Insegurança social – IV


Teresa Ribeiro,

O principal desconforto na nossa relação com o Estado advém da consciência plena de que é desigual e injusta. Essa percepção é partilhada, evidentemente, pelos funcionários que dão rosto à burocracia. Daí a indiferença gélida ou, no extremo oposto, o falso empenhamento com que alguns profissionais por vezes nos brindam. Já me aconteceu ser atendida por uma senhora que me garantiu, para começo de conversa, que se interessava mesmo pelas pessoas, embora tenha verificado algum tempo depois, e por outra via, que o meu assunto tinha sido arquivado, sem que disso ela me tenha dado conhecimento, como prometera.

O tom mais comum é porém o que vai do polido fastio a uma cordialidade que, quando há empatia, se deixa contaminar, nos casos mais difíceis, por manifesta comiseração. Testemunhas privilegiadas da inoperância do sistema é assim que estes funcionários se blindam relativamente à desconfiança, desespero, irritação e demais efervescências que acompanham as pessoas que atendem uma a seguir a outra, dia após dia, das 9h às 17h, excepto sábados, domingos e feriados.

12 comentários em “Insegurança social – IV”

  1. Concordo consigo.
    Também estou em litigio com a SS (SS !) Para os” assustar ” autoriza-me a que use trio de abutres?

    Obrigado.

    Saudações
    Amendes

  2. o falso empenhamento com que alguns profissionais por vezes nos brindam

    A minha experiência em repartições de finanças é frequentemente de profissionais verdadeiramente empenhados, que me procuram ajudar e me aconselham de forma válida.

  3. Já apanhei de tudo, bons, maus etc..
    Mas o que choca mais nos piores é inumanidade, como se lidassem com cadáveres todos os dias.

  4. aqui parece-me que neste momento não se aplica a regar cubana de que o governo faz de conta que nos paga e nós fazemos de conta que trabalhamos;isto em termos relativos alem das garantias, tambem com frequencia o salario é melhor no estado. O que me surge como entrave é a inoperancia total da avaliação e transparencia, bem como uns cidadãos muito pouco escrutinadores. Basta ir a Alemanha e ver a impaciencia que qualquer cidadão tem com a ineficencia para percebermos porque elegemos há 40 anos quem elegemos- das camaras aos deputado e governo.

    1. O hábito de recorrer ao livro de reclamações ainda é muito recente, mas lá se vai instalando. É um sinal em como aos poucos os portugueses vão despertando para a cidadania. A tolerância continua a ser uma das nossas melhores qualidades e um dos piores defeitos.

      1. Concordo e acrescentava uma chamada de atenção: os cidadaos precisam de ser alertados que para se reclamar com eficiencia deve-se ser rigoroso e bem informado antes de dizer só mal a despropósito.

  5. Teresa Ribeiro,
    O problema na segurança social não é a indiferença gélida é a ignorância absoluta.
    Se se der ao trabalho de correr os vários balcões de atendimento e colocar a mesma questão em todos eles, obterá certamente em cada um deles uma resposta diferente…
    Se pedir ao funcionário que a atende que lhe passe a escrito a informação que lhe está a dar, para que no futuro comprove que foi ao balcão da SS que lhe deram tal informação nenhum deles se disporá a fazê-lo…

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