O Norte é símbolo de frio e desconforto, o Sul significa calor e vida despreocupada. Os clichés parecem seguros a pedra e cal, até ao momento em que começamos a interrogá-los. E podemos perguntar-nos, por exemplo, se, tendo o Norte mais poder de compra e uma vida mais organizada, esta não será, de facto, mais descontraída.
Enfim, isto dava pano para mangas, mas, mesmo tendo em conta apenas o clima, observemos os extremos: Inverno constante nos pólos, Verão constante na linha do Equador. Será esta última hipótese realmente a chave para uma vida paradisíaca? Na verdade, só quem tem meios para passar lá férias pensa assim. Viver constantemente num meio quente, sem estações do ano, nem variações de duração entre o dia e a noite, torna-se monótono (afectando a psique) e convida ao letargismo (afectando a condição física).
O ritmo sazonal das regiões temperadas equilibra a nossa vida. Quanto está frio e as noites são longas, ansiamos pelo Verão, regozijando-nos quando ele finalmente chega. Mas o contrário também se verifica, principalmente, em Verões quentes e secos, como o deste ano. Quem não anseia por um tempo mais fresquinho, sem a praga dos incêndios e a possibilidade de não suarmos constantemente, por mais duches que tomemos?
Do ponto de vista global, a Alemanha ainda se considera zona temperada, mas, ficando mais a Norte do que Portugal, o contraste entre as estações do ano é mais acentuado. E aqui ficam as variações sazonais em Stade.
PRIMAVERA


VERÃO

(Centro histórico de Stade com o porto medieval, num braço do rio Schwinge, afluente do Elba. Stade pertencia à Liga Hanseática)

(Alfazemas no nosso jardim)
OUTONO


INVERNO


E com este postal dou por finda esta minha série. Na verdade, falta-me material, ou seja, fotografias, pelo menos, em formato digital. Talvez retome a série com outras mais antigas, se me apetecer digitalizá-las. Ou talvez inicie outra série, dedicada a Portugal.

Parabéns por esta série, Cristina. Foi excelente.
Venha outra.
Obrigada, Pedro.
Há muitos anos, tive um colega colombiano. Ele queixou-se precisamente de que a vida na Colômbia era muito monótona devido a os dias terem sempre a mesma duração (Bogotá, de onde ele era natural, está praticamente no equador). Disse que apreciava Portugal por os dias irem variando de duração.
Eu quando estive na Alemanha achei que lá os dias variam demasiado. No inverno o dia acaba muito cedo, no verão começa muito antes de acordarmos. Aliás, em Portugal isto também me parece verdade, mas na Alemanha é pior.
Sim, quanto mais se avança para Norte, mais variação há. Em Hamburgo, já se tem uma atmosfera muito escandinava. Em Junho/Julho começa a clarear pelas 4 e meia da madrugada e às 23 horas ainda “é dia”. Mesmo agora, já quase Setembro, amanhece pelas 6 e meia.
No Inverno, é ao contrário, claro: começa a escurecer pela três e meia da tarde e só a partir das oito e meia da manhã se faz luz.
Foi um belo passeio por esse país que desconheço
Obrigada, José.
Parabéns pelos artigos colocados.
Uma questão: as matrículas dos automóveis começam por HH ou HS?
João Moreira
Obrigada, João Moreira.
As matrículas alemãs indicam o local de morada de quem os conduz (ou possui). HH é de Hamburgo, são as iniciais de “Cidade Hanseática de Hamburgo” em alemão (Hansestadt Hamburg). Também existe HS, de uma pequena cidade chamada Heinsberg, da Renânia do Norte-Vestfália (para ajudar a localizar, é o “Land” a que pertence a cidade de Colónia).
“de quem os conduz ou possui” – os carros, naturalmente.
Sim, eu sei que HH se refere à cidade-estado hanseática de Hamburgo; como HB, à de Bremen ou HL de Lubeck. A minha questão era se Stadt tinha ou não matrícula própria, por ter sido uma cidade hanseática. Pela proximidade, suponho que utilizará a HH, da cidade-estado de Hamburgo.
João Moreira
Desculpe, não tinha percebido.
Stade tem matrícula própria: STD. Comparando com Portugal, pode dizer-se que todas as sedes de concelho têm matrícula. Stade era cidade Hanseática com muita importância na época medieval (na alta Idade Média era mesmo mais importante do que Hamburgo, penso até ser, como cidade, mais antiga). Mas, com o passar do tempo, foi perdendo essa importância, ao ponto de, há alguns anos, ter mesmo pedido permissão para usar novamente o título de “Hansestadt” (estava completamente esquecido). Este título aparece nas placas, mas não se modificou a matrícula dos carros, era bastante complicado. Com STD, Stade já tem o número máximo de letras permitido numa matrícula. E pode ser que as abreviaturas possíveis, como HS, ou HST, já estejam todas ocupadas.
E a série terminou em beleza. Literalmente 🙂
Obrigada, Teresa.
Como eu gostei desta belíssima “Impressões Alemãs”. Acabei por guardar umas quantas fotos nas minhas “Imagens”. Muito obrigada, Cristina.
Maria
Obrigada eu, Maria.