DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Adolfo Mesquita Nunes: «Em Março deste ano, muito longe ainda das eleições europeias e do resultado que o PS nelas obteve, o primeiro-ministro foi espontaneamente vaiado num evento público. Nesse momento, convenci-me que o país tinha interiorizado (e até descoberto) o quanto já estava farto deste Governo e do estilo de governação de José Sócrates.»

 

André Couto: «O Presidente da República aderiu à famosa Política de Verdade. Farto de mostrar algo que não era e de vender uma imagem de Presidente de todos, cedeu ao apelo de Manuela Ferreira Leite e premeia-nos finalmente com o seu esplendor e transparência.»

 

J. M. Coutinho Ribeiro: «O caricato episódio protagonizado por Manuel Pinho no Parlamento não deve ser lido à luz da imputada e merecida fama de arrogância deste governo. Nem deve ser tida como uma manifestação do claro esboroamento do poder “rosa”. Se é verdade que qualquer das leituras é justificável, parece-me que o problema é mais grave: o que o episódio revela é a degradação do regime.»

 

João Carvalho: «Ainda ontem Jaime Gama teve de repetir uma chamada de atenção na sessão plenária com o Governo. O presidente da Assembleia da República precisou de conter o ministro Manuel Pinho, que insistia em dirigir-se aos parlamentares tratando-os por “vocês”. Cada vez mais elegantes, os nossos políticos.»

 

Leonor Barros: «Ontem foi Manuel Pinho a mostrar chifres em plena Assembleia da República, hoje a pianista Maria João Pires, a propósito de ter pedido a nacionalidade brasileira, diz estar farta de “coices e pontapés”.  Esperam-se cenas das próximas faienas.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «As moscas são persistentes. A diferença está em que enquanto alguns não as suportam e por isso acabam por deixar a política, outros habituam-se a elas. O exemplo de Barack Obama ainda cá não chegou.»

 

Eu: «Alguns blogues que apoiam fervorosamente o Governo referem-se com pinças e luvas à demissão de Manuel Pinho, esse bandarilheiro frustrado. Chega a ser tocante o cândido tratamento dado à questão, como se quase nada tivesse acontecido.»

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