Merkel é a desvantagem futura da alemanha e até mesmo da União. Espero que os líderes alemães sejam capaz de explicar aos eleitores o discurso contraditório que fazem internamente face ao que dizem externamente. Veja aqui:
        http://sol.sapo.pt/inicio/Internacional/Interior.aspx?content_id=80059

        Diz que a alemanha tem sido a locomotiva económica da Europa. Pode concretizar em que sentido tem sido feita essa locomoção? Será que é através de salários baixos sem descontos futuros para a sEgurança social? É este o modelo que desejam implementar sob o signo da “flexibilização”. Veja aqui:
        http://sol.sapo.pt/inicio/Internacional/Interior.aspx?content_id=77655

        Por último, não se esqueça que a força anti-europeia começou com o discurso da preguiça atribuida por Merkel aos países do sul, antes da Holanda ter caído na situação que hoje se sabe e que quer implementar agora o sistema sob a nomenclatura de uma sociedade “participativa”, isto é, não há subsídios e quem quiser pode participar na miséria.
        A Europa tem riqueza suficiente para sair desta crise, não tem é disponibilidade para colocar essa riqueza ao serviço dessa dita construção europeia que dá conta na última parte de seu comentário.
        O problema actual da Europa não se compara a esse tipo de conflitos, por enquanto. Mas eu vislumbro que se preparam outros em terreno “neutro” (fora) para justificar perante muitos a necessidade de aceitarem sua condição.
        A Alemanha viveu e sobreviveu com a Europa, e quer fazer crer que a Europa sem ela não vive, mas é ela que encobre suas deficiências apostando na crise dos outros.

        1. Eu não nego a pertinência de vários dos seus argumentos, mas como venho referindo em vários dos ‘aforismos políticos’ que aqui publico diariamente, a força dos factos é enorme. As eleições legislativas na Alemanha confirmam a enorme popularidade interna de Angela Merkel: é inútil desvalorizar este facto recorrendo, como alguns fazem, aos mais rasteiros estereótipos ou ao anátema ao “estrangeiro”: era isso que transparecia daquelas manifestações com cartazes em que se via a líder germânica com bigodinho à Hitler e fardada de SS.
          A coesão alemã, com a sua liderança política forte e o seu peso demográfico e a sua relativa prosperidade económica (foi, dos grandes países europeus, aquele que de longe mais resistiu à vaga da crise), é uma boa notícia para a Europa. Repare que a Alemanha só se tornou uma ameaça para o continente quando perdeu a prosperidade. Não podemos desvalorizar o peso político de Merkel, agora reforçado com esta concludente vitória nas urnas. E repare também que a Alemanha é um país onde não faltam opções políticas alternativas, à esquerda e à direita. Os alemães não votaram às cegas.
          A maior fonte de problemas para Portugal, a nível europeu, provém das forças eurocépticas, em expansão crescente no continente, que defendem uma Europa a duas velocidades, sem cláusulas de ajustamento, ou até a dissolução da UE, começando pelo regresso às moedas nacionais. Esse seria para nós o pior dos cenários. Voltámos a estar entregues a nós próprios, é certo. Mas, tendo sido conduzidos a três situações de bancarrota em menos de quatro décadas, que garantias haveria – uma vez reconduzidos ao nosso reduto, sem assistência externa – de termos aprendido alguma coisa com as amargas lições deste passado?

          1. Pedro,

            não posso deixar de concordar com as suas teses, que intelectualmente são inabaláveis. Mas o aspecto prático desta questão é que a Alemanha sem Europa não o será.
            E o modelo de desenvolvimento que preconiza em torno de suas políticas já não pode ter expressão interna, é aqui que o Pedro se contradiz. A prosperidade alemã só resultou depois que esta foi apoiada por vários países a nível europeu e mundial; e ela não pode nem deve pretender implementar um modelo que lhe será também fatal. Merkel fez um excelente discurso interno, mas não tem bases sólidas para o manter na prática. Ela mesma está a construir sua ruína se não for capaz de aceitar as evidências. A alemanha, a solo, não representa nada de nada na cena mundial.
            O problema nacional está identificado, os países germanófilos e seus aliados estão a compreender que a crise é de outra natureza. Todos eles perderam com a crise dos outros, e não porque a estejam a pagar.

