Poucos, entre os quais não me incluo, conhecerão objectivamente as razões que ditaram o afastamento dos magistrados portugueses e de um oficial da PSP, creio, que estavam ao serviço em Timor-Leste ao abrigo da cooperação judiciária com aquele Estado. Por isso mesmo, não me abalanço a fazer juízos, nem a retirar conclusões apressadas sobre o que aconteceu. Mas parece-me cristalino que a reacção do Governo de Timor-Leste foi excessiva, ofensiva para Portugal e para a dignidade dos visados. As declarações de Xanana Gusmão, manifestando o seu espanto pela reacção portuguesa, só podem radicar no foro da ingenuidade, o que para um líder da sua estirpe e com a sua experiência será sempre difícil de engolir.
Para quem tem a sua vida organizada e cumpre uma função de interesse público, neste caso do interesse de Timor-Leste, convenhamos que uma ordem de expulsão com a amplitude e consequências daquela que foi tomada, para ser cumprida em 48 horas, e com acusações de incompetência à mistura, não é fácil de digerir.
E inaceitável na perspectiva do relacionamento entre dois Estados soberanos com relações de amizade e cooperação a diversos níveis, partilhando o mesmo património cultural e linguístico.
O primeiro-ministro timorense, pura e simplesmente, esqueceu-se do papel desempenhado por Portugal e pelos portugueses no caminho que foi cumprido desde a invasão indonésia até à proclamação de independência e consolidação do Estado timorense. Dizer que com a declaração de expulsão não se visou Portugal nem os portugueses, sabendo-se que estes seriam os primeiros atingidos, e sem pensar nas consequências, evidencia laivos de hipocrisia. As declarações subsequentes agravam esse sentimento. Deste modo, só posso manifestar a minha compreensão pelas palavras do primeiro-ministro português e aplaudir as declarações da ministra da Justiça sobre esta matéria. República das bananas mas não tanto. Nada de confusões.

Os que estavam em Timor a) permitiram-se destapar a careca a membros do governo timorense b) Segundo o que quis ser doutor, em petróleos eram uma nódoa.
A propósito disto, ou antes, motivado por isto, um interessante e acerbo artigo sobre Timor no Público:
http://www.publico.pt/destaque/jornal/ti morleste-a-ilha-insustentavel-285450
Quanto a mim, dou-me por feliz por ser adolescente quando Portugal andava envolvido na libertação de Timor, nos anos 90, assim nunca cheguei a desenvolver qualquer laço emocional por Gusmão ou o seu país, e agora não tenho de ser um dos que vai sofrer a sempre inevitável tristeza e desilusão de que o tipo afinal era mais um ídolo de pés de barro que, como todos os outros grandes ídolos que fascinam multidões, se deixou corromper pelo dinheiro e poder.
Se foi difícil aceitar isso há meses atrás quando o sacaninha se pôs a pavonear em frente das câmaras ao lado do ditador da Guiné Equatorial, agora começa a ficar mais difícil manter a ilusão, não é? Ainda bem, este mundo só vai mesmo salvar-se quando as pessoas finalmente perceberem que nós não seremos salvos por políticos, ídolos e mártires; somos nós que temos de ser salvos deles, e pelas nossas próprias mãos.
O Sérgio hoje está muito diplomata.
A expulsão não se terá devido ao facto de já haver uma condenação por participação em negócio de uma política timorense e da possibilidade de outra personalidade poder levar o mesmo caminho?
http://visao.sapo.pt/porque-xanana-expul sou-magistrados-portugueses=f800644
Qual é a estirpe do Xanana?
O que aconteceu é a justa retribuição a todos os (ingénuos ou aldrabões) simpatizantes do timor lorosae.
100% de acordo, notável.