Imigrantes


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Com patrícios, na esplanada do Piripiri (Maputo). É época de férias escolares, época dos portugueses irem “à terra”, normal é a pergunta “quando é que vais a Portugal?“. Resposta da compatriota, enfadada, senhora, “f … [com hífen e tudo], estão sempre a protestar. Antes era o frio, agora é o calor!“. C…(mos) juntos [e ela é uma senhora, repito], pedimos (pede o marido dela), mais uma rodada. E concordarmos, que raio de povo o nosso, na tasca, no emprego, no fb, até no blog, sempre a protestar, com tudo, o tudo tudo. Segue a conversa, para longe disso aí. Depois. Guio para casa, meio toldado, coisas de domingo longo, e vou pensando, altaneiro, “soubessem como era o mundo protestavam menos“. Resmungos (ai meu Deus, diz o ateu) constantes. De tão fraca gente. Por causa de tão fraca gente.

Um comentário em “Imigrantes”

  1. Sentia exactamente o mesmo quando vinha cá de férias, durante os dez anos em que vivi longe de Portugal. As conversas eram sempre as mesmas – e em torno da crise. Crise da literatura, do teatro, do jornalismo, do ensino, do comércio. Crise económica. Crise política. Crise social.
    Eram esses os tempos das ‘vacas gordas’ – em que desaguavam milhões de euros da ‘Europa’ cá para o burgo. Via o pessoal com carros topo de gama, de alta cilindrada. Multiplicavam-se as segundas habitações, os “montes no Alentejo”. Toda a gente fazia férias no estrangeiro. Mas a conversa era a mesma de sempre. A crise, a crise, a crise, a crise.
    Quando eu dizia que o País me parecia muito melhor, mais próspero, mais cosmopolita, sem fronteiras, cheio de imigrantes, com restaurantes de comida “étnica” abrindo um pouco por todo o lado, com as nossas cidades a rebentar de turistas, com auto-estradas conduzindo às mais recônditas paragens do rectângulo, quase me fulminavam.

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