          2. Meu caro: todos perdemos com a crise, não tenho a menor dúvida. Mas uns têm mais a perder do que outros. Nós, com a nossa economia tão frágil e estando dependentes como estamos do crédito externo, teremos sempre mais a perder do que os alemães.
            Ou lançamos as bases para nos tornarmos menos dependentes da ajuda externa, que nunca é desinteressada, ou jamais nos libertaremos deste ciclo vicioso do défice e da dívida que nos impede de exercer a plena soberania nacional e condena ao fracasso, desde a raiz, todas as políticas distributivas. Porque só se pode distribuir a riqueza que existe, não a riqueza virtual.
            De qualquer modo, julgo ser útil para nós a existência de um Governo forte em Berlim, com interlocutores que ninguém duvida quem sejam, do que um executivo fraco, dependente dos precários equilíbrios dos jogos partidários. Isso só somaria crise à crise.
            E nós temos, urgentemente, de sair dela.

          3. Sim,

            temos de sair da crise. No caso português não se sai dela desbaratando ainda a mais a fraca economia existente e o que ainda a pode sustentar. Não sei se lhe disse, mas irei fazer agora: a crise europeia e mundial é uma crise provocada, e, posteriormente, surge não desinteressadamente um ataque ao euro, pois convém aos EUA reaver a hegemonia do dólar. Paralelamente os países comprometidos com a reserva monetária americana, em particular a China, o Japão e vários páises agora ditos emergentes, têm dado uma ajuda a esta política no sentido de salvaguardarem a sutentabilidade dessa moeda.
            A questão redistributiva vai estar na ordem do dia, porque agora quem tem não redistribui, acumula.
            Continuo a dizer-lhe que Berlim só será forte com a Europa forte; e os acontecimentos do futuro mostrarão se esta política se mantiver.
            Para lançar as bases no sentido de nos tornarmos menos dependentes do exterior é necessário rever tudo quanto até agora nos tem tornado mais dependente deles: a começar pela renegociação da dívida e do défice.

          4. Pedro,

            para sua informação, permita um aditamento ao comentário que fiz e que ainda não publicou. Quero proporcionar-lhe mais um olhar para que compreenda que não saíremos da crise pela via preconizada e quais as razõs de minhas afirmações.
            Existe um estudo que ajuda a comprender os contornos de toda esta situação, para além do que afirmei nesse comentário. Veja aqui:

            http://visao.sapo.pt/bancocracia-a-verdadeira-historia-da-crise-bancaria-portuguesa=f749889

            Portugal é e sempre foi espartilhado por uma teia de interesses, que tem usado peões, mudando a cor dos naipes consoante as ocasiões, para consolidar o status quo. mas os outros, os de fora, também querem entrar na festa. É o que fazem. As tão apregoadas privatizações, e não só, estão em cima da mesa para isso mesmo.
            Por isto, Pedro, essa de governos “fortes”, controlados por interesses financeiros que se sobrepõe a interesses de nações, nem no país da Alice existem.

          5. Meu caro,
            Claro que existe uma guerra do dólar ao euro. E que as chamadas agências de ‘rating’ são instrumentais nessa guerra.
            O mundo é assim mesmo. Não vivemos num mundo de anjos e até por isso não podemos perder de vista o nosso interesse nesse contexto.
            O nosso interesse é permanecer no euro. E permanecer na União Europeia. E que o euro seja uma moeda forte. E que a União Europeia tenha a estabilidade e a coesão necessárias ao desenvolvimento equitativo de todos os seus membros. Sem Europas a “duas velocidades”.
            Não queremos novas bancarrotas – bastaram-nos três em pouco mais de 30 anos. Não queremos voltar a ser “resgatados”. Não queremos novos “memorandos de entendimento” nem voltar a ficar prisoneiros das teias da dívida e do défice. Não queremos ficar sujeitos a empréstimos usurários.
            Para isso temos de adequar despesas às receitas. Temos de produzir mais riqueza. Temos de adoptar receitas que resultaram noutras paragens e recusar as receitas que a longo prazo só produziram mais pobreza, mais desigualdade e mais miséria.
            Tudo isto parece talvez demasiado simples. Mas por vezes há que sublinhar o que parece simples. As vezes que forem necessárias. Para que os erros já cometidos não venham a repetir-se.

