Impressões alemãs (16)


Cristina Torrão,

2003 H-Trier02.JPG

Em Trier (Trèves, em francês e, segundo a Wikipedia, Tréveris, em português), encontramos a Porta Nigra, erguida na cidade romana Augusta Treverorum. Ao contrário do que se possa pensar, o nome Porta Nigra não é o original, que se desconhece. Surgiu apenas na Idade Média e pensa-se que foi inspirado pelo arenito usado na construção e que escurece com o passar do tempo.

Só em 2018 se estabeleceu definitivamente que a construção da Porta Nigra se tenha iniciado no ano 170 DC. Até aí, as datações oscilavam entre os séculos II e IV. Trier, no rio Mosela, junto à fronteira com o Luxemburgo, era das mais importantes cidades romanas no actual território alemão, sendo Colónia – Köln (Colonia Claudia Ara Agrippinensium) a mais conhecida.

Na fotografia em cima, vemos a Porta Nigra a partir do centro pedonal, ou seja, do interior da Augusta Treverorum romana. Para o exterior, recorro a uma fotografia da Wikipedia:

Trier_Porta_Nigra_BW_1.JPG

Do lado esquerdo, vê-se um elemento que não pertencia à construção original. Na verdade, trata-se de uma abside. A Porta Nigra foi, durante a Idade Média, transformada na igreja de São Simeão, tornando-se irreconhecível, como se comprova neste desenho de Caspar Merian (1670):

Trier - Igreja de São Simeão.jpg

Foi Napoleão Bonaparte quem mandou destruir a igreja, em 1804. Os trabalhos foram interrompidos em 1809 e só cerca de oito anos mais tarde, os prussianos os concluíram, de maneira a que a porta romana original ficasse de novo reconhecível.

A Porta Nigra é, desde 1986, parte do património cultural da UNESCO em Trier, cidade rica em monumentos. Um deles é o Palácio Eleitoral, assim chamado, porque, no século XVIII, serviu de residência aos arcebispos de Trier e estes faziam parte dos magnatas que elegiam o imperador do Sacro-Império Germânico.

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Pormenor da entrada do Palácio Eleitoral, estilo rococó:

2003 H-Trier44.JPG

Centro pedonal de Trier:

2003 H-Trier10.JPG

6 comentários em “Impressões alemãs (16)”

    1. Os alemães escrevem Porta Westefalica. Conheço esse nome, mas não sei pormenores. A Wikipedia alemã diz que o nome não tem origem romana, ao contrário do que se possa pensar, pois só terá surgido no século XVIII. Os alemães usam (usavam mais, no passado) o latim para certos nomes. Também personalidades conhecidas usavam um nome em latim, junto com o alemão. Estou agora a lembrar-me de um cardeal e filósofo, Nikolaus von Kues, também conhecido como Nikolaus Cusanus. Mas nem só clérigos o fizeram. Por exemplo, Carlos Magno também é conhecido, na Alemanha, por Carolus Magnus.

      O nome Porta Westefalica vem dessa tradição e tem origem no vale do rio Weser que passa no meio de uma serra, dividindo-a, abrindo uma passagem, ou uma “porta”, para o outro lado dos montes.

      1. O latim era a língua culta dos alemães do sudoeste – antigo ducado de Württemberg, marquesado de Baden, reino da Baviera e eleitorado do Palatinado – e até mais nos luteranos do que nos católicos. Estudava-se em latim e até 1800 e bastante, todas as teses, de bacharelato, licenciatura e doutoramento eram em latim. Além disso, como consequência do Renascimento que “repescou” a cultura clássica, muitos burgueses das chamadas “gelehrten Familien” adoptaram a forma latina dos seus apelidos. Koch viraram Magirus, etc., etc.. Nalguns casos, a forma latina, viria depois a “alemanizar-se” como aconteceu com um Peter Bennewietz que começou por ser Petrus Apianus e acabou a vida como Peter Apian sendo Apian o apelido que seguiu nos descendentes.
        https://de.wikipedia.org/wiki/Peter_Apian

  1. « Cidade natal de Karl Marx, cuja residência familiar é hoje um museu, Tréveris também é a cidade natal de Santo Ambrósio »
    o meu interesse por Trier começou por um monumento de rua cujo nome não me ocorre
    e pelas termas imperiais perto do Rheinisches Landes-Museum

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