
Goslar, com cerca de 50.000 habitantes, e sendo o seu centro histórico Património Mundial da UNESCO, é uma cidade muito agradável de visitar, principalmente, num dia de sol, como o que felizmente tivemos.

Com edifícios antigos e bem conservados, a praça principal, felizmente interdita a veículos motorizados e cheia de restaurantes e esplanadas, é um local mesmo muito simpático.

Sucedem-se os motivos fotográficos, para deleite dos turistas e não só.

Há mesmo fotógrafos que acabam por ser fotografados 😉

E até a Lucy encontrou motivos de interesse.


Coitada da cadela, encontrou um motivo de interesse mas foi interditada de ir inspecioná-lo.
Um pouco de disciplina nunca fez mal a ninguém, incluindo animais.
Um pouco de disciplina não faz mal, mas disciplina a mais faz.
O que acontece é que muitos cães são totalmente impedidos pelos donos de brincar com outros da sua espécie.
É uma crueldade.
Perfeitamente de acordo. Mas não era o caso da Lucy. Numa praça cheia de gente, alguma a comer nas esplanadas, não era o melhor local para soltar cães a brincar, que, como deve saber, o fazem de maneira bastante selvagem, derrubando tudo o que encontram pelo caminho. Ela teve muitas oportunidades de brincar e de cumprimentar “colegas”, caso os encontrasse durante um passeio, mesmo estando na trela. Mas também era uma cadela perfeitamente adaptada ao ambiente citadino, ficava calma no meio de multidões e aceitava não poder ir ter com todos os cães que visse. Neste caso, eu encontrava-me sentada num banco e não me levantei, apenas para que ela pudesse ter contacto com os outros, até porque não sabia se os donos apreciariam. A Lucy portou-se muito bem, não puxou na trela, nem sequer ladrou ou ganiu. Ficou apenas a observá-los e, diga-se de passagem, os outros dois comportaram-se de igual modo. De resto, ela, nesta altura, já tinha sete anos e meio, já não necessitava assim tanto de “coboiadas”
Quando era novita, sim, ninguém a parava, era difícil de aturar 
Deliciosos postais, Cristina. Sou fã.
Fico muito contente, Pedro, obrigada.
Também! Não me canso de dizer 🙂
Obrigada, Teresa. Beijinho.
“Impressões”?
1 – Mas de que acto a Cristina Torrão nos delita?
«Visionar» estas imagens “alemãs” não será «teorizar», até «conceber» (tendo em consideração que são uma escolha de uma «perspectiva» perpetrada pela mente da «fotógrafa»)?
2 – Quando alguém propõe a um receptor um conteúdo emitido – neste caso, estas “impressões alemãs” – trata-se do quê? De uma «interpretação», ou de uma «exegese», ou da tentativa de provocar uma «hermenêutica»? Ou seja, será para constatarmos que «o mundo, apesar de ser aparentemente diverso, afinal, repete-se»? Ou será, para nos convencer de que «existem uma pluralidade de significações»? Ou, no terceiro caso, será para o receptor «ser capaz de encontrar algum oculto»?
3 – Definitivamente, não é ao «sensorial» que estas “imagens” se destinam (“sensorial”, no sentido do sistema perceptivo humano descripto de James Gibson).
Para que precisamos de análises simples, se podemos complicar?

Não complicaria, se simplesmente escreve-se:
‘ Em 2013, 68 anos depois do fim da II Guerra Mundial, a cidade de Goslar decidiu retirar o título de cidadão honorário que tinha atribuído a Adolf Hitler. ‘
1 – Se tudo fosse “simples” seríamos “humanos/as/xs”?
2 – “É possível que os humanos, movidos pelo espírito do mal, que é a vontade de persistir na ignorância, e atormentando-se, torturando-se, e mentindo uns aos outros, forcem os melhores de entre eles a uma existência segregada e, portanto, a uma acção segregada (….). Se tudo fosse oculto, então não haveria, como os poetas concluem, nem procura nem crença, nem filosofia nem religião” (Orlando Vitorino, 1981, “A Filosofia como imagem da Pátria”, p.100).
“Desde Lascaux até ao crepúsculo contemporâneo de uma realidade devorada pela imagem mediática, e de uma arte votada aos monitores e às imagens de síntese (….), as imagens serão uma realidade simples e unívoca? …
A imagem nunca é uma realidade simples. As imagens são sempre operações. Relações entre o dizível e o visível, maneiras de jogar com o antes e o depois, com a causa e o efeito …
Eisenstein pôde procurar em Zola ou Dickens, como em El Greco ou Piranesi as operações de montagem das imagens…
Godard pôde compor um elogio ao cinema com as frases de Élie Faure sobre a pintura de Rembrandt.” (J.Rancière, 2003, “O destino das imagens”)
As imagens são um poderoso meio de comunicação e susceptíveis de diferentes interpretações, sim. Disso não há dúvida.
E todas as interpretações são bem-vindas, mesmo as que me parecem confusas. Fico é sem saber como responder. Mas o seu registo cá fica.
1 – Sou eu a provocar(-me), mais a mim do que ao magnífico Post da Cristina Torrão. Sou eu a utilizar o seu Post para reflectir e debater. Não ligue.
2 – “A construção visual do social e da cultura constituiu-se como marca do novo paradigma do século XXI. Esta visualidade complexa requer uma nova literacia, que possibilite um entendimento competente dos dispositivos de olhar que permeiam as sociedades, das estratégias de poder que constituem os campos de visibilidade e invisibilidade, e a decifração dos poderes oblíquos que se refractam através dos suportes tecnológicos da imagem, da fotografia ao cinema, aos vídeo-jogos, e às novas plataformas de interaçãcção visual” (Isabel C.Gil, 2011, “Literacia Visual”, p.141).
3 – “A fotografia expõe uma total objectivação do mundo (Vergegenständlichung) aprisionada num regime óptico controlado pela câmara, que paradoxalmente inviabiliza o seu agente [a fotógrafa Cristina Torrão]. Afinal trata-se de naturalizar (disfarçar e esconder) a acção do «agente de dominação»” (ibidem).
4 – Aqui, portanto, a «agente da dominação» seria claramente a Cristina Torrão.
5 – “Quero dizer: ao testemunhar, também se extermina. A testemunha é um traidor” (J-F. Lyotard, 1988, “O Inumano”, p.202).
6 – “A visualidade enquanto estrutura de mediação assenta no pressuposto da apropriação do real pelo olhar que, como refere Lacan, constitui um modo de satisfazer o desejo perverso por um Outro, (im)possível de tocar.” (I.C.Gil, 2011, “Literacia Visual”, p.271).
1º livro lido sobre a Alemanha:
De l’Allemagne [par Mme de Staël]