          6. Pedro,

            por vários motivos tive de interromper este nosso diálogo. Sim, estamos de acordo no que devemos evitar. E parece-me que o que é simples é bastante difícil de ver. E o que temos de ver é que este caminho gerou mais pobreza, mais dependência e mais ruína à economia. E a questão substantiva, no que diz respeito à renegociação da dívida e do défice, não passa por aliviar os nossos esforços, mas sim torná-los viáveis a curto, médio e longo prazo. O que até agora tem sido feito nada mais é qu a técnica de tudo comprimir até ao ponto em que não restará outra saída senão a de mostrar algum crescimento económico, mas com um rasto de miséria e de destruição que nem na próxima geração estará fibalizado.
            O resto, Pedro, é retórica de quem até agora só soube revelar que não tem caminhos para apontar, seja na ordem interna seja na ordem externa. Dizendo a Alemanha ser o motor da economia europeia ela só revela que possui pouca cavalagem (hp) e pouca rotação; sabe porquê? Porque a alemanha funciona neste momento com a economia do colchão, isto é, tem dinheiro e não sabe como gastá-lo para além de cobrir défices financeiros através dos défices que ela e outros criaram, por exemplo, na Grécia. E quem guarda dinheiro no colchão sujeita-se a que o mesmo ganhe mofo.
            A Alemanha mudará, e nós também.

          7. Pedro,

            leia-se estabilizado onde escrevi “fibalizado”. Houve qualquer coisa que prendeu meu teclado. Obrigado

  3. Peço desculpa Pedro mas eu previ este resultado. Não sou nem analista, nem comentadora ajuramentada, apenas uma observadora da vida política alemã. Os sinais estavam todos lá .

    Permite-me transcrever uma frase o que escrevi no meu blog

    “O futuro de Portugal também passa por aqui : por compreender os países vitais, como a Alemanha, num momento em que o mundo está em profunda transformação, e isso passa por uma imprensa qualidade.”

    1. Concordo contigo, Helena. Aliás, vivendo tu na Alemanha e tendo um conhecimento directo da realidade, nunca tive a menor dúvida de que os teus textos apontavam na direcção correcta.
      Eu referia-me sobretudo à chamada imprensa de referência. Como o analista da BBC reconhece esta noite, escrevendo de Berlim, “no-one really predicted that she could get so close to an absolute majority.”
      Há aqui uma questão lateral, mas que não deixa de ser uma questão de fundo. Uma questão que tu afloras quando aludes à qualidade da imprensa.

      1. Pedro, muitos “analistas” e comentadores baseiam as suas opiniões num cruzamento do que lêem, ouvem e vêem na imprensa ( aliás se alguém se interessas-se em fazer uma tese sobre plágio teria aqui campo fértil). Referindo-me apenas ao caso português o que se publica sobre a Alemanha é francamente mau, com algumas honrosas excepções, desconhece-se o país, a língua, a complexidade do sistema político, as idiossincrasias sociais. E há uma questão fulcral que é a leitura da realidade enfermada pelo preconceito anti-germânico, que equivale a ver o outro recorrendo a um espelho manipulado.

        1. Sim, como dizes há honrosas excepções, mas não deixam de ser isso mesmo: excepções. Aliás é confrangedor o panorama geral sobre noticiário internacional, que quase só merece relevância se houver atentados ou catástrofres naturais, ou então se incluir príncipes e princesas. E tudo feito com base em estereótipos mesclados com os mais recentes lugares-comuns.
          Tudo isto está relacionado com opções editoriais cada vez mais próximas da tabloidização generalizada. Que alastra já aos chamados títulos de referência.

  4. Só não entendo o porquê de na Europa não se poder fazer nada sem Merkel? É ela quem manda na Europa? Que eu saiba a Alemanha também não está tão bem de saúde como nos fazem acreditar. Uma coisa eu sei: A Alemanha fabrica e bem, mas se o resto da Europa continuar em crise fabricam para quem? Para a china? Os chineses copiam o que lhes mandam fazer e chegará o dia em que já sabem as técnicas todas e aí………..Pois é, ou abrimos os olhos ou vai ser muito mau o que virá!……

    1. Não desvalorize assim os mercados extra-europeus, Ana. O ‘Terceiro Mundo’ já era. Os chamados países emergentes são os grandes beneficiários da globalização. Todos os anos, da China ao Brasil, passando pela Índia, há largas dezenas de milhões de pessoas que ascendem aos padrões da chamada classe média. O chinês médio que só tinha uma bicicleta para conduzir já sonha também em guiar Mercedes, Audis e BMWs. Comparativamente, a Europa periférica é a que tem mais perdido com esta diluição de fronteiras – primeiro com o alargamento da UE a Leste, depois com os efeitos mais generalizados da globalização. Perdemos vantagens competitivas e desperdiçámos mais de duas décadas de integração europeia porque pensávamos que a ajuda externa que aqui desaguava em forma de fundos destinados a a facilitar a nossa integração europeia era inesgotável.
      Não era, como hoje todos sabemos da pior maneira.
      Mas hostilizar os alemães em nada nos beneficia – aliás precisamos, por exemplo, de atrair ainda mais os alemães em forma de receitas turísticas, área da economia em que mantemos uma enorme área de potencial expansão. E quem diz alemães diz holandeses, finlandeses, austríacos ou polacos. Estamos de algum modo condenados a seguir juntos: essa é a receita menos má. Não por acaso, os países europeus que ainda não fazem parte da UE aspiram à integração, como ainda há meses se verificou com a entrada da Croácia como 28º estado comunitário.
      Porque nada teríamos a ganhar em sermos a Albânia do extremo ocidental da Europa, “orgulhosamente sós”.

