Interessa é participar


cosenosapo,

Hoje li o seguinte tweet:

 

Twitter 2011: twittava “aula de física mo chato” rolava duas curtida um RT e alguém comenta “é mesmo” Twitter 2018: twitta “aula de física é mó chato” 5k de curtida 2k de RT nos comentários todos brigam sobre a importância da física, te xingam e falam q vc votou no PT

 

Sou utilizadora diária do twitter desde 2009 e confirmo o que ali está. Claro que se trata de um tweet brasileiro, mas o essencial está lá, e aplica-se globalmente: antes lia-se e percebia-se comentando ou não. Agora lê-se e dá-se uma lição. Tento manter-me à margem desta tendência, mas é geral, as redes estão sufocantes com moralismos e filosofia de pacotilha. E como esta não é uma questão de agora, fiz uma busca pelos meus posts no Delito e encontrei este, sobre como nos comentários em geral as pessoas apontam muito rapidamente o dedo, sem pensar muito, importa é participar (da pior maneira possível). 

Tenho pena que o twitter também esteja agora a sofrer com isso. E não, digo já a quem nunca o usou muito, não era assim, a tendência era a inversa. Ali podíamos rir de subtilezas e coceguinhas no cérebro, quem percebia percebia e dava um RT ou interagia, complementava, alimentava uma espiral saudável de boas piadas, quem não percebia passava à frente e ria para a próxima. A timeline seguia o seu curso e pelo meio divertia-me muito. Ainda me divirto, ainda me rio, mas já faço um esforço por procurar o conteúdo e antes não era preciso.

O pior continua a ser o Facebook parece-me (e caixas de comentários de jornais), e nem é preciso procurar. Às vezes vejo o Jogo do Tanso, da Cátia Domingues para crer. É possível que o missing link esteja entre os visados. 

Tenho a convicção de que a saturação com o comentário maldoso vai chegar e teremos o reverso nas redes em geral, ou pelo menos o sossego nas redes. Pode ser só wishful thinking. 

3 comentários em “Interessa é participar”

  1. Notada mudança na narrativa:

    Agora já são só “redes” perderam a classificação “social”

    E deixaram de ser “redes sociais” pois parece que já não contribuem para o “avanço” da humanidade em direcção aos amanhãs que cantam.

    Tem que se proteger a palavra “social” do povo…

  2. Acho as redes sociais tóxicas e cómicas. Tóxicas porque sabem demais sobre os utilizadores. Cómicas porque são os utilizadores indignados que lá colocaram a vida pessoal que dizem querer privada. Há por aí um movimento #deletefacebook numa rede concorrente – irónico. Eu “deletei” a minha conta quando percebi que eu era o produto à venda, há uns bons 10 anos. Nessa altura o Zuckerberg ainda me vendia barato, mas eu não recebia percentagem. Tiro-lhe o chapéu, fez uma uma fortuna descomunal à conta do que as pessoas lhe ofereceram. É melhor que lançar o #makemerich.

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