
O Harz é uma extensa cadeia montanhosa no centro da Alemanha, embora a sua altitude não se possa comparar aos Alpes. Brocken (na fotografia), o cume mais alto, eleva-se até cerca de 1100 metros. A fronteira entre a RFA e a RDA corria bem no meio deste Parque Nacional, de montanhas florestadas. O Brocken pertencia à Alemanha de Leste.

Lago de Vienenburg, no Parque Natural do Harz
Outrora uma zona mineira, de onde se extraíam metais como ferro, cobre, chumbo e prata, o Harz é hoje uma zona turística protegida, onde se passam férias sossegadas, em contacto com a Natureza.

Reservas de corças em Wöltingerrode

Antigo mosteiro de Wöltingerrode, hoje, um hotel

Igreja Luterana de São Nicolau, em Altenau. Construída em 1670, mantém a sua estrutura em madeira.

As montanhas florestadas do Harz

uma zona mineira, de onde se extraíam metais como o ferro e o bronze
Que eu saiba, o bronze é uma mistura, feita pelo Homem, de cobre e estanho. Aquilo que se minera não é bronze mas sim um ou ambos os seus constituintes.
Tem naturalmente razão. Ao traduzir “Kupfer” confundi cobre com bronze, apesar de a palavra alemã para “bronze” ser… “Bronze”!
Vou já corrigir, aproveitando para acrescentar o chumbo e a prata, cuja extracção gerou muita riqueza entre os séculos XVII e XIX.
Em tempos (2014) fui vizinho de viagem de avião duns brasileiros que vinham para Lisboa de regresso ao Brasil.
Deles, a jovem que estava a meu lado, chorava por vezes sem razão, externa, aparente.
Explicou-me estar a deixar o paraíso da Alemanha para regressar ao inferno do Brasil.
O Brasil destes últimos anos deprime, de facto.
Já estive lá, Cristina, nas montanhas Harz. São magníficas. Lembro-me que ficámos numa aldeia muito pitoresca, Schierke, onde a cerveja era uma maravilha e tudo estava relacionado com as Bruxas. A partir de Schierke fizemos a caminhada até ao Brocken, o topo da montanha, passando pelo Púlpito do Diabo e o Altar das Bruxas. A caminhada para o Brocken tinha uma série de marcos numerados nos quais se contava uma parte de uma história infantil. Assim, as crianças mantinham-se interessadas e focadas na caminhada, com vontade de chegar ao marco seguinte onde o conto prosseguiria. 🙂
Supreendeu-me a simpatia e afabilidade dos alemães dessa zona. Não havia ninguém que não tivesse um sorriso e uma palavra simpática (que nós raramente compreendíamos) para as crianças.
Goethe refere-se ao Brocken no Fausto, onde aliás se passa a Noite de Walpurgis.
“Now to the Brocken the witches ride;
The stubble is gold and the corn is green;
There is the carnival crew to be seen,
And Squire Urianus will come to preside.
So over the valleys our company floats,
With witches a-farting on stinking old goats.”
PS- Infelizmente não tenho conhecimentos para ler o Fausto na língua original…
Obrigada pela sua partilha, Susana.
Sim, as bruxas são uma tradição, no Brocken. É uma forma de desmistificar o seu perigo, tornando-as divertidas e atractivas (também para as crianças). Assim se redime a Alemanha, que tantas “bruxas” queimou (muito devido à tradição luterana, diga-se de passagem), durante séculos. Em 1807, foi queimada a última mulher com essa acusação.
Essas tradições das bruxas também existem cá, nas serras portuguesas. Mas sempre oportunamente esquecidas pelo esquerdismo de estado e pelo municipalismo parolo — e até pela sociedade civil que é inculta e apática por causa dos primeiros.
Em contraponto ao Altar das Bruxas temos o Terreiro das Bruxas no Sabugal…
Que horror. Já em pleno século 19.
😥