À Guida
Quando alguém nos morre queremos logo saber o motivo. Como se dessa explicação dependesse o sentido da morte. Morta a curiosidade morremos enfim daquilo de que se morre sempre, nós e os que vão. E continuamos, sem perceber nada.
À Guida
Quando alguém nos morre queremos logo saber o motivo. Como se dessa explicação dependesse o sentido da morte. Morta a curiosidade morremos enfim daquilo de que se morre sempre, nós e os que vão. E continuamos, sem perceber nada.
Teresa, antes de tudo o mais, quero expressar-lhe o meu pesar pela perda. Mas também dizer algo mais: sim, morremos todos da mesma coisa, isto é, o que nos mata é estar vivos.
Por outro lado, a vida também é um acto de renúncia, e devemos preparar-nos para renunciar à vida. Acresce ainda referir que a renúncia não significa perda, renunciar é perceber que morre o velho para dar lugar (nascer) ao que é novo.
Obrigada pelas suas palavras, tão apaziguadoras. Mas infelizmente paz é algo que me anda a faltar muito nos últimos tempos.
Teresa, paz, paz é uma palavra linda e sempre desejada. Como é bom ter Paz. Alcançar a Paz é a maior aventura do ser humano.
Permita agora que a ajude no caminho dessa outra Paz:
A Paz, ao contrário do que nos ensinam, não se alcança por estímulos externos, nem tampouco se deverá esperar que de outros venha, ainda que seja esta a missão da Humanidade;
A Paz é uma candeia interna que está sempre acesa, mas que devido ao entulho que vamos colocando acaba por ser esbatida. É exactamente isso: a luz é algo que se busca na escuridão, purgando tudo quanto nos faz depender de razões externas e também daquilo que permitimos que nosso Ser se transformasse, ou seja, num depósito de resíduos.
Desta feita, esta Paz firmasse na transcendência do próprio Homem, naquilo que são valores e crenças que conduzem a uma verdadeira Liberdade. Para isto é necessário muita luta: lutar contra valores adquiridos, perdoando nossos ancestrais por aquilo que, por terem recebido igualmente errado, não lhes foi permitido oferecer-nos; perdoar a nós mesmos pela ignorãncia em que vivemos, compreendendo que o erro é também caminho de Libertação etc. etc. etc.
À medida que vamos fazendo este trabalho, que é doloroso e requer uma luta titânica, estamos a renunciar, matando o que é velho para dar lugar ao novo.
Depois deste trabalho concluido só nos resta uma solução: tirar a candeia debaixo do alqueire e colocá-la por de cima do “candelabro”.
Aqui chegados compreenderemos o que é ser Sal da Terra e Luz do Mundo. Infelizmente, enquanto aqui não chegarmos, diremos sempre que ou é o Sal que não salga ou é a Terra que não se deixa Salgar.
Teresa, receba um abraço pleno de Paz.
Como diz, não é fácil, mas tenta-se 🙂 Obrigada, mais uma vez.