Embora reconheça que qualquer indivíduo tem o direito de decidir sobre o curso da sua vida, isto incomoda-me. Incomoda-me que aos trinta e dois anos não haja uma réstia de luz, uma centelha de esperança e que a vida se torne tão pesada e insuportável que a única saída seja acabar com ela. Inquieta-me o momento em que por mão própria a vida se desprende e a luz se apaga.
Inquietações
cronicasnofeminino,

Tem toda a razão, Leonor, acompanho-a na sua reflexão.
De qualquer modo, ainda bem que a inquietação existe. São momentos inexplicáveis.
De Robert Enke guardarei a simpatia, o profissionalismo e alguns dos momentos mais memoráveis que vi a um guarda-redes nas balizas do meu clube. Muitos sonharam ser como ele. Que fique o exemplo do profissional.
Além de um desportista exemplar, era também socialmente preocupado e pelo que li activista dos direitos dos animais. É triste que tenha partido assim.
Põe-nos a pensar, na verdade.
Que estranho, que tragédia, a vida tem momentos inexplicáveis e intransmissíveis .
É mesmo triste. Robert Enke andava a lutar contra uma depressão grave que não conseguiu ultrapassar. O depoimento da mulher na conferência de imprensa é impressionante.
Neste momento fico a pensar na família de Robert Enke , sobretudo nos pais … A morte prematura de um filho e dessa maneira trás sempre uma grande “inquietação” (infelizmente conheço alguns casos), um desgosto irreparável… Haja forças para sobrevirem, a tamanha dor, com a serenidade possível…
É muito duro para quem cá fica.
Não o conhecia (nem de nome, sou completamente inculta em matéria de futebol), mas também me incomoda e entristece imenso a total ausência de esperança. Sobretudo nesta idade, em que ela deve estar mais acesa.
Um caso para todos repensarmos profundamente a sociedade em que vivemos.
O que me incomoda é mesmo a falta de esperança e que nada o tivesse conseguido agarrar à vida.
Que razão tão forte seria essa que o fez percorrer a linha convicto a aguardar que o ” monstro” se abatesse sobre ele?
Nestes momento é que nos perguntamos porque uma mão divina não o agarrou em tempo, ou porque ele próprio, não se arrependeu dessa caminhada?
Tinha uma depressão grave que quis ocultar de todos, execepto a mulher, por medo que afectasse a vida pessoal e profissional.
Partilho por inteiro da tua inquietação, Leonor. Fica a lição: quem sofre de depressão deve tratar-se, deve medicar-se, deve procurar ajuda clínica. Se isso não suceder o impulso suicida pode concretizar-se quando menos se espera.
Claro que sim, Pedro. Um das coisas mais impressionantes é que ele não queria que se soubesse com medo de perder a filha adoptiva.