      1. A China e a Índia como bem sabe vivem de mão de obra barata e trabalho infantil, algo repudiado pela Europa e muito bem. Como sabe, em questão de copianço os chineses são catedráticos, copiam e fazem o mesmo com a tal mão de obra barata a baixo custo, mas sem qualidade e nós compramos mesmo sabendo que são a crianças que o fizeram, já para não falar da proliferação de lojas chinesas que estão ilibadas de impostos e regras, enquanto as nossas são obrigadas a tudo e mais alguma coisa. Não desvalorizo os alemães, vejo é que os grupos económicos lá como cá mandam, o que é muito mau e pouco ético. Ao contrário do que muitos pensam há regiões na Alemanha que têm bom nível de vida enquanto outras…… Quanto ao Brasil eles estão a subir, mas continuam sem saúde, educação…..e mais, se quiser exportar algo para o Brasil que eles já produzem, paga impostos de tal monta que é quase impossível entrar lá dentro, (se calhar fazem bem defendem os seus produtos). Ao contrário nós deslocamos as empresas para os ditos países e outros, onde são feitos a baixo custo e ao entrarem na UE são vendidos a preços bastante altos. Enquanto isso acontece, escasseia trabalho na UE e em contrapartida tiram tudo, aos que já pouco têm sem dó nem piedade e os grandes grupos económicos cada vez têm mais. Isto é abominável e além do mais o sofrimento humano tem limites e parece-me estar a chegar ao auge. Quanto ao turismo enquanto continuarmos com iva a 23% é o mesmo que dizerem que não estão muito preocupados com isso, já os alemães, finlandeses…. continuam a preferir a Espanha para turismo.

        1. Claro que não podemos ser indiferentes à exploração do trabalho em geral, e da exploração do trabalho infantil em particular. Mas a comparação tem de ser vista sempre do ponto de partida. As melhorias sociais, o acesso dos cidadãos a bens de consumo e a conquista de direitos no plano laboral têm sido inegáveis nos países asiáticos e da América Latina no último quarto de século. Todos os indicadores económicos e sociais demonstram isso.
          Nós vivemos na parte do globo que menos tem sido beneficiada pela globalização em termos directos. Mas podemos beneficiar com ela de outra forma, através do aumento das nossas exportações para mercados cada vez mais diversificados e do aumento de receitas turísticas de visitantes que nos chegam em números crescentes de regiões extra-europeias.
          Temos, é verdade, um sério problema de modelo que tarda em adaptar-se às novas realidades. Porque o modelo anterior esgotou-se irremediavelmente. Era um modelo baseado na exploração de matérias-primas baratas, que terminou com o fim do ciclo colonial. Um modelo baseado em energia barata, que terminou quando os países produtores de petróleo decidiram olhar mais aos seus interesses do que aos interesses dos compradores. Um modelo baseado na indústria transformadora que gerava o essencial da riqueza interna e empregava o essencial da mão-de-obra: este modelo também terminou, em grande parte devido às conquistas tecnológicas. Um modelo social alicerçado em taxas de crescimento económico anual superiores a 5% inalcançáveis nos dias de hoje. Um modelo baseado na substituição regular das gerações, que terminou devido ao actual Inverno demográfico na Europa — séria ameaça aos sistemas públicos de segurança social.
          São questões muito concretas e prementes. Devíamos falar mais delas em vez de desperdiçarmos tanta energia em questões laterais que preenchem o tempo quase todo dos debates televisivos sobre política e economia. Nenhum deste problemas se resolverá num só país: todos exigem respostas globais. Porque o desafio é cada vez mais global também.

  5. Os analistas nunca acertam, mas nunca se demitem; e, pior, voltam sempre à carga com as suas análises enviesadas. O Relvas, ao menos, lá acabou por claudicar (mas, vá, depois de o ouvirmos a tentar cantar já não havia mesmo qualquer hipótese).

