Houve de haver, ouve de ouvir


Pedro Correia,

20221127_174258.jpg

Excerto de um texto de opinião assinado por um dos principais jornalistas num dos principais jornais portugueses.

Assim vai a “qualidade” da nossa imprensa.

42 comentários em “Houve de haver, ouve de ouvir”

  1. É isso e o verbo tar tando por todo o lado em bocas e textos.
    Tás a houvir Malaka ? Ou aler.
    Podendo,lá do etéreo séu.
    Do Torto

  2. Na tropa havia a especialidade transmissões e era célebre aquela de em vez do ‘diga se me ouve, escuto’, alguns diziam ‘diga se me escuta, oubo’, Mas estes homens tinham a instrução primária/ciclo preparatório que para começar a trabalhar chegava.

  3. Penso ser isso, falta de qualidade e de brio. E também a pressa na revisão de texto. Ou será que já não existe revisão, não sei. Mas é nódoa.

        1. O corrector, traduções e todas outras consultas na internet estão em crioulo brasileiro.
          Eles são 230 milhões, não existe a escolha de português (Portugal).
          Agora temos ‘Copa do Mundo Katar 2022’ e traduzindo do inglês keeper aparece ‘goleiro’.Com muita frequência nas capas dos jornais em vez de “na” aparece “em” : ‘apareceu morto em cozinha’.
          Mas também existe a escrita pela voz : dita-se o texto e o computador escreve. Neste caso falhou o corrector, ou por a máquina estar a ouvir/escrever ‘gritos’ podia relacionar ‘ouve’.

          1. Tuguês em dialecto brasuca domina em absoluto a uiquipédia.
            Com os belos resultados que estão à vista. No vocabulário, na sintaxe, na construção frásica, na gramática…

    1. Belo princípio. E porque não eliminar os sinónimos? Veja lá o número de páginas que seriam subtraídas do nosso dicionário. A maior parte das figuras de estilo só atrapalham, obrigam-nos a pensar (o horror! – com h). Fora com elas. Há – com h – tempos verbais que têm reduzido uso. Fora. Passado, presente e futuro chegam perfeitamente. Mesmo assim, há – mais um, que aborrecimento! – que pensar se serão realmente necessários: uma tribo na Amazónia não usa estruturas linguísticas para o conceito de tempo e consta que vive bem assim (*). E a ‘novilíngua’ criada pelos ‘wokes’ já nos está a fazer o favor de trucidar os géneros: também é um bom avanço, tanta duplicação desnecessária.

      O novo dicionário terá a espessura do Borda d’Água. Seremos absolutamente básicos na expressão mas muito inclusivos, incapazes de descrever o mundo que nos rodeia mas muito mais felizes…

      ipócrita, egemonia, ermético, ostil, istória, onra, umildade, omogeneidade, erege, ediondo, eresia, abilidoso, umor… comecemos, pois então.

      (*) https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2011/05/110521_triboamazonia_tempo_pai

      1. Podemos ir ainda mais longe e eliminar as consoantes, voltamos todos a ter “falinha de bebé”.
        Balio, por exemplo, passaria a escrever-se Aio. E Lavoura tornava-se Aoua.

        1. Podemos ir ainda mais longe e eliminar as consoantes

          Na escrita do árabe elimina-se (muitas) vogais (o que é mais fácil nessa língua, uma vez que somente tem três vogais: a, i, u). Eliminar consoantes não é possível em ortografia nenhuma.

          1. Em certos países árabes essas são as palavras que mais se escutam: ai e ui.
            Sobretudo de presos políticos que lá se encontram a penar.

      2. Não confunda, nunca, a língua com a ortografia. A língua é orgânica, pertence ao povo. A ortografia é somente uma convenção.

  4. Anda tudo maluco, ninguém se entende. Ontem não leva agá, hoje já leva, em que é que ficamos afinal?
    É claro que os jornalistas, coitados, também se baralham.

    1. Há uns largos anos apareceu nas bancas um jornal analfabeticamente chamado Oje. Antecipava as tendências que o comentador Balio advoga. Condenando à morte a oitava letra do nosso alfabeto.
      Afinal foi a dita folha de couve a fenecer. Já se encontra há muito sob a pedra tumular.

  5. não pode ser, não quero crer – não sei quem é o autor mas se é um dos principais jornalistas, como dizes, deve ter sido coisa de corrector e de revisão apressada. Caramba, quase todos os dias faço erros ortográficos, não falo de alto, mas no “haver” quem vive da e na escrita não erra. O problema é capaz de ser mesmo bem mais grave do que falhas ortográficas, é a falta de revisores

    1. Estes são os “mestres” que “ensinam” os jovens profissionais.
      Não admira que a escrita jornalística seja cada vez mais coxa, mais manca, mais vesga.
      E mais burra.

  6. Tenho um Amigo com 85 anos de idade que afirma: “… a sociedade portuguesa só se actualiza (crimeacordo ortográfico, etc., etc., etc., etc….) quando lá não houverem portugueses!

      1. Eles não fazem a mais remota ideia de graus, géneros, formas verbais, seja do que for.
        Alguns conseguem trepar e até ocupar cargos directivos em jornais. Com resultados destes.

  7. E os acentos,os sinais de pontuação.
    As supressões ajudam a amortizar a dívida.
    Fale por gestos,emojis,feche o buraco do azoto e limpe o carbono da manta térmica.
    Ah o que um akordo horto generalizado permite.
    do torto

  8. É o resultado de terem deixado os ignorantes e os políticos mexerem na língua e instituir nas escolas o primado da fala sobre o léxico e a etimologia. Numa larga maioria de gente estúpida e preguiçosa, é normal que agora apenas balbuciem e ronquem algumas palavras como as ouviram dizer mas não sabem o que essas as palavras são nem o que significam. Daí que dezenas de jornalistas, todos os dias, na televisão e arredores, profiram perfeitas barbaridades sem sequer terem a noção do que estão a dizer, como por exemplo: “morreram graças a um acidente”, “a greve já se faz sentir”, “no dia de hoje”, “dois meios aéreos”, “a bolsa afundou”, etc, etc, etc, etc. Só ignorância patrocinada por um partido nojento e um estado semi-totalitário asqueroso que apenas promove a mediocridade. E como se isso por si só não bastasse para nos pôr imediatamente atrás da Roménia, agora dedica-se a importar beduínos iletrados e já nem se preocupa em criar condições de trabalho ou de criação de riqueza.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *