No momento em que entra em vigor nova legislação sobre o crédito à habitação, o aviso do presidente da Associação de Bancos, de que o custo das novas regras será pago pelos cidadãos que não têm outra alternativa para arranjar uma habitação condigna que não seja através da compra de casa com recurso ao crédito, tem tudo de indecoroso. Como se a imposição de regras de igualdade, transparência e seriedade num negócio que vive à custa de esfolar os desgraçados, impondo-lhes encargos até ao final dos seus dias, pudesse ser considerado um custo significativo do exercício dessa mesma actividade a ponto de valer uma ameaça sobre os contribuintes do sistema. Se Roberto Saviano fosse português teria fartos motivos para os seus romances apenas tendo como tema de fundo o exercício da actividade bancária em Portugal, os escândalos e as tomadas de posição públicas de alguns dos seus dirigentes. Indecoroso e pestilento. Felizes os que não precisam dos banqueiros e da banca nacional para nada.
Indecoroso
Sérgio de Almeida Correia,

Oportuna intervenção a tua, Sérgio. E certeira.
Por falar em “certeira”, é certeira a actualidade vigorosa das farpas queirosianas. Infeliz e miseravelmente…
Há negócios ocultados
por atitudes trapaceiras,
deixando valores atados
a nebulosas financeiras.
As negociatas brumosas
com a cumplicidade estatal,
extasiam mentes formosas
da sombra governamental.
As farpas certeiras
continuam presentes,
as razões embusteiras
são bem reluzentes.
Tanta poeira é levantada
neste regime brincalhão,
esta banca disparatada
trucida o pobre mexilhão!
Muito bem, Sérgio.
“não têm outra alternativa para arranjar uma habitação condigna que não seja através da compra de casa com recurso ao crédito”
Há muitas casas para arrendar. As pessoas compram casa porque querem, não porque a isso sejam obrigadas. Poderiam arrendar.
“um negócio que vive à custa de esfolar os desgraçados, impondo-lhes encargos até ao final dos seus dias”
Ninguém é esfolado. Os juros são o que são e estão à vista de todos. As pessoas quando contratualizam devem fazer as contas.
Eu conheço pessoas que não gostam de contratualizar. Preferem contratar.