    1. Se o povo é quem mais ordena, nada melhor do que respeitar a decisão do povo – aqui ou na Alemanha. E tentar interpretá-la da forma mais correcta. Análise política séria é isto.
      O resto é tentar adaptar a realidade – incluindo, neste caso, a realidade alheia – à vontade do analista.
      Isso já é análise da treta – infelizmente é a que mais vigora por aí. Se houvesse uma ASAE para os “analistas” e comentadores, muito já tinham fechado o tasco.

  6. Falta a aprovação dos juízes portugueses para carimbar os resultados. Se nós por cá não sabemos votar saberão os alemães na terra deles?

      1. É verdade o povo é quem mais ordena isso é uma realidade DEMOCRÁTICA, o pior é que em alguns países, onde reza a democracia o povo está cansado e isso é muito mau. Também interessa reconhecer que, apesar da Merkel ganhar, o partido de esquerda (comunista) subiu como não subia desde a queda do muro de Berlim. Também dá que pensar……….

        1. Mas os partidos à esquerda do SPD desceram nesta eleição, Inês: os Verdes passaram de 10,7% para 8,5% e o Die Linke (ex-comunistas da RDA+dissidentes do SPD) baixou de 11,9% para 8,5%).

  7. Coitaditos do Tozé e seus muchachos. Só eles acreditavam que na Alemanha iriam ter mais uma coisa parecida com o excelente camarade Hollande, com quem os franceses, como se sabe, andam contentíssimos.

    1. O eixo franco-alemão já conheceu melhores dias. Essa, sim, é uma má notícia para a Europa. O problema dos socialistas franceses, ao governarem com a Constituição do general De Gaulle, que aliás foi concebida em grande parte contra eles, é o mesmo de um pé que não entra bem num sapato. Ou seja: não é com manifestações de musculatura além-fronteiras, como a recente operação militar no Mali, emulando o velho general com uma política externa autónoma, que a França recupera o prestígio perdido. É com a aplicação de receitas económicas adequadas para levantar o país. De resto, no decénio da presidência De Gaulle a França cresceu em média 5% ao ano. A boa reputação política dá muito trabalho e constrói-se com base em resultados concretos, como este, e não com proclamações retóricas.

  8. Os irresponsáveis passam culpas e pretendem que alguém do lado lhes resolva os problemas por eles criados.
    Merkel é sinónimo de desresponsabilização dos pulhiticos portugueses , é a desculpa fácil que lhes chega como boa nova , no fundo nada se perde tudo se transforma .

    1. A Alemanha deu o exemplo em cortes nas despesas do Estado ao poupar 40,9 mil milhões de euros nos últimos cinco anos. Está em condições, portanto, de defender uma União Europeia com contas mais certas e mais claras.

  9. Os nacionalismos cresceram sempre por pressão dos imperialismos.
    O imperialismo divide para reinar, e os nacionalismos surgem contra essa divisão lancinante. Num nacionalismo está a semente de um imperialismo, porque o problema fica sempre de fora.

    A grande preocupação externa dos alemães foi o bigodinho de Hitler pintado pelos gregos a Merkel. Esse é o único fantasma externo que a nova geração herdou. Internamente, os alemães só tinham que estar contentes com Merkel, porque dificilmente a colariam a esses fantasmas.

    A Europa terá que mudar mais não mudando Merkel, porque Merkel é hoje quem melhor conhece o problema global, e vai agir em conformidade.
    Pode ser uma vitória da política externa de Passos Coelho, mas apenas servirá para continuar a alimentar o doping de que a solução interna é externa.
    As empresas alemãs cobraram a crise do subprime às dívidas dos países, mas o problema financeiro permanece e agrava-se, porque há uma dissociação entre economia e finança. O gelo financeiro alemão arrisca quebrar a sua própria economia, e o calor da finança continua a ser emitido pela City e Wall Street.
    O mundo continua à espera da economia do novo conhecimento.
    Até lá tudo são ilusões passageiras, de fim de ciclo económico.
    A velha economia fará chantagem com os serviços básicos, até conseguir, mas só seria sustentável com a implantação de um regime feudal.

