
Marcelo Rebelo de Sousa foi sempre conhecido por conseguir fazer sozinho a festa, lançar os foguetes e apanhar as canas. A questão é que quem quer mexer em material pirotécnico muitas vezes acaba por se queimar. Neste caso da Cornucópia, uma verdadeira birra de alguém, que de repente descobriu que o subsídio que recebeu durante três anos afinal não chega, tudo aconselhava a que o Presidente se colocasse a milhas do assunto, até porque a sua intervenção, ao contrário do que é habitual, não fora solicitada. Marcelo, porém, resolveu mergulhar de cabeça no caso, a fazer lembrar o seu célebre mergulho no Tejo, e arrastou para as águas do mesmo um estrebuchante Ministro da Cultura, que bem se deve ter perguntado o que tinha ido lá fazer, quando o esperavam em Castelo Branco, onde seguramente estaria livre de sarilhos. Porque Marcelo, que declarou ter uma ligação à Cornucópia tão profunda que até tinha estado na sua sessão inaugural, reclamou imediatamente um estatuto de “excepção” para evitar o encerramento da mesma, que naturalmente seria reclamado a seguir por todos os outros teatros do país. A verdade é que o Ministro caiu na esparrela, tendo chegado a declarar que a Cornucópia tinha uma história extraordinária e “uma situação especial” e que, se a companhia quisesse sobreviver, o Governo estaria disposto a conversar. E com isto Marcelo saiu do teatro no papel do rei salvador da Pátria, ou mais prosaicamente da Cornucópia, ao mesmo tempo que meteu o Ministro da Cultura no bolso, cuja função no governo passaria a ser apenas a de assinar os cheques das “excepções” aceites pelo Presidente.
Só que a peça acabou por sofrer um twist inesperado, já que os encenadores decidiram alterar o papel de Marcelo à última hora, que passou de rei salvador da Pátria a bobo da corte. Foi assim que em primeiro lugar Luís Miguel Cintra declarou que nunca tinha pretendido qualquer estatuto de excepção, mas apenas encerrar o teatro. Depois foi Jorge Silva Melo a contestar que Marcelo tivesse assistido à primeira sessão do teatro, ao contrário do que este tinha afirmado. Vendo Marcelo a afundar-se, o Ministro da Cultura saltou logo borda fora, dizendo que a proposta de Marcelo de um estatuto de excepção, que lhe tinha parecido tão boa no palco, afinal não era uma boa ideia.
Chama-se a isto ir buscar lã e sair tosquiado.

E reparou na despesa que aquele grupo experimental nos custava? Por ano e directamente do Estado, mais de 300.000 euros, para além da renda da casa de espectáculos, agora 6.000 euros/mês. Isto para além de muitas outras subvenções, algumas significativas, como era a da Câmara de Lisboa. Se os bilhetes fossem vendidos ao preço de custo, nunca teriam espectadores em Portugal.
Coisas destas só para ricos ou para quem não faz contas, como disse várias vezes o nosso actual presidente, gabando-se de gastar tudo que ganhava. E ganhou sempre bem, como se sabe.
A somar ao BPP, ao BPN, ao BANIF, ao BES, à CGD e às falcatruas todas de tanto ladrão sério que tem ocupado cargos de responsabilidade na estrutura do Estado, empresas públicas e, até, em muitas empresas privadas (assistidas por dinheiros públicos).
A mama do Estado tem muitas tetas.
Comparativamente, os agentes da Cultura bebem por chávenas de chá.
Sim, tem razão, a malta da cultura bebe por chávenas de chá, o que é pouco se compararmos com os corruptos, políticos e não só, que muitas vezes bebem às canecadas, quando não às pipas.
Todavia, concordará que essa gente pela-se por mamar nas tetas do Estado, sendo certo que dessa despesa pública quase só eles aproveitam.
E temos um socialista a criticar o sistema socialista e a querer continuar com o socialismo…
Talvez umas contas de quanto os “agentes da cultura” recebem per capita pareça mais rosbife e caviar…
A hiper-atividade de Marcelo cidadão é conhecida, mas ele também tem de aprender a cultivar o distanciamento que o papel central do Presidente da República requer para poder decidir em situações cruciais, só que ele está a transformar-se é cada vez mais num Ministro… ou mesmo Primeiro-ministro executivo.
Penso que quer colher louros da governação e da presidência, não sei o futuro, mas quando vier com o tempo o desgaste do executivo penso que o Presidente também sofrerá o desgaste como governante.
Mas ainda não vi ninguém chamar Populista ao Presidente da Republica…
Deve ser porque por enquanto é amigo do Costa e do Avante.
No dia em que acabarem os “afectos” já passa a ser.
Ai estes códigos subliminares jornalismo marxista, Oops! esqueci-me que nesse código diz-se “de referência”.
É pantominice a mais para um país tão pequeno.
Na sua traquinice seródia, quis entalar a governança.
Uma pirraça natalícia.
O pior é que, com grande probabilidade, os próprios cornucópios não querem continuar aquela sinecura. Um modelo esgotado, que já não dá. Cada um tem a sua vidinha fora dali. Outros estão velhos ou doentes – e querem partir para outra casa. Talvez mesmo, para a “casa do artista”.
Não querem ser ressuscitados. E muito menos, por um mariola desconcertante, armado em alcoviteiro das dúzias…