Ich bin ein Berliner.


Luís Menezes Leitão,

Sinceramente não sei como qualificar este vídeo. É a todos os títulos revoltante. Em primeiro lugar a manipulação óbvia, como o  dizer que a idade da reforma na Alemanha é de 61,7 anos, quando é de 67 anos,  ou fazer referência à tributação de Portugal no Orçamento para 2013, que ainda não foi aplicada, ou à eliminação de feriados em Portugal que só vigora no próximo ano. Depois a tentativa de responsabilizar a Alemanha pelos gastos disparatados que fizemos, como os submarinos, a rede de carros eléctricos, ou os estádios do Euro 2004, a pretexto de que foram contratados alemães para o efeito. Os fornecedores têm alguma culpa do endividamento em que caem os seus compradores? Depois temos a comparação disparatada entre a queda do muro de Berlim e a presente situação em Portugal, que só faz lembrar aos alemães quanto lhes custou a integração da RDA. E, por último, o estilo subserviente do filme como se fazer palhaçadas tornasse os nossos credores mais complacentes.

 

Se este filme passasse na Alemanha, acho que os alemães ficariam com uma ideia ainda pior de Portugal do que a que já têm. Eu pelo menos fiquei. Foi por isso um favor que nos fizeram que o vídeo não tivesse passado. Há certas pessoas em Portugal que no meio da tragédia ainda conseguem praticar a farsa.

5 comentários em “Ich bin ein Berliner.”

  1. Se dúvidas ainda houvesse que o Marcelo Rebelo de Sousa vai candidatar-se à Presidência da República em 2016…
    O vídeo é uma sucessão de tiros no pé que só piora a imagem de Portugal no exterior. Por exemplo, dizem à boca cheia que Portugal gastou 675 milhões de euros a construir estádios para o Euro 2004, estádios que hoje em dia são um fardo pesado para o erário público, subaproveitados e desnecessários. Terem sido construídos por consórcios alemães só indica que não existem construtoras capazes em Portugal, facto não muito espantoso porque a obra era para ser concluída a tempo do Euro, algo impossível com a regra portuguesa de 20% de derrapagem orçamental + 15% de derrapagem temporal. A Alemanha organizou o Mundial de 2006 e não construiu um único estádio, fazendo apenas pequenas melhorias nas estruturas que já tinha.
    Se o efeito pretendido era salientar que trabalhamos mais, produzimos menos e esbanjamos o que temos (e o que não temos), missão cumprida.

  2. O que mais me irrita é aplicarmos sempre esse estilo subserviente, do género: “somos tão bonzinhos! Porque não gostam de nós?”
    Mas que grande complexo de inferioridade! Quando deixaremos de sermos “bonzinhos”?

    O mais engraçado é que os alemães até gostam de nós!

  3. Os submarinos não são gastos disparatados se queremos forças armadas.

    Quanto à qualidade filme, não é nada de espantar, já vem de há muito a falta de vergonha na falta de qualidade.

    Quanto à existência do filme que demonstra a idiotia geral ainda fica pior, mas quando se olha para o sucesso de Marcelo Rebelo de Sousa como comentador do regime ao longo do caminho para a bancarrota… não pode surpreender. Um país habituado durante mais de uma década a fait divers, caso políticos e frívolidade só possível com o défice a pagar a diferença entre trabalho e o desejo.

  4. Não concordo. O vídeo, a meu ver, tinha como objectivo demonstrar a importância do nosso mercado para os exportadores alemães, quer de bens quer de serviços, e, consequentemente, para o bem estar alemão. Mas também visava informar a população alemã sobre aquilo que não sabe a nosso respeito. A imagem que têm de nós é boa, mas a imagem que dão de nosso país na Alemanha não é verdadeira nem falsa, porque oculta. Eles não sabem de nossos sacrifícios. Tudo lhes é dito como se Portugal fosse o país dos exemplos, para encobrir as deficiências de Merkel.
    Sobre a imagem que possam os outros povos ter de nós: A imagem que existe sobre os portugueses é elaborada internamente pelos próprios portugueses; nos diálogos, parcerias e trocas comerciais que com outros povos mantive, quer no norte, quer no centro quer no sul da Europa ( e mais a sul da Europa), nunca me senti diminuído em relação a eles ou acima deles. O que é difícil, isto sim, é manter a mesma harmonia nas relações sociais, laborais e empresariais aqui em Portugal.
    Sobre os 61,7 anos para a idade da reforma, é uma média, por isso leva a vírgula. Os 67 anos serão aumentados de forma progressiva nos próximos 20 anos. Repito, de forma progressiva.
    Aqui:
    http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/alemanha-reforma-pensoes-reformados-agencia-financeira/1314216-1730.html

    Sobre o muro de Berlim, foi um custo – e uma alegria – para toda a Europa, e não só para a Alemanha, a integração, por isso mesmo eu compreendo o sentido do título: Ich bin ein berliner. Da mesma forma a Alemanha, em situação de crise, benefíciou do plano Marshall e do perdão de dívidas. E afirmo que a nossa situação também, repito, também se deve aos interesses alemães antes desta crise.

    Creio que Marcelo e seus companheiros devem melhorar o vídeo e colocar legendas em alemão, e tudo fazer para que seja divulgado.
    Ainda assim tenho muitas dúvidas sobre o que nos espera (refiro-me ao mundo inteiro) nos próximos dois anos. Mas sobre isto não vou comentar agora.

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