    1. O nacionalismo é sempre mau conselheiro em política porque se alicerça em factores comparativos que apoucam ou excluem as alternativas. Afirma-se sendo contra: o meu país é melhor que o teu, a língua que falo permite exprimir melhor as ideias e os sentimentos do que a tua, a religião que professo é superior à tua…
      Quanto ao resto: há visivelmente um crise de modelo, inclusive de modelo alternativo em termos políticos. Isso ficou bem patente com a ascensão ao poder, na década de 90, da chamada “social-democracia moderna” – isto é, a social-democracia de direita. Com Blair no Reino Unido, Schroeder na Alemanha and so on. Entre o original e a cópia, é preferível o original – tem sido essa, pelo menos, a opinião generalizada do eleitorado por essa Europa fora, como uma observação atenta dos sucessivos mapas eleitorais demonstra.
      Angela Merkel representa uma válvula de segurança. Pela sua origem, pela sua formação, pela sua personalidade. É a antítese do político arrebatado e “carismático”, não existe sombra de retórica nacionalista nos seus discursos. É uma europeísta, como já deu provas disso.
      Num dos últimos discursos de campanha disse aliás esta frase, bem reveladora: “A Alemanha só estará bem se a Europa estiver bem.”
      São factores positivos. E a perda de peso político da Comissão Europeia, em Bruxelas, para Berlim depois de a Alemanha ter sido o país da UE que mais resistiu à crise do ‘subprime’ e do euro, talvez não seja afinal má notícia para a Europa. Porque a Comissão faz parte do problema, não da solução.

      1. Caro Pedro, para haver uma qualquer união tem que haver algo que una.
        O que nos une à Europa? Os Pirinéus?
        No caso português é mais caricato, porque fomos cidadãos do mundo, e tivemos mais contactos com os povos asiáticos do que com os países de leste, isto já para nem falar dos árabes, africanos e americanos.
        A Portugal, Espanha e Inglaterra, o projecto europeu diz pouco. Os ingleses sabem disso, nós é que nos vamos enganando ou deixando enganar.

        1. Caro da Maia:

          Isso conduz-nos aos intermináveis debates sobre a identidade nacional. Ainda ontem à noite, procurando determinadas informações sobre a equívoca relação de Eça de Queirós com Portugal, li umas páginas sobre a comoção que se apoderou dos portugueses em 1890 contra a “pérfida Albion” que nos impediu de ligar Angola e Moçambique através do “mapa cor-de-rosa”.
          Reler à distância de 120 anos o que então se disse e escreveu, nomeadamente contra o pobre rei que acabara de subir ao trono e foi transformado em bode expiatório desta frustração colectiva, é verdadeiramente espantoso. Com os intelectuais na vanguarda desse combate. Em nome do império africano, do colonialismo, da submissão dos “cafres” à nossa bandeira – metas que os netos desses intelectuais, nos debates da segunda metade do século XX, haveriam de abominar até aos confins da expressão escrita e verbal.

          É um facto: fomos e somos cidadãos do mundo, falamos um idioma que não está confinado ao continente europeu, há marcas portuguesas nas regiões mais remotas do globo. Isso é inseparável da nossa identidade. Mas temos toda a conveniência em continuar integrados no bloco europeu: neste mundo multipolar, só conta o que funcionar em bloco. Quase tão ultrapassado como a comoção em torno do ‘mapa cor-de-rosa’ está o dogma da “total soberania nacional” e do consequente corte de elos a outras nações, que nasceu com o fim da II Guerra Mundial e vigorou incólume nas três décadas seguintes.
          Hoje o que mais se valoriza é a interdependência. Porque – com a provável excepção da Suíça – todos os países incapazes de se agregarem são mais fracos e mais pobres. E ainda por cima são menos livres.

  10. Deixo um artigo da “American Scientific” que me parece interessante:

    “Why Germany still makes things

    Germany has developed a flexible and effective way of moving its best ideas from the university labs to the factory floor

    ByStefan

    TheilStanding out:
    In the Global Competitiveness Index, Germany scores higher than the U.S. on several measures, including the quality of its institutions and infrastruc­ture. See details on the scoring in the report listed in More to Explore.

    In Brief
    · Germany owes its robust economy of recent years in part to the success of its manufacturing sec­tor, from basic materials to tools on the factory floor.
    · The reason Germany has remained competitive against cheaper manufacturers in Asia and else­where is that it has made good use of new technology.
    · The Fraunhofer network of technical institutes is an example of how researchers and manufacturers work closely together in industry.· The Germans have excelled in old industries such as automobiles and are building centers of excel­lence in biotechnology and other emerging areas.

