INTERVENÇÕES INFELIZES


Sérgio de Almeida Correia,

Vi ontem um agastado Presidente da República responder às dúvidas suscitadas pelo Expresso. Como dizia um seu antecessor, sendo um homem sério, tem todo o direito de se indignar e ficar agastado. O problema, todavia, não é esse. O direito ao escrutínio dos titulares de cargos públicos não se esgota no tempo dos mandatos. Uma cidadania activa e responsável impõe que isso seja feito constantemente e de preferência com maior incisividade sempre que haja dúvidas fundadas ou omissões mal esclarecidas. Se o Presidente da República tivesse logo dito, aquando do primeiro comunicado, que tinha tido acções da SLN, daí não viria mal ao mundo e todos teríamos ficado esclarecidos. O comunicado foi infeliz, as últimas declarações ainda mais. Perdeu dinheiro? Lamento. Só compra acções quem quer. Se pretendia suscitar a compaixão do cidadão comum falhou. Não é por isso que o Presidente da República deixará de ser o homem sério que é, embora essas intervenções não contribuam em nada para a dignificação do mandato. Mas se o seu objectivo passa pela reeleição, então talvez seja melhor olhar para dentro. A culpa não é do Expresso nem do Ricardo Costa. A sucessão de intervenções infelizes e intempestivas começa a ser demasiado regular para um homem cuidadoso. Talvez por isso tenha dado comigo a pensar se a influência dos homens de Macau terá alguma coisa a ver com isso. Ou com o eventual aconselhamento na manutenção do apoio a Dias Loureiro, numa altura em que ele já era insustentável. Não é por nada, mas com os mesmos "ajudantes", há uma década atrás, o Governo de Macau também se fartou de meter água. Eu, no lugar do Presdiente da Repúblia, tomaria algumas medidas cautelares. Portugal não é Macau. E o Expresso não é a Tribuna.       

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