Instantes em sépia com capa de muitas cores (21)


Maria Dulce Fernandes,

Maluquices

 

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Todos temos a nossa dose de loucura, com a qual passamos a vida toda a tentar rastrear, conhecer, manobrar, enfim encontrar habilidosamente o melhor modo de com ela conviver.
O que é que nos faz diferentes e ao mesmo tempo tão iguais não é o conhecimento, nem a aptidão, nem a agilidade, mas sim a capacidade de controlar o animal que somos, de domesticar a selvajaria que nos assola, de reprimir a raiva que nos sufoca. O ténue verniz da civilização que nos reveste estala ao mais pequeno toque e a bestialidade que vive sob o polimento solta-se e vocifera e mata e esfola e grita e espuma e arranha…

É a loucura total.

O que é que nos faz rir incontrolavelmente de coisa nenhuma, o que é que nos faz chorar convulsivamente por rigorosamente nada, o que é que nos faz gritar desvarios a plenos pulmões sem qualquer razão?
Na era da tecnologia, onde tudo está ao alcance dum clique, ainda não há como medir a loucura e o clique é por vezes o bastante para virar tudo de pernas para o ar.

Se eu hoje aventar uma opinião considerada polémica, sou rotulada de louca. Amanhã, noutra latitude, a mesma opinião, com toda a controvérsia inerente, pode ser considerada uma tirada genial.

O louco mais louco, debaixo da sua capa de sanidade, é provavelmente menos suspeito de ser louco do que os reconhecidamente loucos, que não tentam sequer esconder a sua loucura .

Costuma dizer-se que a genialidade e a loucura andam de mão dadas, numa roda talmente acelerada em que o olho incauto não capta a noção de quem é quem ou o quê.

O EAN/UPC de um cérebro em série ainda não traz um dígito de verificação funcional.

Pessoas há para quem escrever é catártico e um modo de expurgarem os delírios e se resolverem em paz com a  própria loucura.

 

“A ciência não averiguou ainda se a loucura é ou não a mais sublime das inteligências.” – Edgar Allan Poe

 

(Imagem retirada da internet)

48 comentários em “Instantes em sépia com capa de muitas cores (21)”

  1. Só loucura é lucidez,
    acreditem nesta verdade.
    Só o estado de embriaguez,
    vos trará a felicidade.

    Virem-se pois para o bagaço,
    para o vinho e não água pé.
    Nem dão por que vos aperta o laço,
    morrem na mesma mas com fé.

      1. Estava a brincar, Maria Dulce.
        Contudo, todo o bêbedo ri e todo o sério chora. Ou se não chora mais lhe valia chorar do que arrepelar-se.
        🙂
        Não tinha lido o que apresenta em link, mas isso é comum a toda a humanidade. Todos iguais e um único berço e uma só mãe.

        África, terra Mãe.
        Oh ironia!
        da nossa era,
        que da mesma Eva,
        nos corra o sangue
        na nossa veia.

        1. Eu não me referi à maneira, Dulce. Somente à aprendizagem. A Felicidade aprende-se a construir, não nos é dada nem oferecida por terceiros. É como o Amor: basta-se a si mesmo. O Amor não necessita ser amado. Por isto mesmo o Amor compõe-se de 3 personalidades Unas e Distintas: o Amor, o Amante e o Amado.

          1. O amante e o amado entendo. O amor é um conceito vago engloba tudo e não engloba coisa alguma, uma forma de sentir que não é experienciada igualmente por todos os indivíduos.

          2. O amor não se sente, vive-se. É um conjunto de acções e não de sublimações.

          3. Lembra-se daquela canção que dizia “O beijo que dei a você é meu, é meu”? Só nos pertence o que damos. Logo, não se sente: vive-se.

            Quando Tomé afirmou “se não ver, se não tocar…, não acreditarei”, ele também não sabia que há aspectos que não necessitam ser vistos, tocados e sentidos para serem vividos e experienciados. Os sentidos perecem, mas o amor permanece.

          4. “Vivem-se para além dos sentidos”. É isso que tenho vindo a dizer. O sentimento faz parte dos sentidos, que perecem. Mas o amor mantém-os despertos mesmo quando parte.

          5. O sentimento não faz parte dos sentidos. Pode perder-se toda a sensação e ter sentimentos. É intrínseco e abstracto ao ser humano e muito possívelmente a muitos animais ditos irracionais. Mas alma ou não , eis a questão, não é bem deste campeonato

          6. Os sentimentos podem ser bons ou maus, consoante a perspectiva. O amor não entra nessas equações sentimentais, pois anula o que é mau e vivifica o que está “morto”. Por isto não há amor maior quea

          7. concluo:
            Por isto não há amor maior que aquele que dá sua vida pelo outro. Porquê? Porque o amor desprende-se daquele que o leva: é a renúncia. O amor que se centra em si e em suas necessidades, depende somente. Isto é egoísmo. O amor é vivido sem se impôr. Aceita até mesmo o abandono.
            O amor Une quando n´ele se vive.
            “Para que eu em “Ti”(amor) e “Tu” (amor) em mim estejamos neles e eles em nós”.

          8. Lá isso é verdade, caro Vento. O amor não necessita ser amado.
            Necessita é de dinheiro porque quando ele falta o amor salta pela janela.

          9. Tudo podemos construir. Mas só se constrói bem o que se aprende a construir.

          10. Estou a aprender a ser feliz
            Aquilo que eu vou ser ninguém me diz
            A guitarra que só toca por amor
            Não acalma o desejo, nem a dor

            Até amanhã ( ou até logo, Vento)

          1. Há duas fases na vida. Quando ela nos dá coisas, e quando ela no-las tira.
            Poder-se-ia portanto considerar a vida perfeitamente equilibrada, não fosse um singelo pormenor que faz toda a diferença.
            Por uma que dá cem que tira.
            Felizmente que para todos os grandes males há sempre dois grandes remédios. Álcool e futebol, a esperança renasce e a vida sorri, porque sai-se sempre por cima.
            Se a nossa equipa perde, álcool p’ra cima que nada melhor para afogar as mágoas. Se ganha, álcool p’ra frente que a coisa é para comemorar.

          2. A vida é mãe e é madrasta, no princípio, conhece-se o fim.
            Não é,não foi e espero que nunca venha a ser assim tão terrível Corvo. Já perdi toda a ascendência . O tempo cicatriza devagar, mas sabemos que deve ser assim. Se custa? Não há palavras.
            Neste momento estou na linha da frente e Deus queira que assim continue sempre.
            Desafortunadamente não sou grande fã de bebidas alcoólicas ou de futebol.
            Gosto do meu gin tónico e de um bom tinto a acompanhar carnes grelhadas em carvão, posta mirandesa, vazia alentejana… mais nada. Futebol, vejo a selecção e as finais do Sporting para apoiar os verdes da casa. Nem sei como vivi estes anos todos sem esses remédios santos caramba.

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