    Felix Michl and Philipp Stahl huddle over a gleaming new three-armed robot in the sprawling laboratory at the Technical University of Munich (TUM). The robot picks up tiny patches of carbon fiber, each less than a tenth of a millimeter thick but con­taining 24,000 filaments, and quickly assembles them into a triangular shape. The trickiest task, the investigators say, is to write the software that translates a 3-D com­puter model of any part—in this case a bicycle seat, but it could also be a medical prosthesis or an automobile component—into instructions for the robot’s intricate movements, including the exact position at which the fibers will have their maximum strength and durability. When the project is completed, Michl will use it in his Ph.D. thesis, and Stahl will finish up his undergraduate studies. But the work will get a se­cond life in German factories, including a 70,0000-square-foot, state-of-the-art BMW production facility 30 miles down the road near the medieval town of Lands­hut, where engineers are crafting the next generation of automobiles.
    At the moment, the Landshut engineers are focused on the BMW i3, which will be the world’s first mass-market, all-electric car made from lightweight components if its 2013 launch comes off as expected. The car’s passenger compartment is being built entirely out of carbon composites, which researchers and students such as Michl and Stahl are helping to develop in the Munich labs. The core innovation is a new tech­nology that slashes the production time of complex parts such as the car’s side frame to as little as two minutes, making these high-tech composites affordable for mass production for the first time. Three gigantic presses, weighing in at 320 metric tons each, inject resin into the preformed carbon-fiber parts, giving them stiffness. BMW says it has a lead in this composite manufacturing technology over competitors such as Toyota or General Motors. “The knowledge we have in bringing all these elements together isn’t something our competitors can easily copy,” says BMW project man­ager Andreas Reinhardt.
    That may be. The steady pipeline of innovation that runs from university and gov­ernment research labs to manufacturers such as BMW is one of the secrets driving the booming German economy. Long belittled as lowly metal bending, German man­ufacturing sailed through the financial crisis with hardly a dent in profits and em­ployment, even though its workers, among the world’s most highly paid, make 10 times what their Chinese counterparts earn. German exports have held their share of the global market against China and other emerging countries, even as the U.S. share has plummeted. Rising industrial employment is one reason Germany, as of May, had a jobless rate of only 5.6 percent compared with America’s 8.2 percent, according to the Organization for Economic Co-operation and Development. German manufactur­ers have stayed globally competitive because their products—like the BMW i3—are chock-full of science and innovation.
    One

  11. Obrigado.
    Por algum motivo, falta uma parte do artigo que deixo:

    Why Germany still make things ( American Scientific)

    “One major factor for Germany’s success is that it has managed to tap homegrown sci­entific research and expertise to move up the technological ladder, concentrating on innovative products and processes not easily copied or undercut by cheaper wages. The textile industry is a case in point. Like America, Germany long ago lost the bulk of its clothing and fabrics manufacturing to cheaper locales such as China, India and Turkey. Still, German companies kept a commanding share of the global market for the ever more complex machines that weave, braid and knit textiles, riding the in­vestment boom in low-wage countries. Meanwhile many of Germany’s former textile makers also went high-tech, shifting their specialty to industrial textiles for the auto­motive and aerospace sectors. Today the national textile industry is at the forefront of composites research, cooperating with universities and government tech centers to develop the precision machinery that braids the carbon fibers into strands—not un­like wool or cotton, except on a microscopic scale. Had Germany given up this indus­try, it would lack the basis for producing those next-generation composites now being developed at TUM and other labs.
    The key for getting this research out of the lab and into the marketplace is the close partnership between research at the universities and today’s high-tech factory floors. Most German manufacturers have rich budgets for research, which they often buy from others. Unlike many American firms that might fund a professorship or make a general donation to a university department, German companies usually approach universities with very specific problems they want solved. At TUM, for example, the composites department is funded by SGL Carbon, a German maker of carbon fibers that wants to know what kinds of materials are best suited for the next generation of manufacturing processes. BMW has about a dozen of the department’s Ph.D. stu­dents on its payroll; their dissertation projects are part of preproduction research for the i3. Equipment makers such as KUKA (robots) and Manz (composites presses) are deeply integrated into the university’s research as well.
    Multiply this intense networking by dozens of universities specializing in technology and engineering. At RWTH Aachen University, more than 20 university institutes fo­cus on state-of-the-art production techniques, cooperating with machinery makers, robot companies and software developers to make manufacturing processes so effi­cient that a high-wage country such as Germany can compete with the likes of China. RWTH Aachen is now building a $2.5-billion industrial park for companies partner­ing in this research. The Karlsruhe Institute of Technology specializes in nanotechnology and materials science, working with Germany’s leading chemicals com­panies, such as BASF, to design new substances that will allow batteries to store renewable energy more efficiently and cheaply. At the Technical University of Dres­den, researchers partnering with chipmakers and infotech companies are developing integrated circuits that use one hundredth the energy of current-generation electron­ics.
    The German government, too, plays a crucial role. Whereas the country funds excel­lent labs for basic science, such as the Max Planck network of 80 institutes covering disciplines as disparate as particle physics and evolutionary biology, Germany’s most economically successful research institution is the Fraunhofer Society. Its network of 60 technology centers is cofinanced by the government and businesses and thus is strictly market-driven. Fraunhofer’s $2.5-billion annual budget is also flush with pa­tent income, most notably from its invention of the MP3 data format in the 1980s.

