Home sweet home


Ana Vidal,

 

Chego de fora mesmo a tempo de não precisar de me beliscar para saber que estou de volta a casa. Enquanto o país arde triste e realmente, no Chiado brinca-se aos fogos num simulacro comemorativo para turista ver, com figurantes e cheiro a fumo em spray. Enquanto morrem bombeiros e as populações se queixam de uma aflitiva falta de meios, corporações inteiras sobem e descem escadas de incêndio, de mangueira na mão, fingindo apagar um fogo inexistente. Diria o velho Camões, habituado aos lusos absurdos, que foi “um fogo que arde sem se ver”. Digo eu, entre a estupefacção e a vergonha alheia, que isto é de um mau gosto atroz e de uma total falta de senso. E ainda falam da Cristina Espírito Santo.

16 comentários em “Home sweet home”

  1. Não posso concordar mais consigo, Ana! Às vezes, infelizmente muitas vezes, é impossível não nos envergonharmos…

    1. É mesmo, Isabel. Quem terá tido esta ideia peregrina e o que levou António Costa a achá-la boa? Já não há ninguém com um mínimo de bom senso?

  2. Nem mais Ana.
    Volte para fora de novo…
    Isto é mesmo bizarro.
    Um simulacro de incêndio no chiado, com o país a arder não lembra a ninguém…
    A imaginação não chega a mais…peguem em comida e bebida e levem aos desgraçados que estão horas e horas a fio a combater o ” monstro ” que loucos ” plantam “…

  3. Por falar nisso, este ano não desapareceram os incendiários mas, curiosamente, parece ter caído em desuso a expressão “mão criminosa” que costumava temperar qualquer notícia sobre fogos…

  4. Dum enorme mau gosto que só pode sair duma mente preocupada com o protagonismo. O Sr. António Costa revelou não ter um pingo de bom senso.

  5. O incêndio no Chiado deve ser lembrado. Mas também acho que, devido à situação do país, nesta altura, devia haver comedimento. Vi, há dias, o Telejornal, na RTP internacional, e também não achei grande piada ao facto de ser transmitido diretamente do Chiado. Mostraram algumas histórias interessantes de pessoas que viveram o incêndio. Mas, com tanta desgraça pelo país, causada pelo fogo, não deveriam festejar o 25º aniversário de um incêndio com tão grande festa, como se de um arraial se tratasse.

    1. Concordo que deve ser lembrado, Cristina, para memória futura e para que não se repitam os erros. Mas há muitas maneiras dignas de fazer isso: uma exposição in loco, reportagens, evocações, o que quiserem. Tudo menos um “simulacro”, como se se tratasse de treinos para uma hipótese de incêndio e não de uma tragédia real que aconteceu há 25 anos e destruiu um património importante, além da vida profissional de muitos comerciantes. E muito menos enquanto o país arde em volta, sem simulacros e sem meios suficientes.

    2. Mas deve ser lembrado porquê? Pelos bombeiros e autoridades municipais, acho que sim, como devem ser todos os acidentes. Agora, com “comemorações de bodas de Prata”, ainda por cima com projecção nacional (e as pessoas que morreram, sim, MORRERAM nos fogos de há uns anos no Funchal?)…

      Gosto muito de Lisboa, tenho pena pelo que se tenha perdido (sou demasiado novo para conhecer o antes) mas, caramba, foi um fogo não um novo 1755! Já aconteceram coisas muito piores por este país fora em 25 anos e não vejo sanha celebratória por parte dos meios de comunicação.

      1. Carlos, se não conheceu o Chiado antes do incêndio é natural que desvalorize o que aconteceu, mas o património que se perdeu é irrecuperável e nesse sentido a tragédia foi nacional, porque o património é de todo o país.
        Estou chocada e abismada com o mau gosto destas “comemorações” disparatadas, mas acho bem que se recorde o que ali aconteceu há 25 anos. Porque, ao contrário de si, conheci muito bem o “antes”.

        1. Ana, eu não desvalorizo o que aconteceu, mas antes o enquadramento e destaque dado. Que a Câmara resolva deitar pelos canos abaixo (literalmente) dinheiro com encenação comemorativos, só me choca pelo mau gosto e desperdício de meios.

          Agora, que se transforme um incêndio que foi – e aqui reafirmo – um acontecimento com impacto local em algo a ser notícia nacional (ser notícia os 25 anos, não o disparate do simulacro, isso sim noticiável na secção das bizarrias), a mim custa-me.

          1. Continuo a não concordar, Carlos. Dou-lhe outro exemplo, para nos afastarmos de centralismos enganadores: a queda da ponte de Entre-os-Rios foi um acontecimento local, com impacto local. Mas a tragédia foi nacional e merece ser recordada como tal, para que nunca mais seja descurada a segurança das pontes de todo o país. Espero é que nenhum maduro se lembre de atirar autocarros ao rio para comemorar os 25 anos, quando for a altura.

    1. Exactamente, Helena. Essa ideia só pode ser coisa de gente estranhíssima. De um pirómano, talvez. Cada vez mais me convenço de que estamos a enlouquecer alegremente…

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