Ir à jugular


Pedro Correia,

 

Há quem sonhe com vitórias caídas do céu. Quem pensa assim está antecipadamente condenado ao fracasso. Escutem com atenção os 23 minutos iniciais do frente-a-frente que opôs Freitas do Amaral a Mário Soares na primeira volta das presidenciais de 1986. Qualquer deles precisava de derrotar o outro neste debate antes de o conseguir nas urnas, por intervenção dos eleitores. Soares, com o seu conhecido instinto político, acertou na estratégia: atirou-se – metaforicamente falando – à jugular do opositor logo na sua primeira intervenção. Oitenta segundos depois, Freitas já estava encostado às cordas. Com uma frase demolidora do adversário: “Eu não tenho dúvidas em reconhecer que o Dr. Freitas do Amaral é democrata, embora não tenha feito nada pela democracia.”

Nenhuma guerra se ganha sem travar batalhas.

14 comentários em “Ir à jugular”

  1. Mário Soares
    “… eu tenho sido o garante da democracia, na medida em que tenho sempre sido a fronteira da liberdade neste país…”

    Enfim…

  2. Esses foram os tempos áureos de Mário Soares, em que ele ia à jugular aos adversários como ninguém. Agora limita-se a ir aos calcanhares e é um espectáculo triste.

  3. Qual a surpresa? só foi e é possível ao PS.

    Só o PS é que se pode comportar de forma arrogante e ou agressiva sem levar no dia seguinte com todas as acusações.
    Experimente um PCP ou alguém do PSD e CDS se comportar de forma arrogante e ou agressiva e terá os epítetos todos no dia seguinte nos media.

      1. Acredito, mas não foi isso que coloquei em causa embora reconheça que assim possa ter sido entendido. Qualquer pessoa do PS tem benefício num debate- não só- pois pode fazer e dizer coisas que todos os outros seriam escoriados. Quem vai para o debate conforma~se e ajusta-se ao possível.

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