Idiossincrasias nacionais


José Maria Gui Pimentel,

Somos um povo engraçado. Vivemos num país peculiar, único numa espécie de limbo muito seu. Por um lado estamos alojados na Europa ocidental — um dos centros do mundo desde pelo menos o século XVI –, temos uma história rica e uma cultura quase milenar. Por outro, somos quase irrelevantes política e economicamente e a nossa história…bom, digamos que, no mínimo, não tão rica que valha por si só (como a da Grécia, por exemplo).

A esta combinação peculiar junta-se o facto de a nossa localização geográfica e a nossa dimensão nos tornarem imensamente permeáveis à cultura estrangeira, antigamente à francesa, agora à americana. Por isso, pelamo-nos por que nos visitem. Adoramos observar a reacção dos estrangeiros, o modo como, incautos, se vão surpreendendo crescentemente com a nossa história, cultura e gastronomia. E, como geralmente ninguém nos liga nenhuma, gostamos de receber bem (convenhamos que a reacção poderia bem ser a oposta), de impressionar e, por vezes, até de provocar com as nossas peculiaridades e pequenas proezas (algumas delas algo exageradas, nomeadamente aquelas que dizem respeito ao consumo de álcool). Por isto tudo, uma das coisas que mais delicia um português é ver um estrangeiro que vive ou visitou Portugal elogiar aquelas coisas que, sabemos, são boas e das quais, estamos convictos, ninguém no exterior tem ideia. Numa altura de crise, este pequeno prazer torna-se quase uma necessidade primária para o ego nacional. Isso explica a segunda, e desproporcionada, leva de entusiasmo com Anthony Bourdain e o seu “No Reservations”, agora que o programa foi transmitido nos EUA.

Eu vi. E gostei. Também gostei de ler num jornal dos EUA um artigo de um americano que vive em Cascais. Redescobri a nossa história pelas palavras generosas de Martin Page. E, eu que nem gosto de café, li deleitado este artigo do El País que não só elogia o café português, como, mais importante, fá-lo em detrimento do dos nossos vizinhos. Resumindo, não há como negá-lo, sou português.

4 comentários em “Idiossincrasias nacionais”

  1. Gostei muito do seu post. É muito oportuno. Eu até fiz um copy/paste para o blog http://www.adoromoraremcascais.blogspot.com.
    Em resumo, os portugueses gostam de saber que são elogiados lá fora, e não vejo nenhum problema com isso. Vamos aproveitar o que há de bom em Portugal ( e naquilo que os estrangeiros gostam) e vamos rentabilizá-lo.
    Já que estamos numa maré de incentivar as exportações….

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