
Imagem Wikipedia
Num país como a Alemanha, não se espera que a travessia rodoviária de um rio represente um problema. Na verdade, a travessia do Elba, em direcção ao Norte (incluindo o acesso à Escandinávia), é um quebra-cabeças há várias décadas. Há apenas uma possibilidade: um túnel, em Hamburgo (o chamado Elbtunnel), por baixo da zona portuária, com cerca de 3 km de comprimento, no curso da A7, que vai até à fronteira com a Dinamarca. Ora, todo o trânsito vindo da, ou em direcção à, Escandinávia, tem de passar por este túnel. Junto com o trânsito habitual de uma cidade de dois milhões de habitantes (e apesar de, na verdade, se tratar de quatro túneis, com um total de oito faixas de rodagem), os engarrafamentos, com vários quilómetros de comprimento, são constantes. Desde que aqui cheguei, em 1992, ouço falar de uma alternativa ao Elbtunnel, projecto eternamente por cumprir (parece o aeroporto de Lisboa), pois não há entendimento quanto ao local e ao impacto ecológico da obra, assim como à melhor forma de concretizar a ideia: túnel, ou ponte?

Na verdade, há uma outra forma de atravessar o rio, mas não é alternativa válida para viagens de longo curso. Cerca de 15 km a jusante de Stade, há um ferry-boat que faz a ligação entre as duas pequenas cidades de Wischhafen e Glückstadt. A capacidade dos ferries é, porém, muito limitada. Mesmo só usado a nível regional, formam-se longas filas, em tempos de férias, e a espera para um lugar pode demorar duas a três horas.

No dia em que fizemos a travessia, não tivemos de esperar muito, pois deixámos o carro no parque de estacionamento e embarcámos a pé. A pequena viagem não é tão simples quanto isso, o capitão do ferry tem de ter em atenção os navios que se dirigem ao porto de Hamburgo e, ainda, as várias embarcações de recreio que cruzam o rio Elba em todas as direcções.

As margens do rio Elba contêm importantes ecossistemas, por isso, é tão difícil tomar uma resolução, quanto à construção de um novo túnel ou ponte.

Em Glückstadt, deparámos com esta interessante pintura em azulejo, aliás, algo que se considera tipicamente português. A imagem representa uma cena marítima aqui do Mar do Norte e resta saber onde foi o artista buscar a sua inspiração.


A construção do novo aeroporto de Berlim também foi uma obra de Santa Engrácia, segundo entendo. Não são somente os portugueses que fazem obras públicas com atraso e acima do orçamento.
Há tempo que tenho isto aprestado. Lembra-se do seu post com o rio Mosela? Achei isto e começa assim:
«Ser muito citado, mas quase desconhecido, – eis ainda hoje a sorte do rio e da paisagem. Pronuncia-se o nome do Mosela depressa e correntemente unindo-o ao do Reno e como fazendo parte dele. Mas é só um hábito, uma negligência, uma representação verdadeiramente falsa. O Mosela tem lugar à parte. A sua graça, a sua beleza também são à parte. Quase se poderia dizer: estranhas. O seu encanto é fino, ténue, impercetível, e no entanto impressiona qualquer pessoa sensível. É suave, mas muito especial. É forte, mas contido. É insinuante, mas tranquilo. É luminoso, mas amortecido. É profundo, mas estranho. É nítido, mas impalpável. É inesquecível, mas subtil.»
Depois continua. A novela chama-se “Pelo Mosela, Penando de Amor…” de Rudolf Binding.