    Closely partnering with nearby universities, each Fraunhofer center acts as a trans­mission belt to an entire cluster of companies networked with the center—and with one another—through collaborative research designed to find its way into processes and products. There are centers for every conceivable industrial sector, including pol­ymer research for chemical companies, precision optics f

  12. Espero que desta fique o que falta:

    Why Germany still make things (III)

    “Several centers, such as the Fraunhofer Institute for Production Technology in Aa­chen, focus on developing cost-efficient manufacturing techniques to keep Germany competitive with China. And for composites research, there is a Fraunhofer project group in Augsburg near Munich that grew out of a cold war–era rocket propulsion lab. Partnering with TUM and more than 50 companies, including BMW, Audi and Airbus owner EADS, the Augsburg center is already working toward the next genera­tion of composite fibers derived not from petroleum but from lignin, an inexhaustible by-product of the wood and paper industries.
    What also speeds up the transmission of these technologies is the encouragement of job-hopping of researchers and engineers. The average Fraunhofer scientist, for ex­ample, switches to an industrial company after five to 10 years, and many of the best corporate engineers also do stints as professors or Fraunhofer directors. Klaus Drechsler, professor and head of the Institute for Carbon Composites at TUM, spent part of his career at EADS developing composites for the Airbus. Now he is in charge of setting up the new Fraunhofer center for composites in Augsburg. This kind of job-hopping, crucial in diffusing expertise and technology, is much rarer in the U.S., where a government researcher usually stays in one place for life.
    This intense and complex collaboration is typical of German innovation. Much of it grew over decades among companies large and small that are now so used to working together they know instinctively what information they can share and what is best kept proprietary. “This trust between companies and institutions that cooperate but also compete is unique—you don’t see that in very many countries,” says Beñat Bil­bao, an economist at the World Economic Forum in Geneva and co-author of the lat­est “Global Competitiveness Report,” which every year shows Germany outranking the U.S. in industrial innovation. Most of these clusters of companies and their sup­pliers grew organically over decades (in some cases over centuries, such as the former clockmakers in the Black Forest that are now the world’s leading producers of preci­sion surgical instruments), which makes them not so easy to copy.
    Still, the Germans manage to keep creating such networks in newly emerging indus­tries. One of the latest is the BioEconomy Cluster near Leipzig, where a network of more than 60 companies and research institutes is developing ways to produce chemicals and plastics from biomass, replacing costly and CO2-spewing petroleum not just for energy but for other products now refined from oil. When Fraunhofer sets up new tech centers, it identifies companies and institutions that are already strong in their fields instead of trying to create something from scratch. “Our philosophy is to take something that’s already working and water it so that it grows,” says Fraunho­fer Society president Hans-Jörg Bullinger. In setting up the new carbon composites cluster, for example, Fraunhofer identified existing companies and university de­partments and provided funding, staff and a facility to encourage collaborative re­search.
    The second lesson, Bullinger says, is to commit to the long haul. New Fraunhofer centers have their funding secured indefinitely and are left to themselves, with no evaluation taking place for the first five years beyond the requirement that they raise double their seed money from private companies. The companies, too, are invested for the long term; many of Germany’s most innovative and tech-driven manufactur­ers are family-owned companies that do not worry about quarterly reports. A typical German tech company looks like Trumpf, an almost invisible, family-owned firm that has been a world leader in industrial laser technology for over a generation and now has annual sales of almost $3 billion. Fraunhofer, too, added 3,000 new researchers in the worst phase of the financial crisis. “Many countries have tried to copy us,” Bullinger says. “But their efforts fail because they think short term.”

  13. Eu é que agradeço Sr. Pedro Correia por ter a oportunidade de contribuir com alguns factos para esta discussão que julgo interessante.
    Julgo que há algumas ideias um tanto “distorcidas” acerca da Alemanha. Facto é que eles “funcionam” bem – são organizados, metódicos, sabem o que querem, como querem e como lá chegar e não gastam tempo e energia com coisas que não sabem fazer. Julgo que terão sempre alguma “coisa” de diferente a dar ao Mundo, pois não só dominam a tecnologia como ainda a criam e essa será a sua maior “mais-valia”.

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