Hossanas de cor azul


Pedro Correia,

O despacho de pronúncia do processo BES, que promete ficar na história judicial portuguesa, confirma a existência de diversos sacos azuis geridos pelo Grupo Espírito Santo, tornado associação de malfeitores. 

Aguardo pelas revelações que serão produzidas no julgamento – e antes dele, como é costume, nas páginas dos jornais. Mas aquilo que mais curiosidade me suscita talvez não chegue a vir nas manchetes da imprensa: refiro-me ao alegado saco azul que distribuía prebendas a jornalistas munidos de título profissional e obrigados a cumprir com zelo o código deontológico deste ofício. Talvez não por acaso, durante anos, lemos e ouvimos loas a Ricardo Salgado impressas em letra de forma quase até ao dia em que caiu o seu império com pés de lama.

Basta ir à hemeroteca e confirmar: duas tardes chegam para o efeito. Alguns desses andam por aí, desancando agora naquele a quem entoavam hossanas.

36 comentários em “Hossanas de cor azul”

    1. E o “Nicolaço” que até de férias para a neve foi?
      E o “Costinha”, irmão do Costa PM, que prometeu divulgar a lista dos Panama Papers, de repente transformados em Comporta Papers e como tal enterrados nos arrozais?
      Deve haver mais jornalistas avençados, que jogadores do Benfica contratados.

  1. Aguardo pelas revelações que serão produzidas no julgamento

    Faz bem em aguardar (sentado) e em não se apressar a, como faz neste post, tomar como verdadeiro aquilo que está na acusação feita pelo Ministério Público. É que, a experiência mostra que, em processos desta natureza, aquilo que é afirmado pelo Ministério Público frequentemente cai por terra, por falta de provas, no julgamento, se ele chega a existir.
    As acusações do Ministério Público assentam em pés de lama ainda mais mole do que a dos do império Espírito Santo.

      1. Não tenho medo da minha própria sombra. Mas, tal como José Miguel Júdice disse, tenho medo, tal como toda a gente em Portugal tem, do Ministério Público.

        1. O Proença de Carvalho? Aquele que disse que se a RTP é do Estado e que cabe ao governo em exercício fazer de patrão – ele ia dizer amo, mas achou que patrão ficava melhor…

  2. Pelo andar aqui da carruagem, esta malta à partida, pensa que não chega a ser acusada…
    Lá está, bem diz o dr. Júdice que o sr. Salgado não é nenhum gangster…
    Oh diacho…!

  3. Haverá sempre uma alma com paciência suficiente para escavar os tais doze milhões e meio de ficheiros informáticos e pôr em pelotas os cavaleiros do reino da mendicidade.

    Smoreira

  4. Este postal é fruto do delírio, da cabala e da inveja. Além do que ‘falsifica a história do BES’.

    É sabido que todos os portugueses denunciaram desde pequeninos as alegadas falcatruas do BES e os únicos que participaram e beneficiaram das suas negociatas foram extraterrestres avistados dentro de um OVNI pela Polícia Judiciária e pelo Ministério Público, mas continuamos sem confirmação oficial da sua origem. Aliás, vendo de perto a nave alienígena, talvez nem existam.

      1. Aí está, uma acusação com cabeça, tronco e membros seria a deduzida contra os tripulantes da cabaça marciana avistada no Alentejo e contra Pedro Passos Coelho e Carlos Costa, esses mauzões com a mania de desconfiar e travar as boas intenções de gente impoluta. Agora a torpe e vil insinuação associação criminosa. Isso não. E pior: memória, registos, provas, hemerotecas, eh…isso lá interessa para alguma coisa.

  5. Certas pessoas, que têm os seus próprios telhados de vidro, deviam ponderar melhor antes de atirarem pedras a outros… Mas enfim, se calhar julgam que o passado está muito bem escondido e que ninguém se lembra….

  6. Parece-me utópico que apareça na imprensa o nome dos jornalistas avençados pelo DDT. Não acredito que a classe esteja disponível para essa auto-imolação.

          1. Gostava de saber. Gostava de saber porque não se sabe, num país onde as fugas de informação são habituais. Será que vai até às chefias nos media?

    1. «Parece-me utópico que apareça na imprensa o nome dos jornalistas avençados pelo DDT.»
      É evidente que sim, que é «utópico que apareça na imprensa o nome dos jornalistas avençados pelo DDT» até porque eles sabem «o nome dos jornalistas (NÃO-)avençados pelo DDT» mas por outros DDTs em linha de sucessão…
      Depois há os outros que se julgam inocentes porque nunca roubaram os pacotes de batatas fritas… apenas ficaram à porta!

  7. Uau! Isto hoje está melhor do que a esquerda.net! Das duas 3: ou estão (quase) todos “infectados” (e por isso, sofrendo de alucinações provocadas por febres altíssimas) ou quiçá, até de repente, por um verdadeiro milagre, todos viraram empedernidos bloquistas?
    Sejamos sinceros: a ladainha normalizada neste blogue – e julgo que até nem estou a revelar um qualquer segredo surpreendente – até passa pela bocejante lengalenga (neo/post/simplesmente) “liberal” presente em habituais chavões, tipo «o estado sufoca a iniciativa privada», «os funcionários públicos são uns privilegiados», «o status quo socialista tuga é”, etc, etc… depois até há os outros (os mais sabidos!) que gostam variar a toada, batendo antes, por exemplo, no politicamente correcto (e até invistam, como quixotes tresloucados, contra a expressão “novo normal” que, para eles, é – só pode ser – mais “yankee” do que a do PC) porque lá está, participam na festa mas julgam que sempre podem reclamar que nunca o fizeram.
    Todos nós sabemos que Ricardo Salgado era o Rei do “liberalismo” (entendido como entendem 99% dos que aqui são designados como “Autores” – a lista deles até está à vossa direita! – para já não falar da idêntica percentagem dos leitores que comentam neste blogue): ora bem, “O Rei morreu. Viva o Rei!” E só morreu porque o Estado até ainda não chegou ao ponto de perfeição exigido pelos que aqui pregam que ele é a personificação do Mal que à que expurgar…
    Claro, agora, estão todos a sacudir as gotas de chuva que caíram, do capote mas até há muitos mais outros “ricardos salgados” neste nosso Portugal… e quem sabe, um destes dias até “sonaé” que se descubra mais um deles onde, evidentemente, até há uns anos, o “dono disto tudo” era o pai e o filho e só não era o Espírito Santo porque até já o era de apelido!

    Sim, o Ricardo Salgado só existiu por causa do «status quo socialista tuga» que é apenas uma versão do “liberalismo” que contenta uns mas não outros: estes exigem ser “ricardos salgados” à sua dimensão… “não pagarem impostos”, “a segurança social dos seus empregados deve ser da sua responsabilidade”, etc, etc, porque lá está, eles até se julgam como missionários, sacrificando-se para dar emprego a todos os seu “colaboradores”…

    Quando ele declarava que
    «Há pessoas que querem trabalhar e pessoas que fazem greve e prejudicam a economia do país.» – 2012
    ou
    «Tem sido, de facto, uma austeridade enorme, uma severidade enorme. O nível de desemprego é já demasiadamente elevado e temos que entrar agora numa fase de recuperação.» – 2013
    até estava longe de um outro artista da mesma laia que declarou
    «Ai aguenta, aguenta» – 2012

  8. TROMBONE, CUMPRE O TEU DEVER
    Para além dele próprio, família e colaboradores chegados, ninguém mais cá de fora mamou nos sacos para além dos fretes jornalísticos?
    Que nos jornais, e não só no julgamento, saia tudo ao léu

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