Sobre o que então pensei da oferta de carros pelo fisco já me tinha pronunciado. A sério, meio a brincar e a gozar. Por isso fiquei admirado quando li isto. Mas agora parece que a estupidez vai ser efectivamente corrigida.
A notícia da LUSA de que vários jornais dão conta esta manhã (incluindo o Observador, como os mais cépticos das minhas fontes poderão confirmar) sobre o fim da oferta dos automóveis de uma marca que fazia as delícias de um motociclista do anterior Governo, e que o fisco andou a oferecer para que uma empresa privada pudesse ir ganhando algum dinheiro à custa dos contribuintes, é para mim motivo de satisfação e um sinal de como as coisas devem ser feitas. Ao oferecer certificados de aforro o Estado mostra como se deve comportar no combate à evasão fiscal, ao mesmo tempo que deixa de favorecer uma empresa em particular para favorecer todos. Diminui-se a factura energética e poupa-se no ambiente, em termos insignificantes é certo, mas dá-se um sinal aos portugueses no sentido do estímulo à poupança. De qualquer modo, uma solução que acabasse já com a oferta dos automóveis, em vez de relegá-la para Abril, seria para mim a ideal.

E tivemos o elogio a este fisco totalitário.
Eu estou à espera que um dia destes apareça uma noticiazita a dizer que isto já estava previsto para quando acabasse o stock de Audis…
Mas agora a sério, sem dúvida que fica melhor assim. Do que eu tenho dúvidas (infelizmente) é que a coisa tivesse sido tão eficaz se tivesse começado por aqui. Ou seja, é mais fácil passar aos Certificados de Aforro depois de ter implantado na cabeça das pessoas as vantagens de pedir facturas. Penso eu de que.
Completamente de acordo.
Já tinha feito o mesmo comentário entre amigos.
Mais uma boa medida deste governo.
Boa e pedagógica.
Da importância de coisas mesquinhas….
Sérgio
Concordo contigo. Os automóveis sempre me pareceram uma bizarria. Mas o comentário da Isabel tem alguma lógica num país como o nosso, pouco dado a cumprir, sem gulosa contrapartida. Mas podiam, ao menos, ter variado as marcas!
Helena,
Não me parece que uns 40.000 euros em certificados de aforro, que poderão ser trocados ao fim de 3 meses ou coisa parecida, não seja um bom “prémio” pelo cumprimento de deveres cívicos. Mesmo que só pudessem ser trocados ao fim de um ano seria sempre um óptimo mealheiro para a maioria das pessoas.
Boa medida, caso se efective, deveria era ser já !
Já a “associação” da governação laranja a uma determinada empresa de import / export de automóveis de todas as marcas do grupo VOLKSWAGEN vem de longe, desde Durão Barroso pelo menos que teve férias e tudo.
Se não souber ficam os links
http://www.sag.pt/HTMLVersion/Common/HTM L/defaultPT.htm
http://www.cmjornal.xl.pt/nacional/polit ica/detalhe/durao-barroso-goza-ferias-mi lionarias.html
Sempre discordei que se sorteassem carros. O único argumento é o da eficiência fiscal (à AT os carros saem bem mais baratos que o valor que as generalidade das pessoas lhes dão). Mesmo assim não convence.
Mas também acho errado sortearem-se certificados de aforro. O que é que isso quer dizer? O prémio é em dinheiro, ou não? É líquido ou ilíquido? Como é que se movimenta? Se é em dinheiro, se é líquido, se pode ser movimentado, porquê certificados de aforro? Estão a contar simplesmente a com a inércia das pessoas para manter o dinheiro no tesouro?
Corre o risco de ser tão ridículo quanto os programas de domingo que dão prémio em cartão, que pode ser usado em compras mas não levantado. E carros.